Daniele Olimpio

"Cultura não é ler muito, nem saber muito; é conhecer muito" (Fernando Pessoa)

Redes Sociais: Eu preciso mesmo da opinião alheia?

Quem nunca se sentiu mais feliz depois de ver aquela sua foto no facebook tendo um monte de curtidas? Ou quem nunca sorriu ao ver comentários elogiosos em suas publicações? Sendo bom ou não, o fato é que todo mundo gosta de se sentir aceito, bem quisto e, principalmente, de ser elogiado. Mas até quando isso é considerado, de certa forma, normal? Quando passamos de meritocracia para dependência alheia?


fab2.jpg

“Lúcia era uma menina que se achava extremamente feia e ignorante, apesar de não o ser. Quando tirava notas boas na escola, corria para mostrar aos seus pais. Mas eles nunca lhe davam tanta atenção assim, e não ficavam tão felizes com seu desempenho escolar. Apenas diziam “não fez mais que sua obrigação”. Na escola, seu comportamento era de uma menina que se sentia cada vez mais rejeitada, pois via todas as suas amigas com paqueras e namorados, enquanto ela continuava sozinha. Sua necessidade de aprovação e aplausos era tão grande, que passou a tirar muitas fotos e postá-las em suas redes sociais. Conquistava várias curtidas e comentários positivos desta forma, a até conquistou meninos por meio delas. Por conseguinte, passou a tirar muito mais fotos e postava no mínimo cinco fotos diárias em suas redes sociais, passou então, a se sentir atraente, bonita e autoconfiante.”

Parece até uma história bobinha, mas, mesmo que não apareça em jornais e revistas, essa é só uma representação do que acorre com muitas pessoas atualmente. Se antes a dependência alheia era em busca de aprovação e aceitação, hoje em dia ela se expandiu também para a internet. Os famosos “likes” domam a vida de milhares de pessoas, que mesmo sem perceber, viram dependentes deles.

Há dois anos, um estudo da Universidade de Berlim, na Alemanha, revelou que pessoas com altos níveis de atividade na área do cérebro associada à recompensa, são mais propensas a serem usuários assíduos do facebook.

“Essencialmente, um elo neurobiológico foi feito entre a atividade do cérebro para recompensas sociais associadas à reputação e a intensidade de uso do Facebook", afirma Dar Meshi, pesquisador-chefe. Durante o estudo, feito com 31 voluntários, os cientistas observaram que o núcleo acúmbens (parte do cérebro que é ativada quando as pessoas recebem recompensas) ficava mais estimulado quando a pessoa recebia um comentário positivo sobre conteúdo que havia postado no Facebook. Meshi ainda completa: "Quanto mais sensível ficar o núcleo acúmbens de uma pessoa ao saber que sua reputação é boa, mais provável é que ela desenvolva uma relação intensa com o Facebook".

facebookcerebro.jpg

Diante disso, não dá pra negar que muitas pessoas desenvolvem dependência com seu número de likes e comentários, o que os faz postar cada vez mais fotos ou textos que lhes agregam aceitação e aplausos. A dependência alheia não é nenhuma novidade para nós e vários psicólogos e estudos apontam que as pessoas que sofrem desta dependência, geralmente não têm confiança em si mesmas e não se gostam. Mas será que procurar sempre a aceitação e audiência alheia, seja por foto, textão ou humor negro, é um meio viável para isso? Melhor, querer a aceitação alheia é viável? Pois eu digo que não.

Ressalto que, não critico as postagens de fotos ou textos, pelo contrário, umas curtidas às vezes levantam mesmo nosso astral, nossa autoestima. Mas só você tem o controle da sua vida para não permitir que isso vire um vício, que cause dependência. Todos nós temos que buscar apenas a nossa própria aceitação. Nós que devemos nos achar bonitos, maduros, boas pessoas. Nós devemos nos aplaudir. É hipócrita reclamar da intromissão das pessoas em nossa vida, se ao mesmo tempo, precisamos delas para nos elogiar e nos achar bonitos. Busque sua própria segurança, estabilidade, seu amor próprio. Nós não precisamos da opinião alheia para nada.


Daniele Olimpio

"Cultura não é ler muito, nem saber muito; é conhecer muito" (Fernando Pessoa).
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @destaque, @obvious //Daniele Olimpio