Pedro Zuccolotto

Amante da arte de fotografar, com um desejo eterno por livros, estudante de jornalismo, músico, viajante e também um simples escritor. Vivendo a vida com meu sarcasmo natural e fazendo o simples ser belo

Um aventureiro solitário e seu corvo silencioso

Um viajante misterioso e seu corvo. O que será que os aguarda?


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Um aventureiro caminha por uma trilha solitária em busca de algo. Ele não sabe o que é, não sabe como vai achar e também não sabe quando vai achar. Ele apenas sabe que lhe foi dada a tarefa de achar esse algo. Carregando apenas uma humilde mochila com alguns objetos e uma espada chamada Essenz, ele segue seu caminho sentindo a brisa nos longos cabelos castanhos. A paisagem é usual: uma trilha de barro com muito mato em volta e florestas mais ao fundo. Mas ele não está só. Pairando no ar de forma silenciosa, um corvo acompanha nosso viajante. Os dois estão juntos desde que se lembram e nunca podem abandonar o outro.

Ele passa por dois bandidos perseguindo um pobre rapaz indefeso que carrega uma pequena estátua dourada. O rapaz corre o mais rápido que pode, mas não vai conseguir escapar. O corvo começa a seguir o rapaz e nosso aventureiro percebe que é preciso interferir. O viajante desembainha sua espada e se coloca entre os bandidos e o rapaz. Eles percebem que a Essenz do aventureiro é forte e inquebrável, e decidem fugir.

O aventureiro acalmou o rapaz e conversou com ele. Ele descobre que o jovem se chama "Freundschaft" e que ele também está buscando algo desconhecido. O aventureiro convida o jovem rapaz para se juntar a ele em sua jornada e o rapaz aceita. Tentando demonstrar sua gratidão de alguma maneira, o rapaz presenteia o aventureiro com a estátua que carregava. O aventureiro aceita humildemente o presente e coloca o objeto na mochila. Ele nota que essa estátua é leve, mas ocupa muito espaço. Se tivesse mais estátuas ele certamente não poderia prosseguir com sua caminhada.

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O aventureiro e o rapaz seguem viagem e aos poucos a paisagem muda: a trilha se tornou extremamente larga, as florestas estão mais próximas e um leve nevoeiro paira no ar. Depois de algum tempo caminhando o corvo começou a voar mais rápido. O rapaz e o aventureiro se apressam para alcança-lo e encontram o corvo ao lado do corpo de uma garotinha no meio da estrada. Não há sangue ou marcas de luta ao redor. Ela está usando um vestido azul e segura um colar azul simples com uma pedra na ponta. O corvo pega o colar com o bico e entrega para o aventureiro, que resolve usá-lo como recordação do momento e para se lembrar de não deixar isso acontecer se puder interferir. O colar não pesa, mas a pedra pontuda incomoda em seu peito. É visível o nome "Trauer" raspado na pedra.

Seguindo viagem, o aventureiro e o rapaz adentram em um bosque e se deparam com uma pequena casa de madeira. Da janela, uma bela moça observa os dois com seus lindos olhos azuis. Estranhamente, o corvo não quis pousar na casa e simplesmente segue com seu caminho sem parar. Seria isso um aviso? Enquanto eles passam a moça joga um lenço escarlate e nosso aventureiro o pega no ar. O lenço, apesar de parecer frágil, é curiosamente bem pesado. O nome "Liebe" está bordado bem no centro, com letras elegantes. O aventureiro amarra o lenço em seu braço com cuidado e, por sentir o peso do tecido, sabe que vai deixar uma marca. Ao terminar de amarrar, o aventureiro olha para a casa e a mulher não está mais lá.

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Eis que, depois de horas caminhando pelo bosque, uma montanha se colocou entre o aventureiro e seu objetivo. A montanha é extremamente alta e difícil de se escalar, e o jovem rapaz logo de cara desiste de tentar ultrapassa-la. Mas o aventureiro é determinado e decide continuar. O corvo aprova essa atitude e continua seu voo, desta vez montanha a cima.

Nosso aventureiro começa a subir e sente o vento frio lhe cortar o rosto. Depois de um certo tempo ele nota que o peso de seus pertences está atrapalhando sua jornada. O corvo pousa no ombro do aventureiro e começa a puxar o lenço escarlate que está amarrado no braço dele. Ele desata o nó do lenço vermelho e, ao reparar que seu braço está muito marcado e dolorido, decide que é hora de deixar Liebe para trás. Ao fazer isso ele sente uma pontada em seu peito – o colar o machuca. E a estátua, antes dourada e polida, agora está opaca e gasta. Haveria algum sentido em levá-la? Não seria melhor deixar isso para trás? Por fim, o aventureiro decide abandonar a estátua ali mesmo, e ela se quebra assim que toca o chão. O viajante sente novamente uma pontada em seu peito, mas o corvo parece feliz com as decisões e retoma o voo. Depois de mais algumas horas escalando o aventureiro consegue passar a montanha. Ele perdeu algumas coisas no caminho, mas manteve sua Essenz até o fim. Será que é isso que realmente importa? Talvez cada um de nós tenha uma montanha e um pouco de aventureiro dentro de si.

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Pedro Zuccolotto

Amante da arte de fotografar, com um desejo eterno por livros, estudante de jornalismo, músico, viajante e também um simples escritor. Vivendo a vida com meu sarcasmo natural e fazendo o simples ser belo.
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