solidão sociável

O uivo do Silêncio e a descoberta humana do verdadeiro Conhecimento

Yan Masetto

Em busca do equilíbrio fundamental para viver. Escreve para sobreviver, pois com palavras supera os obstáculos cotidianos. Um pouco de louco, somado a um fator imparável para pensar e refletir a vida que rodeia a cada passo.

Por que enviam os pobres para a guerra?

O texto é provocativo: por que os "líderes" enviam os pobres para resolver as querelas que eles começaram? É bem simples: porque as querelas deles têm interesses muito maiores por trás. Não são pessoais, são conjunturais. Eles não têm a real vontade de estapear o inimigo, eles querem é mostrar quem tem mais poder, e não só, querem mostrar quem manda mais pessoas à morte para lutar por seus interesses.


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Este texto se propõe a provocar. Provocar a dúvida. Provocar a mudança de ideias na cabeça de cada um. Não, sem pretensão de mudanças maiores. Mas a provocação é, por si só, uma ferramenta altamente subversiva. Modificar os estados epistêmicos das coisas no mundo. Modificar é sair do mesmo lugar, deixar de ficar parado. É entrar na dinâmica que realmente nos permite viver. E a vida nos convida, dia após dia, a coisas muito maiores do que apenas sentarmos em frente de nossas televisões e aceitarmos o que ali nos expõem. Somos mais que sacos-de-lixo que aceitam tudo que nos colocam goela abaixo. E eis que, em uma semana tribulada, me vem a conhecimento um vídeo novo e um mais antigo. Ambos se dialogam.

O primeiro vídeo tem como título A classe política, em que o Césão, o criador e gestor do canal, comenta algo que é de extrema alerta: a classe política é uma classe social à parte da massa popular. Alguns podem vir e me dizer: como assim? Ele é mais um ser humano dentro do sistema. Ser humano, sem problemas, mas estamos falando de encaixes sociais, como peças de um quebra-cabeça. E no sistema atual no mundo, não apenas no Brasil, os políticos se encaixam em um local diferenciado dos outros cidadãos. Vejamos alguns pontos.

O grande ponto para discutir este tema está exatamente alocado na questão de que os políticos eleitos têm foro especial caso cometam algum tipo de crime. Foro especial é, nada mais, nada menos, que uma forma "especial" de tratá-los perante um ato criminoso. Isto significa, por motivos bem óbvios, que lidamos com uma particularidade na regra legislativa de aplicação. Os direitos não são, dessa forma, para todos, mas existem alguns separados especialmente para alguns.

Outro ponto muito importante: você sabe o salário de um vereador em sua cidade? Sabe o salário do prefeito de sua cidade? E fiquemos nas esferas mais abaixo. Algumas pessoas não sabem nem que prefeitos recebem salários. E isso para ficar também no âmbito daquilo que eles recebem "na mão", tirando os apoios de gabinete, auxílio de todos os tipos. As somas são altas. Tão altas quanto vários profissionais essenciais da sociedade: médicos, bombeiros, professores.

A partir disto, já fica claro que iguais não são. O sistema gerou cadeiras cativas para eles. Gerou, pois, detêm outro tipo de poder: o monetário. Aquele que entra para o ramo político (o que não deveria ser um ramo), normalmente entra por meio de "herança", são de famílias abastadas. Sim, existem exceções, mas qual a porcentagem daqueles que vieram das massas populares e conquistaram um cargo? Os índices são baixos, quase insignificantes. Existem, mas pouco interferem no movimento das engrenagens.

Porém, não é apenas disso que o texto deseja tratar. Com a proposta de olharmos a classe política como aquém da sociedade comum/trivial, me vem o vídeo mais antigo: a música do System of a Down, B.Y.O.B.

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O clipe mostra uma marcha de um grupo especial que, em seus capacetes, estão as palavras DIE e OBEY (Morrer e Obedecer, em inglês). A frase repetida várias vezes na música vem para entendermos melhor o movimento: "por que vocês enviam os pobres para a guerra?". Em linhas gerais, definem muito bem que quem realmente luta em uma guerra não é o "líder", são aqueles que estão dentro da massa popular. São levados a campos nos quais chovem tiros e bombas, mísseis explodem e pouco se pode ter de esperança. Os combatentes creem, sim, em sua maioria, que encaram o inimigo. Fazem deles meros matadores, bodes expiatórios levados a situações de quase morte, se não da própria morte em si. Eles obedecem sem perceber a questão real por trás. Vestem suas fardas considerando-se heróis, mas são apenas espantalhos colocados para espantar corvos.

E o que SOAD e o Césão tem a ver um com o outro? Os "líderes" que fazem as guerras, mas não lutam, são políticos. Ordenam, pensam a melhor forma de atacar, mas não se misturam em meio da confusão. Estão à parte do resto da sociedade. Suas armas são formas de fazer com que todos acreditem neles. E, acreditando, que parem de pensar que são diferentes, que estão em lugares diferentes. Sorriam e acenam para todos nós, todos os dias, e acreditamos em sua postura bondosa para com o povo. São diferentes sim, sem dúvida. O ponto que, o que se trata aqui como diferente, a massa popular costuma tratá-los como divinos. Diferenças, sempre diferenças. O ponto é qual nos permite enxergar a realidade, qual nos ilude mais.


Yan Masetto

Em busca do equilíbrio fundamental para viver. Escreve para sobreviver, pois com palavras supera os obstáculos cotidianos. Um pouco de louco, somado a um fator imparável para pensar e refletir a vida que rodeia a cada passo. .
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