sobre tudo sobretudo.

Estudante de Psicologia. Aspirante das artes e de tudo o que é sentido. Até do mundo.

Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável"

Belchiores e corações selvagens

Pra sentir o fluxo de vida. Pra ouvir bater o pulsante selvagem. Pra encaixar a esperança no real. E pra ser e desejar.


O ano em que alguns acordaram pra ver o sol, que ainda não calhou de nascer tão quadrado quanto deveria pro João que se dizia de Deus.

500 Marias. Arquétipo cruel pra também Joanas, Marisas, Teresas e muito mais. 500 vidas registradas por violação. 500 sentimentos de vilipêndio, impotência (se fosse só isso, não teria tanto nojo pro denominador comum dessa conta).

O ano em que pessoas foram mortas por ideias estampadas. Livre pensamento, aqui não rola. Só tem ideia de livre mercado e lei pra quem bem aprouver. Essa terra que não chega a ser “terra de ninguém” (alô, Laurentino Gomes), condena, extirpa, mata à bala e à braço e punho.

O ano em que escrevi pensando nos filhos que quero ter- não porque nunca o tivesse feito antes, mas porque me amedrontei das possibilidades que o cenário político-social oferecia.

E a grande sacada é que a gente tá aí pros 7x1 que nunca esquecemos, mas que viraram 2x1 em 2018. E isso não inclui só quem curte futebol.49584196_2162127723845680_3542958500025991168_n.jpg

Tô dizendo de outros números aterradores. O ano em que eu e muita gente, pensamos no poder que deve ter ensinar a um filho que amar por admirar é mais genuíno do que respeitar por temer. Coisas pra corações selvagens. Coisas pra Belchior e Belchiores.

E por fim, a chegada dessa trip esquisitassa de 2018 aterrissa num sentimento que não pode ter outra base além de Resiliência. Resiliência é nome de respeito. Alquimia meio que mais forte que Zoloft, Frontal e Fluoxetina juntos. A psiquiatria que o diga.

Porque só com a coragem nela fusionada, a gente consegue olhar pra trás dessa bagunça e ver o quanto cresceu. E também ainda pode crescer. Coragem é aquilo que nos põe medo da estagnação.

Eu não curto muito essa pira de autoparáfrase, mas como essa é uma paráfrase que carrega com ela outras mil referências- tipo as promoções de loja de departamento que a gente gosta- lá vai.

Eu tô de novo só pela frase mais erudita, rica e poderosa da Língua Portuguesa. Aquela que eu contei em “Carta pra ser lida pelos meus filhos em algum tempo um pouco distante” que a Maria tinha dito em “Tudo o que eu sempre quis dizer mas só consegui escrevendo” que o Neymar disse em campo: “Eu tô aqui. “.

E eu tô mesmo. Aqui, desejando e fazendo. Eu quero justiça pras Marias. Pra todos. E amor prum mundo inteiro. Eu tô aqui.

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Pronta. Ouvindo Belchior.

Pode vir, 2019


Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável".
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