Pedro Zuccolotto

Amante da arte de fotografar, com um desejo eterno por livros, estudante de jornalismo, músico, viajante e também um simples escritor. Vivendo a vida com meu sarcasmo natural e fazendo o simples ser belo

A Garota do Avião

Uma crônica sobre a beleza do mistério.


Inside airplane BW

Era uma tarde chuvosa na doce e amável São Paulo. Eu estava no avião, me dirigindo ao querido continente europeu para uma viagem de férias de 3 semanas.

Tudo aparentava ocorrer normalmente. A mesma situação monótona de todo aeroporto - com direito à filas intermináveis e atrasos também -, porém, algo diferente, ou melhor, alguém diferente me ocorreu.

Logo após embarcar e me aconchegar na desconfortável cadeira do avião – desconfortável pelo fato de eu não poder esticar minhas pernas -, noto de cara uma garota ao meu lado. Minha cadeira se encontrava ao lado do corredor, e a dela, do outro lado. Não sei dizer se era sua primeira vez em um avião ou em uma viagem tão longa, porém seu olhar lembrava o de uma criança que via o mar pela primeira vez... Tudo parecia encanta-la de uma forma estupenda. Desde a possibilidade de ver diversos filmes nas intermináveis doze horas de voo, até os avisos desagradáveis de atar os cintos.

Ela portava uma mochila um tanto... peculiar. Com bottons e um macaco de pelúcia relativamente grande para se carregar em uma mochila. Dentro dela, um livro da "breve história da moda na Itália" - em italiano, naturalmente -, um dicionário português italiano, e pelo que pude ver, só.

O que passava em sua cabeça e o que faria quando chegasse ao destino? Um completo mistério. Talvez estivesse com medo de tudo, talvez estivesse procurando uma vida nova, fugindo da realidade, ou até mesmo apenas realizando uma simples viagem. Mas seu encantamento com a situação era capaz de encantar os outros. Estranho isso, não? Poderia ficar horas a fio observando-a que não me entediaria.

Porém, o impossível pareceu acontecer: ela ficou entediada. Cansou do livro, e dos filmes, e não tinha sono. Enquanto tomava um café, ela sacou seu celular, colocou o fone, e começou a ouvir suas músicas - quais eram, outro mistério. Eis que, como se houvesse apenas ela no avião, ela começa a dançar de uma forma natural e... leve - com uma pitada de inocência pra completar. Um certo tempo se passou, e o sono começou a tomar conta de seu ser. Enquanto ouvia Beatles, ela virou para um lado, e fechou os olhos. Ficou me encarando de olhos cerrados. O que sonhava ela? Com as estrelas? Com o amor de sua vida? Ou simplesmente com nada? Certos mistérios me deliciam por nunca serem resolvidos. Afinal, qual a graça de se ter a resposta para tudo?

Airplane sunset


Pedro Zuccolotto

Amante da arte de fotografar, com um desejo eterno por livros, estudante de jornalismo, músico, viajante e também um simples escritor. Vivendo a vida com meu sarcasmo natural e fazendo o simples ser belo.
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