Pedro Zuccolotto

Amante da arte de fotografar, com um desejo eterno por livros, estudante de jornalismo, músico, viajante e também um simples escritor. Vivendo a vida com meu sarcasmo natural e fazendo o simples ser belo

Pokémon GO e a crítica social

Se você acha que Pokémon GO é um jogo para idiotas, que aliena as pessoas ou que é uma completa perda de tempo, esse artigo é para você.


28266686971_6a70760701_z.jpg Imagem do usuário brar_j.

Não demorou muito para que o novo jogo para celulares da Niantic, Pokémon GO, se tornasse uma febre em todo o mundo. Ao mesmo tempo, não demorou quase nada para surgirem diversas críticas em relação aos adeptos ao novo game, trazendo comparações incabíveis e incontáveis discursos sobre como isso está arruinando o relacionamento humano e tornando as pessoas mais estúpidas e alienadas. Mas afinal, será que esse jogo traz tudo isso de negativo?

02.jpg Imagem cedida pela Noobz

Para entender: em resumo, o jogo trabalha com o mundo virtual e real ao mesmo tempo – a chamada realidade aumentada – e dá ao jogador a possibilidade de andar pelo mundo real à procura dos pequenos monstros em todos os lugares. O jogador também poderá entrar em um dos três times mundiais e ajudar a conquistar ginásios espalhados em vários lugares – uma espécie de arena, que apenas um time pode controlar. Além disso, também há paradas que dão recompensas quando os jogadores passam por perto – chamadas de Pokéstops – e ovos que chocam apenas quando você caminhar determinadas distâncias – 2, 5 e 10 quilômetros. Basicamente o jogador deve andar pelo mundo real para capturar Pokémons e – se quiser – batalhar em ginásios.

28063044940_c5b49cf169_z.jpg Interface do jogo. Imagem do usuário brar_j.

O que, a princípio, parece apenas mais um jogo bobo, na verdade, carrega em si uma característica essencial: uma razão para sair de casa, respirar um ar puro e se movimentar. Quantas vezes você não quis sair para fazer algo, mas não tinha motivação o suficiente para isso? Ou, para quem tem filhos, quantas vezes vocês já tentaram convencer seu filho a sair de casa um pouco e não conseguiram? Vivemos hoje em pequenas bolhas chamadas “lares”, o que torna possível fazer tudo, absolutamente tudo, de dentro de casa. E ainda – talvez sendo o pior disso – não recebemos nenhum incentivo para deixar nossas bolhas e fazer algo. Para que sair e ir ao parque quando podemos ficar em casa vendo mais um episódio de alguma série na Netflix? Para que marcar um encontro com os amigos se tenho no conforto da minha cama o WhatsApp disponível? E ainda, as tão amadas redes sociais – essas mesmas redes em que tantas críticas são compartilhadas – fazem o completo oposto do jogo: nos incentivam a ficar mais em casa, sempre olhando o Facebook, checando e curtindo as fotos no Instagram, postando no Snapchat e no Twitter, entre dezenas de outras atividades semelhantes.

O jogo conseguiu concretizar em questão de dias o que diversos médicos tentam há décadas: fazer com que as pessoas – principalmente os jovens – saiam de casa e se exercitem, lotando grandes áreas como o Parque Ibirapuera e a Avenida Paulista. E não estamos falando de uma academia, fechada, que te proporciona exercícios em máquinas ou corridas em esteiras, mas sim da cidade em que você vive e do ambiente ao seu redor. Além disso, o jogo foi um impulso para jovens introvertidos socializarem entre si e também permitiu que pessoas com depressão ou ansiedade se sentissem encorajadas a sair de casa – algo que muitas vezes os médicos, pais ou remédios não conseguem.

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Quer exemplos de como o jogo pode beneficiar as pessoas? Um hospital infantil em Michigan (EUA) introduziu na rotina dos pacientes uma nova atividade: andar e pegar Pokémons. O resultado? As crianças agora têm motivação de sobra para saírem dos seus leitos e interagirem entre si, mudando a rotina dos pacientes – e quem sabe até a vida deles. Quer mais um? Um abrigo de animais em Indiana (EUA) fez uma campanha convidando todos os jogadores a passearem com os cachorros abandonados. Agora, diversos jogadores passeiam com os animais enquanto jogam – e alguns chegam até a adotar alguns cães devido ao vínculo criado. Isso tudo serve para mostrar que, com um pouco de inteligência e vontade, é possível utilizar qualquer coisa para o bem, mesmo que seja um simples jogo de celular.

27541305793_f19c00519a_z.jpg Foto do usuário Eduardo Woo.

É óbvio que, ao checar um site de notícias, você irá se deparar mais com manchetes negativas do que positivas – pode ter certeza que você não verá uma notícia dizendo “jogadores jogam Pokémon Go normalmente e nada acontece”. O jornalismo trabalha com fatos não usuais, inesperados, diferentes e até mesmo bizarros, então sim, a mídia dará mais espaço para casos negativos do que para casos positivos, mas isso não significa que todos os jogadores aparecerão nas notícias por terem sofrido acidente ou terem feito algo estúpido.

É claro que o vício torna ruim qualquer coisa – sim, qualquer coisa! – e é preciso se controlar. Se viciar ou ser fanático por Pokémon Go, andar sem cuidado por aí e esquecer a sua vida é ruim, mas é tão ruim quanto se viciar ou ser fanático por futebol, leitura, redes sociais, religião, política, comida e etc. Agora vai para você, que acha tudo isso uma estupidez, umas perguntas: ao invés de criticar as pessoas que jogam, por que você não critica nosso governo e nossos políticos que não conseguem nos dar segurança o suficiente nem para, ao menos, usar o celular na rua? Por que você não pensa que, pela primeira vez em muito tempo, as pessoas têm um bom motivo para caminharem e irem a parques em vez de ficarem trancadas em casa? E, por último, por que você não tenta se divertir também?

4624225255_08bf29cef3_z.jpg Foto do usuário Nuwandalice.


Pedro Zuccolotto

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