sub rosa

Porque há muito mais que um só par de olhos pode ver.

Karol Azevedo

Apaixonada por palavras e pelos finais aos quais estas podem levar. Estudante, dezesseis anos e 100% adepta às letras - mesmo que às vezes acabe se atrapalhando um pouco com elas.

o grupo dos muros

Eles segregam e ignoram. Afinal, o que é o Grupo dos Muros?


leslie oldaker.jpg © Lesley Oldaker​ Fine Art

O ato de pensar, que para outras espécies mostra-se impossível, é inato ao ser humano. Caracterizados pela capacidade de raciocinar, manipular técnicas e criar uma boa quantidade delas, estamos sempre ligando pontos e desatando nós. No entanto, enquanto tentamos classificar nossa natureza de maneira quase poética, dando-lhe significações que remetem à resolução de situações conflituosas de maneira lógica, acabamos por ignorar que não somos exatamente o que pregamos.

A dinâmica comportamental pós-Moderna, influenciada por uma sociedade estruturada de modo a validar práticas comerciais estabelecidas durante o período da Revolução Industrial, é o que hoje define o ser humano contemporâneo. Apesar de a afirmação anteriormente feita cair em inúmeras generalizações, uma vez que algumas raras exceções ainda surgem esporadicamente para provar o quanto estamos errados sobre tudo que pensamos saber, não se pode ignorar que um considerável percentual populacional faz, sim, parte de um grande conjunto: O Grupo dos Muros.

O Grupo dos Muros é formado por aqueles que possuem o terrível talento de ignorar os problemas do mundo. Você provavelmente já se deparou com pessoas que fecham os olhos para o sofrimento do outro, ignorando as adversidades enquanto estas não os afetam diretamente. Eles clamam odiar a pobreza, mas lutam contra programas governamentais que visam revertê-la. Fingem estar incomodados com o fato de que há pessoas que passam fome, mas nem mesmo essa projeção de empatia fajuta consegue convencer alguém. Que absurdo, dizem, como se o fato de se indignarem falsamente pudesse sanar, mesmo que momentaneamente, a dor alheia.

O Grupo dos Muros em muito se assemelha aos enclaves fortificados. Enquanto estes são tidos como estruturas arquitetônicas erguidas com o objetivo de isolar certas áreas em prol do acesso de um público particular, o Grupo dos Muros não fica nada atrás em matéria de segregação: eles adoram tudo que envolve selecionar, julgar e criticar. Diversidade, representatividade? Tudo isso, tanto para os enclaves fortificados, quanto para os Muros, é insignificante.

Os Muros também são um tanto criteriosos para definir aqueles que irão cercá-los. Aquela história de não julgar pela aparência não existe para eles, e as primeiras impressões - mesmo que errôneas - são o que mais contam nesse não oficial processo seletivo. Acabam, assim, cercados de pessoas cujo interior não conhecem, mas que o exterior é agradável o suficiente para resultar em uma boa selfie para divulgar a "amizade" nas redes sociais.

Quando criança, eu adorava cor-de-rosa. Perguntava, um tanto incrédula, o motivo de as pessoas pintarem as paredes de suas casas de outra coloração que não o meu amado e querido rosa, e recusava-me a tomar remédios que não tivessem a bendita cor. Não, não havia qualquer sentido em tudo isso, muito menos um motivo - eu nem sabia o por quê gostava tanto de rosa. Do mesmo modo que minhas atitudes infantis não possuíam qualquer lógica, não há uma explicação válida para segregar - sejam cores, pessoas, relações ou problemas de ordem mundial. No fim, ser parte do Grupo dos Muros nada mais é que vergonhoso.


Karol Azevedo

Apaixonada por palavras e pelos finais aos quais estas podem levar. Estudante, dezesseis anos e 100% adepta às letras - mesmo que às vezes acabe se atrapalhando um pouco com elas..
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