Pedro Zuccolotto

Amante da arte de fotografar, com um desejo eterno por livros, estudante de jornalismo, músico, viajante e também um simples escritor. Vivendo a vida com meu sarcasmo natural e fazendo o simples ser belo

Jogos que oferecem mais do que apenas um jogo

Alguns games podem oferecer mais do que uma jogatina vazia.


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Jogar para mim sempre foi uma experiência diferente. Sempre que queria jogar um título novo ou clássico, procurava não apenas me divertir, mas também tirar uma experiência marcante do jogo. Me lembro até hoje de, quando era pequeno, jogar The Legend of Zelda: Wind Waker com meu pai depois que ele chegava do trabalho. Foi praticamente a minha primeira experiência com jogos e que me marcou profundamente. Talvez meu fascínio por jogos do estilo RPG tenha nascido justamente disso.

Infelizmente, o mercado dos games está a cada ano mais saturado de títulos repetitivos que seguem a mesma fórmula incontáveis vezes. Apesar da vasta maioria desses títulos ser muito bem produzida, é difícil encontrar algum game que ofereça, de fato, uma experiência única ao jogador. Algo diferenciado que não se resuma apenas ao clássico “matar inimigos e zerar”. Por isso, aqui vai uma lista com alguns jogos que proporcionam ao jogador uma experiência diferente do usual e que, ao meu ver, podem proporcionar mais do que apenas uma jogatina e momentos de lazer.

Undertale – o jogo que testa sua humanidade

Toby lançou uma campanha no site Kickstarter em 2013 para arrecadar 5 mil dólares a fim de desenvolver o game com uma proposta diferente: “um jogo tradicional de RPG onde ninguém precisa se machucar”. Isso pode ser considerado fora dos padrões no cenário de jogos atuais, onde o jogador precisa basicamente matar para cumprir seus objetivos, seja em RPGs, jogos de tiro ou outro gênero. Ao final da campanha, Toby arrecadou cerca de 51 mil dólares, muito acima do esperado, e levou quase 3 anos para concluir o game.

A história do jogo se passa em uma Terra onde, há muito tempo, houve uma batalha entre humanos e monstros. Os humanos, ao saírem vitoriosos, trancaram os monstros no subsolo com uma barreira mágica, impedindo que algum monstro saia de lá. No ano 201X uma criança – controlada pelo jogador – sobe um monte chamado Ebott e cai em um grande buraco, chegando assim à terra dos monstros. Seu objetivo é sair de lá e retornar à superfície.

Pelo caminho você irá se deparar com vários personagens monstros e, caso haja combate, o jogador terá duas escolhas: matar o monstro ou poupa-lo através de diálogo e ações. Com isso há três possibilidades de final: final neutro (onde você mata alguns chefes, resultando em diversas variações desse final), final pacifista (onde absolutamente todos os monstros encontrados no caminho são poupados) e final genocida (onde absolutamente todos os monstros encontrados são mortos). O curioso é que para o final genocida ser feito é preciso muito mais trabalho do que para os outros finais e o jogo te pune deixando toda a experiência repetitiva e monótona se você escolhe esse caminho.

Esse jogo se destaca por conta de duas características principais: ninguém precisa ser morto (o que contraria a fórmula comum do gênero RPG, onde se precisa matar para ganhar experiência e subir de nível) e o jogo simplesmente se lembra das suas ações. Portanto não adianta matar todo mundo na primeira vez e depois tentar ser bonzinho e poupar a todos, pois o jogo saberá o que você está fazendo. Além disso, a compaixão e a humanidade de quem está no controle serão testadas até o final, tornando essa uma experiência única para o jogador.

arc6kIur.pngImagem não oficial do jogo Undertale.

Limbo e Inside – Histórias não contadas

Limbo e Inside são jogos independentes de plataforma e puzzle lançados pela Playdead. Em ambos o jogador não é apresentado a nenhuma história e sabe-se apenas o que lhe é mostrado na tela. Em Limbo você controla um garoto a procura da irmã em um mundo assustador, enquanto em Inside você controla também um garoto que está fugindo desesperadamente de algo.

É essa ausência de detalhes que trouxe esse jogo para a lista. Todos os cenários contam com simbologias que podem (ou não) dar pistas sobre a história do protagonista e cabe a você juntar todos os pontos da forma correta para entender o que está acontecendo. Tudo isso, somado ao final do jogo, cria uma experiência única onde o jogador precisa tentar desvendar a história com todos os detalhes que puder encontrar. No final, toda essa incerteza é o que dá a magia para o jogo, pois é o jogador quem entende o final a sua maneira. É possível fazer uma analogia a filmes que dependem muito da interpretação de quem está assistindo para entender o final como A Origem. Muitos críticos classificaram Limbo como “um jogo em formato de arte”, recebendo assim o prêmio de Melhor Jogo Independente pela VGX em 2010.

LIMBO_game.pngImagem promocional do jogo Limbo.

The Last of Us – Uma verdadeira aula de como contar uma história

Produzido pela Naughty Dog e lançado em 2013, The Last of Us é um jogo de ação, aventura e survival horror que imerge o jogador no mundo do game. É classificado como um título AAA, o que significa que foi feito por uma grande produtora com um alto investimento ao longo de muito tempo.

