solidão sociável

O uivo do Silêncio e a descoberta humana do verdadeiro Conhecimento

Yan Masetto

Em busca do equilíbrio fundamental para viver. Escreve para sobreviver, pois com palavras supera os obstáculos cotidianos. Um pouco de louco, somado a um fator imparável para pensar e refletir a vida que rodeia a cada passo.

O desejo pelo apocalipse

Se você é fã de um apocalipse, senta que lá vem história. Não tão longa, mas é uma passagem bem interessante.


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Qual a motivação por tamanho apreço ao Apocalipse? Por todos os lados é possível se ver filmes, documentários, séries, livros, textos, inclusive grupos (ceitas também) que creem que o fim é iminente, e que será trágico. E por quê?

Uma possível resposta estaria em pensar na obra mais comprada no mundo: a Bíblia! Que, em sua parte final, há o Apocalipse, momento de tormentas, grande caos, entre outras muitas coisas que, de certa forma bem resumida, gerarão sofrimento. Apocalipse, aliás, traz consigo a ideia de Juízo, isto é, de julgamento, de desobediência versus obediência das regras e suas consequências.

Entretanto, não é apenas a noção religiosa por trás do fim dos tempos que impulsiona a adoração por este tema. Tê-lo recorrentemente em voga é algo que vai além de noções espirituais, ou do além-vida: existem três impulsos mais precisos que nos conduzem até este ponto: o medo da passagem do tempo; o medo de falta de controle sobre si; e a ilusão de ser mais importante do que realmente é.

1. O medo do desconhecido

Parece meio óbvio, mas amamos o Apocalipse exatamente porque tememos os novos descobrimentos científicos. Em tese, fomos treinados a não confiar naquilo que os outros fazem. E sim, isso é verdade. Quando uma vacina é descoberta, ou quando um elemento novo para se colocar em um medicamento é tido como um fator de cura, desconfiamos e sempre questionamos "até quando?".

Dessa forma, projetamos em um mundo possível todo o descontrole que acreditamos que virá por conta destas descobertas. Acho que o maior exemplo está na saga Resident Evil, em que a manipulação biológica de um vírus fez com que todos se tornassem zumbis com sentidos básicos: andar e procurar por comida.

Assim, o Apocalipse se torna uma forma de aviso, uma luz vermelha que se acende para todos aqueles que buscam as descobertas científicas e o questionamento se virão para o bem.

2. O medo do futuro

É um fato que tememos o futuro, em larga medida. Mas tememos o futuro exatamente por quê?

Bom, tememos o futuro porque tememos a mudança. Não precisa ir longe, paremos e pensemos um pouco: sempre que fazemos algum tipo de plano, sempre nos ancoramos no presente e projetamos a partir de então. E os projetos e planos sempre levam em consideração que pouquíssimo se modificou. O futuro sempre é muito parecido com o que vivemos agora. Por um lado, não é tão estranho, mas, se formos pensar em tudo que já vivemos, não exatamente aí que mora o perigo, estarmos parados, sem mudanças?

O Apocalipse, neste caso, reflete o quanto as mudanças podem, de certo modo, se dirigirem para uma catástrofe coletiva. Como decisões erradas que geram consequências irreversíveis: o chão que se abre, o calor que derrete tudo, ou até mesmo um meteoro que tende a se colidir com a Terra.

3. O medo da morte

Pois é, eu quando fui pensar neste texto, me peguei neste ponto: o medo da morte é o que nos move, se pararmos para avaliar friamente. Fazemos tudo, vivemos, rimos, nos divertimos, estudamos, conhecemos pessoas, pois cremos que a morte é a linha final, e que dali nada mais podemos fazer. E o interessante é que mesmo alguns que sejam de posturas filosóficas espiritualistas, e creem em uma vida diferente da vida daqui, realmente tememos esta passagem. E a passagem é um questionamento se vamos efetivamente para outro lugar. Não cabe aqui discutir se sim ou não, mas é um medo que nos movimenta para pensarmos que um Apocalipse seria, de certo modo, um fim coletivo.

É engraçado pensar que uma catástrofe coletiva geraria uma união, como zumbis, meteoros, estas coisas. De certo modo, a morte nos une, seja em tentar evitá-la, ou quando ela já se fez presente, para as despedidas.

4. A falta de esperança

É interessante que muitos creem que sempre tudo piora. E não é uma verdade. Pensemos em todos os séculos que a Terra já passou, e a humanidade junto a ela: estamos, sem dúvida, em melhores situações.

É óbvio que alguns pontos precisam de melhoria, e que certas coisas ainda permanecem, mas as mudanças que já ocorreram se fazem válidas e pertinentes.

5. Conclusão

O texto, de modo muito rápido, tentou abordar pontos precisos da vontade apocalíptica. E o mais interessante é que os pontos cruciais estão sempre voltados na extinção, no medo.

Vivemos a tantos milênios que pensar no fim nos traz agonia. E acho que é uma situação a ser levada em consideração, principalmente porque quanto mais vendemos um fim catastrófico, mais perpetramos a imagem de que precisamos é mais não nos preocuparmos com os outros, apenas em conciliar as próprias vontades e os dias.


Yan Masetto

Em busca do equilíbrio fundamental para viver. Escreve para sobreviver, pois com palavras supera os obstáculos cotidianos. Um pouco de louco, somado a um fator imparável para pensar e refletir a vida que rodeia a cada passo. .
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