Pedro Zuccolotto

Amante da arte de fotografar, com um desejo eterno por livros, estudante de jornalismo, músico, viajante e também um simples escritor. Vivendo a vida com meu sarcasmo natural e fazendo o simples ser belo

Black Mirror: Nosedive (Queda Livre)

Pensamentos sobre a busca incansável da aprovação.


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Atenção: pequenos spoilers afrente, blá blá blá, já sabe né?

Recentemente assinei a Netflix com a minha namorada e tive acesso a uma série que eu sempre tive uma curiosidade absurda de assistir: Black Mirror. Sabia bem por cima do que se tratava e comecei vendo o primeiro episódio da terceira temporada, chamado Nosedive (ou “Queda Livre” na versão tupiniquim). “Nossa, por que começou na terceira?”, apenas não questione.

Esse episódio é sobre uma mulher, Lacie, que quer aumentar sua pontuação nas redes sociais. Com esse aumento, seria possível mudar para um condomínio de luxo. Surge então uma oportunidade de ser madrinha de um casamento e ganhar muitas “notas” altas. Porém, claro, tudo desanda lindamente.

ajhgdahsgdsz.pngApresento-lhes Lacie

A primeira coisa que me veio à cabeça foi “caramba, que creepy”. Fiquei embasbacado de verdade e comecei a me perguntar como seriam as minhas notas se isso existisse de verdade e percebi o quão irrelevante eu sou nas redes sociais justamente por usar tão pouco. Nunca fui popular, online então nem se fala. O máximo que chego a fazer no Facebook, por exemplo, é compartilhar notícias de vez em quando — e parando para pensar agora, nem eu sei o motivo. Tive a época em que tentava mais, confesso, mas isso parou aos poucos. Até mesmo aqui, no Medium, escrevo apenas o que sinto e gosto de escrever. Não me considero superior por isso e respeito totalmente quem vive na redes sociais — acho que todos nós devemos conhecer alguém assim — , mas quando vejo só consigo me perguntar “por quê?”.

Compartilhamos as mais diversas informações diariamente. Não quero entrar naquele papo clichê de que “a nova geração é vazia” ou “a tecnologia aliena” porque sei que todos sabem disso. Talvez isso seja o pior: todos sabemos, mas só continuamos na corrente, sem fazer nada. As correntes são confortáveis.

AAAAAAA.pngAvaliando seus amiguinhos

Em determinado ponto do episódio eu me perguntei “o que acontece quando se atinge 0?” e então o Chester sanou essa minha dúvida. Essa parte retratou bem a necessidade de julgar e opinar que temos quando estamos online. Por causa de um término, todos no escritório decidem “se livrar” de Chester dando notas negativas. A um certo ponto, ele não poderá mais sequer entrar onde trabalha por causa da nota. Você é a sua nota, então se esforce para agradar os outros, mas nem sempre adianta.

É simplesmente algo absurdo como as “vantagens” para os mais diversos serviços são baseados na sua nota. Desde aluguel de carros, voos até entradas em condomínios e seu próprio emprego. É como se a falsidade fosse a moeda mais importante nesse mundo depois do dinheiro.

YSGAUSHUA7.png Pobre Chester

Marília Gabriela realizou uma entrevista com o filósofo Leandro Karnal sobre “A solidão nas redes” — recomendo muito que assista. Chega a ser engraçado como desenvolvemos a capacidade de nos trancarmos em algo assim. Constantemente atualizando o mundo sobre a nossa vida e não empenhando o mínimo esforço para compreender o nosso redor.

Dia desses estava escrevendo sobre como as pessoas são cegas para falar de política nas redes sociais. No menor contato com outra opinião, as pessoas se tornam agressivas. A capacidade de empatia e compreensão parece estar sendo atrofiada pela possibilidade de se isolar nas bolhas sociais.

O final foi uma libertação para mim. Me senti agoniado todo o tempo conforme ia acompanhando Lacie em sua pequena jornada — em alguns momentos senti raiva, confesso. Porém a cena mais simples e mais enclausurada, sem cores vibrantes nem muitos detalhes, foi a que eu mais me senti bem de ver. Observar o sentimento de se livrar das amarras transparecer e poder simplesmente ser você foi como recuperar o fôlego.

No final, o sorriso mais belo de Lacie talvez tenha sido em seu momento mais triste.

asda dasd asd.pngFelicidade sublime, um sorriso sincero


Pedro Zuccolotto

Amante da arte de fotografar, com um desejo eterno por livros, estudante de jornalismo, músico, viajante e também um simples escritor. Vivendo a vida com meu sarcasmo natural e fazendo o simples ser belo.
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