A trama se passa em um mundo pós-apocalíptico destruído por um fungo que transforma seus hospedeiros em monstros canibais – chamados de Infectados e Estaladores. Em meio aos que lutam para sobreviver, o jogador irá se deparar com a história de Joel e Ellie. Joel, o protagonista da história, tem por volta dos 40 anos e assistiu o mundo transitar entre a paz e o apocalipse, e Ellie é uma garota de 14 anos que nasceu imersa no caos instaurado pela infecção. Os dois são reunidos por circunstâncias difíceis e agora precisam sobreviver a uma jornada pelos Estados Unidos.

O que diferencia esse jogo de tantos outros não é apenas a sua bela produção ou a sua ótima jogabilidade, mas sim em como toda a história é contada. Os personagens são profundos e humanizados e não estão presentes apenas para preencher espaços vazios, criando uma empatia pelo jogador desde o início; o cenário impacta na trama a todo instante e consegue ambientar o jogador de uma maneira fantástica; o enredo não é previsível ou chato e é contado de uma forma emocionante.

O jogo foi ganhador de diversos prêmios, dentre eles o de Melhor Jogo de PS3 e o de Melhor Enredo. Também pode ser considerado um influenciador para o filme Logan, por mostrar essa relação entre pai e filha em uma jornada difícil.

the_last_of_us_remastered-2560x1440.jpgImagem promocional do jogo The Last of Us.

Firewatch – Uma obra de arte simples

Firewacth é um jogo que mistura uma bela paisagem artística com um envolvimento profundo entre o jogador e o protagonista, provando que não são necessários gráficos avançados e realistas para criar uma boa experiência.

O game se passa em 1989 e você controla Henry, um homem que procura um descanso de sua vida bagunçada em um trabalho de vigia florestal em Wyoming. Sua supervisora, uma mulher chamada Delilah, está sempre disponível para uma conversa através do seu pequeno rádio – e esse é o seu único contato com o mundo que você deixou para trás. Logo no começo o jogador se depara com escolhas do começo da vida de Henry com sua esposa Julia, conectando o jogador com o protagonista ao fazer escolhas simples sobre seu passado.

Aliando esse envolvimento com gráficos artísticos e uma dublagem excepcional, o jogador se sentirá na pele de Henry durante todo o jogo. Você sentirá as emoções da vida de Henry conforme a trama é aprofundada, criando um vínculo entre jogador e jogo extremamente raro nos dias de hoje. Além disso, cada pessoa terá uma experiência diferente e única com o jogo conforme o seu envolvimento com os personagens for se desenvolvendo e suas escolhas forem feitas, tirando lições diferentes ao final que você levará para sempre.

fTA8CzJ.jpgImagem promocional do jogo Firewatch.

The Witcher 3 – Um marco na era dos jogos

The Witcher é uma série de jogos baseados nos livros – excelentes, diga-se de passagem – do escritor polonês Andrzej Sapkowski. Neles, você controla Geralt de Rívia, um bruxo guerreiro que foi treinado desde pequeno na arte de caçar monstros e ganha a vida fazendo isso em troca de dinheiro. The Witcher 3 – Wild Hunt é o último da trilogia a finaliza com chave de ouro a história do bruxo contada ao longo dos três jogos.

O universo da saga é extremamente amplo. A desenvolvedora polonesa CD Projekt Red se comprometeu a fazer uma produção impecável em todos os quesitos. A ambientação do jogo, que é o mundo medieval também dos livros, é extremamente imersiva e gigante: o jogo possui mapas enormes com diversas missões secundárias para fazer, contratos de bruxos para matar monstros e diversas histórias para desenvolver. A diversidade na geografia também contribui para a experiência: é possível passar por vales verdejantes, florestas obscuras, montanhas gélidas, planícies com vinhedos, fortalezas e castelos descomunais, entre outros. A gama de personagens e monstros é extensa, dando complexidade à história do jogo e também criando desafio ao jogador, pois é preciso estudar os monstros e descobrir suas fraquezas antes de enfrenta-los. Os gráficos são extremamente bem trabalhados nos mais diversos detalhes e a trilha sonora foi produzida por músicos poloneses e contribuem para uma imersão ainda mais profunda – para os curiosos e amantes da música, vale a pena ouvir o trabalho deles.

The Witcher 3 é considerado um verdadeiro marco na história dos jogos eletrônicos não apenas por entregar um excelente conteúdo, mas por ir em contramão ao cenário atual. A tendência, hoje, das grandes produtoras é produzir jogos e fragmentá-los em pacotes compráveis (chamados DLCs), que na maioria das vezes não acrescenta um conteúdo que valha o preço vendido. Contudo, a CD Projekt Red fez o oposto e se propôs a entregar um jogo grande e extenso. Posteriormente, a produtora anunciou duas expansões compráveis que chegaram a ganhar prêmios por serem extensas e bem trabalhadas, oferecendo ainda mais conteúdo de qualidade aos jogadores. Foi devido a esse trabalho árduo que hoje a CD Projekt Red é referência no mercado de jogos mundial.

thumbnail-tw.jpgImagem promocional do jogo The Witcher 3.


Pedro Zuccolotto

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