sutilezas

Inauguração da vida

Thaísa Rochelle

Graduada em Letras-português, mestranda em Literatura, encontrou na poesia o seu lar. Contato:[email protected]

Viver é o melhor remédio

Esse é um texto simples, assim como a vida. Um texto que nos lembra das coisas que passam despercebidas em nossa rotina, das pequenas partículas que formam a vida. São essas sigelezas que fazem tudo valer a pena, apesar dos pesares.


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Este texto é quase um manifesto da esperança, uma alegriazinha em meio aos destroços, um culto à vida, que ainda existe. A vida que ainda sobrevive em um meio hostil, com futuros incertos, com pessoas em guerra, com pessoas que fogem, com crianças que choram de fome, com direitos roubados e mentiras camufladas de verdades.

Com tantas coisas desoladoras poderíamos perder a fé e seguir, seguir só por seguir, ir em frente porque já que estamos aqui... Mas ainda podemos enxergar a vida com bons olhos e ainda podemos seguir porque queremos mais que tudo estar aqui, porque ainda é bom viver, aproveitar cada pedacinho de poesia que a vida nos oferece, possuir o deslumbramento das coisas simples. Assim como uma criança que enxerga os detalhes com um olhar inaugural, que descobre o inusitado todos os dias, saibemos aproveitar a vida!

Nós ainda temos um sol ao acordarmos, um sol de um amarelo invejável e que deixa o céu com uma mistura de cores surreais quando vai embora, ao final do dia. Temos um céu que todas as noites veste um vestido de festa, escuro e cheio de pontinhos brilhantes, tudo para nós, que ás vezes nem o notamos. Temos uma lua que inventa várias formas para nos chamar atenção. As flores ainda sorriem nas praças e nos quintais de velhinhos. O mar ainda faz aquele barulho acalentador, suas ondas ainda são imprevisíveis e a areia ainda tem a mesma textura macia. Ainda avistamos os pássaros voarem longe e seu doce canto ainda pode nos embalar ao fim de tarde. Podemos observar a asinhas do beija-flor baterem ligeiras enquanto ele acaricia as flores.

Segundo, ainda temos amigos e familiares que nos amam de graça, sem esperar nada em troca, que nos amam pelos simples fato de sermos quem somos. Temos um Deus com quem podemos conversar todas as noites, contar nossas angustias, pedir proteção e coragem. Ainda existe um bom livro para ser lido e podemos escutar nossas canções prediletas sempre que quisermos. Ainda podemos dizer “bom dia!” aos estranhos na rua e telefonar para aquelas pessoas que não vemos há muito tempo. Podemos cantar ao chuveiro, contar piadas, ajudar alguém a atravessar a rua, brincar com uma criança, escutar histórias antigas de pessoas idosas, podemos ouvir a rádio da nossa cidade durante a madrugada e navegar em lembranças antigas. Há possiblidades para se apaixonar, desapaixonar e se apaixonar de novo

Existe poesia por toda a parte, uma vida que ainda merece ser abraçada e degustada todos os dias. Corremos tanto que as coisas simples, que realmente fazem a vida, são soterradas no nosso consciente por uma poeira de interesses e valores que se tornam maiores que a própria vida.Quase ninguém mais presta atenção no canto dos pássaros, no pôr do sol ou no barulho das ondas. Quantas pessoas se sentem agradecidas todos os dias pelos presentes que a natureza nos dá? O dinheiro, o poder, estar de acordo com os padrões exigidos, receber a aprovação de todos, essas são coisas mais importantes; e o que fazem para conseguir tudo isso, ás vezes são atos tão cruéis! Onde viemos parar? em que lugar enterramos o último vestígio da simplicidade e do sublime que um dia pulsou em nossas veias? Nós estamos aqui e tudo isso ao nosso redor, as coisas singelas e graciosas, são nossos presentes, então não viva em vão, simplesmente viva, segure a vida o mais forte que você puder, capte a beleza das coisas que estão por aqui, todos os dias, abrindo um largo e doce sorriso para a gente.


Thaísa Rochelle

Graduada em Letras-português, mestranda em Literatura, encontrou na poesia o seu lar. Contato:[email protected]
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