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um olhar mais demorado

Neuroprostética - Quando a realidade imita a ficção cientifica

Só quando a ciência é usada em prol do beneficio humano é que está a cumprir o seu principal e mais importante objectivo. Conheça Dennis Aabo Sørensen, um homem dinamarquês que depois de nove anos sem a sua mão esquerda, devido a uma amputação, pode voltar a sentir através de uma mão biónica.


A prestigiada revista "Science Translational Medicine" publicou um artigo sobre uma mão biónica. Não é uma mão biónica qualquer, esta mão fez com que um homem que tinha sido amputado nove anos antes pudesse voltar a sentir. Para isso foi sujeito à implantação de quatro eléctrodos nos nervos do braço esquerdo, o braço que teve a mão amputada. Dito desta forma parece um processo simples, mas não se iludam porque de simples este processo tem muito pouco.

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Quando o cérebro descodifica a informação que lhe chega através do tacto, um dos chamados cinco sentidos que permite "reconhecer fisicamente" o objecto em que se está a tocar, pode interpretar esta informação e transforma-la em movimento,ou se for nossa vontade, pegar no objecto, levantá-lo, esmagá-lo ou esticá-lo. Parece simples mas de facto é um processo complexo o de apertar a mão a alguém sem que lhe esmaguemos os ossos, ou pegar num saco de compras com força suficiente para que este não se escape das nossas mãos.

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Aos 25 anos de idade Dennis Aabo Sørensen, um homem dinamarquês actualmente com 36 anos, perdeu a sua mão esquerda quando estava a acender um fogo de artificio durante uma festa. Após este incidente foi levado rapidamente ao hospital, mas já não foi possível aos médicos salvarem a sua mão destruída.

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Em tudo diferente da mão prostética que Dennis habitualmente utiliza, esta mão biónica foi desenvolvida no projecto LifeHand 2 e é baseada num sistema bastante complexo, que tenta a todos os níveis imitar os movimentos reais produzidos naturalmente pelo corpo.

A mão que Dennis habitualmente utiliza, só por si já é um elemento bastante avançado, pois permite-lhe detectar algum movimento muscular. Baseada num sistema "simples" de contracção (apertar/fechar)e relaxamento(libertar/abrir) e faz com que seja possível a Dennis fechar e abrir a mão, e desta forma conseguir agarrar objectos.

Parece arcaico mas na verdade é uma mão bastante complexa e que não está ao alcance de qualquer um.

No começo de 2013 Dennis fez uma cirurgia em Roma, para que fosse feita a ligação dos eléctrodos aos músculos e nervos. Passados 20 dias de testes médicos foi-lhe implantada a mão biónica, e ligada aos eléctrodos. Uma equipa composta por vários profissionais europeus desde médicos, cientistas, neurocientistas, matemáticos entre outros foram liderados por Silvestro Micera com o intuito de fabricaram uma mão com os sensores necessários para responder a estímulos nervosos. É desta panela cientifica que engloba algoritmos, nervos condutores e nanotecnologia, tudo ligado por cabos ultrafinos e de tecnologia de ponta que surge esta mão biónica.

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"Ao fim de nove anos sem sentir nada, foi simplesmente fantástico perceber que estava de facto a sentir a textura dos objectos que estava a tocar" diz Dennis.

Dennis fez vários testes e em muitos estava vendado e com auscultadores para que não conseguisse identificar através dos sons os objectos que lhe pediam para sentir. Foi testada a textura de vários objectos, e era-lhe também pedido que controlasse a força de forma a não amolgar um copo de plástico por exemplo. Dennis conseguiu dizer com uma precisão incrível se o objecto que estava a pegar era maleável ou rígido, e em muitos casos até qual a sua forma.

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A experiência foi extremamente gratificante para Dennis, que se deu como voluntário para este teste clínico sem grandes expectativas. Ao final do mês de testes a mão teve de ser retirada, é um objecto ainda em estudo e a ser trabalhado e desenvolvido. Mas não há qualquer sombra de dúvida que este foi um avanço gigantesco na Neuroprostética, e que futuramente irá beneficiar milhões de pessoas que se vêm privadas de uma parte do seu corpo.


Vasco Neves

Sento-me em frente ao mar, e a ele digo-lhe tudo aquilo que a ti não consigo....
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