sublime uma prosa com deuses ou com você mesmo

Eu sou... e sempre serei até o fim

Krevas Cobain

Formado em filosofia, amante dos bares da vida em que as idéias fluem porque elas não possuem donos, possuem, sim, vida própria.

O sagrado: ou da última linha de defesa da humanidade

A evolução humana proporciona algo que nos faz diferente de todos os outros animais habitantes neste planeta, mas, ao mesmo tempo, prepotentes: a racionalização. Acontece que com ela vem os tidos sentimentos complexos, dois dos quais pertencem à mesma moeda: o amor e o ódio. O pior está em quando se interioriza o segundo no lugar mais sagrado da humanidade: o lar.


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Já diziam os antigos: “O lar é o lugar que você tem para onde voltar”. O problema é quando esse lugar passa a ser o campo de guerra que você nunca pensaria que fosse. Em tempos de intolerância, as pessoas interiorizam isto cada vez mais como se houvesse um “gênio maligno” que implantasse tal sentimento nos seres humanos.

É fato: estamos mais intolerantes. Numa era da informação pronta e rápida perdemos cada vez mais a humanidade: tolerância, paciência, perdão, para não falar mais... está bom, o perdão é divino, transcende ao ser humano. Mas... e a tolerância?!!, e a paciência em lidar com o diferente, com a opinião divergente? Se você não compartilha da mesma opinião, então estabelece-se facções, ali, dentro daquele lugar em que você deveria se sentir acolhido, protegido, isto é, em seu próprio lar!

Mesmo que você não aceite, você torna-se O inimigo. Não deveria chegar a tanto, mas, estamos em um tal nível de intolerância que esse sentimento adentrou os lares, transformando-os em verdadeiros campos de guerra. A “rua” já não é mais suficiente para exteriorizar o ódio, é preciso que ele se faça presente até no lugar mais sagrado para a família: o lar. As milhões de pessoas do lado de fora já não são mais suficientes para saberem que existe o meu ódio: o ódio precisa se fazer existente, não para que saibam que ele existe, mas para que se faça sangrar, precisa que se faça sentir. É isso: existir já não é mais suficiente, sentir sim.

Mas, afinal de contas, chegamos a tal nível de evolução para sermos tão pouco? De que vale tanta evolução, tanta elocução, tanto capital para sentimentos tão baixos, para tanta perda de tempo em apenas prejudicar o outro? Será que com tanta racionalização ou, “bom senso”, não enxergam que apenas o amor é que faz a evolução? Ou será que não somos tão evoluídos assim para enxergar este sentimento como pilar para sermos mais do que somos? A era da informação pronta e rápida tem nos deixado assim: intolerantes, egoístas, impacientes, mesquinhos. Cabe a nós não ignorar, mas filtrar tudo o que nos bombardeia, isto é, escolher. E então..., o que você escolhe?

* = Termo usado pelo filósofo R. Descartes em seu livro Meditações, publicado em 1641. ** = Termo usado pelo filósofo R. Descartes em seu livro Discurso sobre o Método, publicado em 1637.


Krevas Cobain

Formado em filosofia, amante dos bares da vida em que as idéias fluem porque elas não possuem donos, possuem, sim, vida própria. .
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