sobre tudo sobretudo.

Estudante de Psicologia. Aspirante das artes e de tudo o que é sentido. Até do mundo.

Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável"

De água viva, se vive

O dia em que foi (mais) possível entender sobre Água Viva, do Raul.


Pode ser que eu não me furte de achar que o relato da minha primeira ida a uma cachoeira, não fará sentido algum pra muita gente. Como todas as coisas nessa vida- que é a única que eu conheço- a significância de uma experiência é subjetiva.

Particular e própria na mais ínfima semântica desses verbetes de dicionário. Eu no entanto, não pouparia papel ou caneta, porque esse é o exagero que faço de melhor. (D)escrever momentos.

Sábado, que às vezes é mais feira do que o resto da semana, eu tava com os pés imersos na água. E mais da metade do meu corpo, também. Na água de uma cachoeira. Coisa que eu não havia feito há vinte e cinco anos.

Minha mãe, nunca hesitou em me dizer: “A água é traiçoeira. Prefiro que você me prometa que não vai entrar em cachoeiras. De correnteza, ninguém sabe. Ninguém domina.”

O meu pai, tem um irmão que quase foi levado por uma. E como qualquer pessoa que já tenha passado por uma ameaça de perda drástica, construiu um medo.

Nem Freud -apesar de tê-lo feito- precisaria atestar que os medos dos nossos pais, podem, ora sucumbir- nos. Mas acontece que embora haja respeito, há também paradas das quais a gente não se salva de querer, por si mesmo.

A mesma coisa que eu falaria do amor e de riscos, eu posso falar de cachoeira hoje. Segura e seca, lanço: Desculpa, mãe. Desculpa, pai. Desculpa por não me arrepender.

O cuidado é mesmo pouco e foi por isso que o tive, em toda extensão que era possível. Talvez eu tenha precisado entender a letra de água viva, especialmente quando o Raul diz: “Sei que são caudalosas as correntes. Que regem céus, infernos e regam gentes.”

Arrisco dizer que, antes de serem o que são, todas as coisas lúcidas já foram medos.

Com amor,

JÚLIA.

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Imagem: via Pinterest


Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável".
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