sphere

um olhar mais demorado

As diferenças entre rede social e comunidade

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Não é porque eu gosto de filmes espanhóis, e você também gosta, que temos algum tipo de laço. Não, não temos. Não fazemos parte de uma comunidade porque gostamos das mesmas coisas. Quando falamos em comunidade, falamos em algo mais profundo do que inclinações culturais, ou o que o valha. Falamos de laços enraizados num ideal, laços que não se desatam porque eu e você não concordamos em algum ponto.


O Fronteiras do Pensamento traz uma interessante conversa com Alain de Botton, escritor e apresentador conhecido por ser um "filósofo da vida cotidiana". Ele fala sobre a superficialidade de uma não-comunidade das redes sociais e a diferença das relações humanas fora da internet.
Famoso por ser um observador crítico do cotidiano, ele faz uso da literatura e de programas de TV para responder a alguns dos anseios mais básicos da humanidade. Neste vídeo, apresentado pelo Fronteiras do Pensamento, o filósofo alerta para a diferença entre as redes sociais e a comunidade fora da internet: enquanto as pessoas, dentro do Facebook, se unem num mesmo grupo por compartilharem de gostos similares, aqueles que pertencem a uma comunidade não necessariamente estão conectadas por algo em comum; mas elas precisam manter os laços mesmo que não gostem umas das outras, pois a comunidade possui uma estrutura. As redes sociais não. Ele fala exatamente sobre a futilidade na qual a sociedade está imersa, hoje, de que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman também fala: "Quando eu era jovem, eu não tinha o conceito de redes, eu tinha o conceito de laços humanos, comunidades... esse tipo de coisa, mas não de redes." Leia aqui.

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Para Botton - filósofo suíço radicado em Londres - o indivíduo precisa, especialmente nos dias atuais, que alguém lhe diga como lidar com a vida. E não só isso. Ele precisa aprender como viver em comunidade, e precisa que alguém lhe diga como se comportar dentro desta comunidade.
"Acho que o nosso desejo de comunidade é muito profundo - mas há diferença entre comunidade e opinião pública. Viver sob o julgamento dos outros - especialmente da imprensa - é um tipo de pesadelo. Comunidade é o oposto disso: é ter vizinhos, pessoas que você conhece, amigos de verdade. Disto, todos precisamos."

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Leia o trecho:
A ideia de que a comunidade é toda amável é errada, é uma ideia difícil, pois
os seres humanos são impossíveis. Às vezes dizem: "Bem, certamente as mídias sociais farão isso, todos seremos amigos no Facebook, e isso será ótimo".
O problema do Facebook é que ele conecta as pessoas através do que eles "curtem", então eu gosto de cinema espanhol, você também, e nós seremos amigos.
A ideia mais profunda de comunidade é que vocês pertencem a uma comunidade, mesmo que não gostem particularmente uns dos outros.
Esse é todo o esforço da comunidade. Isso é a velha e bela ideia do encontro cristão, em que vocês se encontram em uma igreja, e não gostam necessariamente dos mesmos filmes, e vocês podem ter idades diferentes, e talvez alguém seja fedorento, outro muito gordo, e aquele outro seja mais rico, e aquele mais pobre. Mas, vocês estão unidos, e creio que essa seja uma ideia tocante, mas muito difícil. Isso não ocorre naturalmente.

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Então, precisa-se mais do que uma cafeteria, mais do que o Facebook, para criar uma comunidade. Ela precisa de estrutura.
Todos sabemos isso em uma festa. Você sabe que há certas festas em que todos ficam num canto, ninguém fala com ninguém. E há outras festas em que alguém vem e diz: "Ok, você fala com ele, e você fala com ele", e age como um anfitrião. E nós, enquanto sociedade, precisamos de anfitriões. Num sentido mais profundo, precisamos de anfitriões. E realmente não temos anfitriões, temos a televisão.


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