Daniele Olimpio

A vida recomeça todos os dias, cada dia com um sol ou chuva únicos. Hoje a minha recomeçou nublada, mas meu sonho... Ah, meu sonho continua intacto.E ele tá aqui.
Daniele, 18 anos. Jornalista

Professor: Uma profissão cada vez menos valorizada

A greve de professores em alguns estados brasileiros, apesar de pouco noticiada nos telejornais, nos mostram um país que não valoriza seus educadores e, em vez de lhes apoiar prefere agredi-los. Com a falta de interesse dos vestibulandos pela profissão, acompanhamos um cenário educacional cada vez mais precário.


159412_Brasilchico1.jpg

Professores são aquelas pessoas responsáveis pela formação educacional de um povo. Desde os primórdios da antiguidade Egípcia, pessoas são encarregadas de passar seus conhecimentos e aprendizados. Mas ultimamente esses profissionais têm enfrentado muitas dificuldades em exercer sua profissão aqui no Brasil.

No Egito Antigo, apenas os filhos de faraós, militares e nobres tinham direito ao estudo e seus professores apenas os ensinavam a falar em público. Na Grécia Antiga, o ensino se expandiu e passou-se a aprender um pouco de tudo; no entanto, apenas os meninos podiam estudar. Já em Roma, o pai de família que era encarregado de ensinar seus filhos a ler, escrever, contar e praticar exercícios físicos. Entretanto, com o início do período republicano, as aulas passaram a ser dadas por professores, que, pela primeira vez, ganharam para ensinar; embora o ensino ainda fosse voltado exclusivamente aos meninos. Por sua vez, na China Antiga, os professores eram sacerdotes que, além de passar ensinamentos de livros antigos, preparavam o corpo e a mente dos alunos para uma melhor compreensão do Universo; isso incluía, muitas vezes, ficar sem falar, comer e dormir.

Em 2013, a fundação Varkey Gems mostrou, pela primeira vez, o status que os professores têm em seu país. O estudo analisou 21 países e, de acordo com a pesquisa, China, Coreia do Sul, Turquia, Egito e Grécia respeitam mais seus professores do que todos os outros países europeus e anglo-saxões analisados. Já o Brasil, ficou em penúltimo lugar, somente atrás de Israel na pior valorização do professor. Talvez pela precariedade da maioria das escolas públicas ou a imagem desfavorável que tem-se hoje da escola e do professor, o fato é que o número de candidatos ao ingresso ao ensino superior, na formação de professores brasileiros, vem decrescendo constantemente O que será de um país que não estimula sua população a valorizar a educação?

Professores de maior parte das escolas públicas têm de lidar, rotineiramente, com salas de aula sem ventilador, escolas sem água e lanche para os alunos, sem falar das bombas que explodem nos banheiros, brigas fúteis de alunos que acabam machucando o professor presente em sala; além disso, aturar os xingamentos e violência gratuita de parte dos alunos, que têm respaldo tanto da direção escolar, que alega que o educador “não tem controle de sala”, quanto de seus pais. A situação estreita-se mais, quando eles são obrigados a lidar com alunos especiais em sala sem qualquer formação ou material próprio para isso, quando não têm como imprimir textos para leitura, imagens, ou mesmo provas, porque não tem toner nem folha de papel, ou quando têm que disputar com outros professores a única sala de vídeo que há na escola.

Boa parte dos professores brasileiros realizam jornada dupla, trabalhando cerca de 40 horas por semana em escolas diferentes e, mesmo assim, seu salário não chega a R$ 2.600. Quadro que não dá nem para comparar com a Finlândia, onde o salário inicial (educação primária) dos professores é de US$ 32.692, cerca de R$ 64 mil por ano, ou R$ 5,3 mil por mês. O desenvolvimento econômico, cultural, social e político de um país, devem-se apenas àquele que valoriza seus educadores e investe em uma educação com qualidade. Como as crianças do futuro poderão ter uma boa base de ensino, se poucas pessoas sentem-se estimuladas a dar aulas?

Diante desse cenário, é impossível não concordar com a greve dos professores de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Pará e Pernambuco. Reajustar o salário é apenas o começo de um longo processo que deve ser iniciado para a melhoria do ensino, da valorização do profissional e do estímulo a carreira educadora. Não se trata professores com bombas e balas de borracha, e sim com respeito e colaboração. Se médico são imprescindíveis para a saúde de uma população e políticos são igualmente importantes para representar o povo e conduzir um governo; professores são aqueles que formam os médicos e os políticos. Se um país não valoriza a sua mais importante profissão, está fadado ao fracasso.

perfil professor.jpg


Daniele Olimpio

A vida recomeça todos os dias, cada dia com um sol ou chuva únicos. Hoje a minha recomeçou nublada, mas meu sonho... Ah, meu sonho continua intacto.E ele tá aqui. Daniele, 18 anos. Jornalista.
Saiba como escrever na obvious.
version 5/s/sociedade// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Daniele Olimpio