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um olhar mais demorado

Pelo reencantamento do mundo

Escritor moçambicano, Mia Couto, lota teatros, feiras de livros e feeds nas mídias sociais. Sua poesia - repleta de insights em conteúdo e forma - aparece com frequência nos maiores veículos do país.


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Mia Couto é um fenômeno. Ele nos ajuda a olhar com outros olhos as coisas ao nosso redor. Nos ajuda a recuperarmos nosso encantamento pelo mundo. De acordo com Mia, há vários processos que desencantaram o mundo, um deles é este modelo de sociedade que nós criamos. Em que as coisas têm um valor por aquilo que podem render, pelo que podem dar lucro.

Há também um equívoco no modo em que valorizamos uma ideia. Basta que ela se torne famosa - ou venha de alguém com grande influência, ou torne-se viral nas redes sociais, e nossa tendência é aceitá-la de imediato. Um determinado discurso que se torna hegemônico é um discurso que se torna aceito por todos, de prontidão, excluindo todas as outras ideias opostas e as potenciais discussões acerca.
O escritor afirma que a ideia de termos que ter uma aproximação positiva com tudo e todos ao nosso redor, termos sempre que ser racionais em relação a tudo, elimina a possibilidade de novos pensamentos e ideias advindas de fontes diferentes, como a espiritual, por exemplo, no sentido mais profundo, não só religioso, afirma o escritor.

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Estarmos abertos a novos conceitos e reinterpretarmos o mundo é possível somente se rompermos com uma única linha de pensamento, com uma única forma de agir e reagir às coisas, com a fácil aceitação de um discurso pré-preparado, etc.
Certamente, ele nos passa uma lição: reavaliar nossos conceitos a partir de novos olhares. Ele nos ajuda a questionar como a sociedade impõe e espera que nós nos comportemos acerca das ideias prontas. Ele nos ajuda a reavaliar o valor das coisas.

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Mia Couto foi entrevistado pelas jornalistas Eliane Brum e Raquel Cozer em evento realizado pelo Fronteiras do Pensamento e pela Companhia das Letras. Nesta parte da entrevista, o escritor argumenta que o modelo de sociedade contemporânea, e o pensamento atual, impedem que vejamos o encantamento e o sagrado nas coisas. Formatados e condicionados pela razão hegemônica, excluímos a poesia da maneira de percebermos o mundo.

Em sua passagem pelo Brasil, Mia Couto defendeu outro pensamento, um pensamento menos racionalista e mais poético: um pensamento que crie pontes e não fortalezas, como nos fala em sua conferência Repensar o pensamento: "Nós acreditamos, à partida, que o pensamento não tem fronteiras. Que o pensamento foi feito para superar essas fronteiras, esses limites - feito para rivalizar com o sonho nesta visitação que nós fazemos ao impossível. A realidade, porém, é que este mesmo pensamento, enquanto entidade viva, nasce para se vestir de fronteiras. Esta invenção é uma espécie de vício da arquitetura, porque não há infinito sem linha de horizonte."

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Para mais vídeos e novas ideias acesse o site do Fronteiras aqui.


rejane borges

Gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros..
Saiba como escrever na obvious.
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