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Taís Kerche

Viciada em ver, interpretar, analisar e tagarelar sobre qualquer manifestação artística, cultural e social. Tagarelar e vivenciar é preciso!

DEREK, uma série para os humanos sensíveis

Uma série de pouco sucesso. Simples, humana, inteligente, engraçada e sensível. Qualidades tão fora de moda hoje em dia, mas uma série que faz arrepiar, rir e chorar aos mais sensíveis.


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Uma extraordinária compilação de verdadeiros valores que deveríamos seguir à risca, uma série extremamente humana. DEREK é uma série original Netflix, escrita e dirigida pelo inglês multifuncional Ricky Gervais. Autor, diretor e ator, ele também interpreta o personagem principal Derek Noakes, um homem de 50 anos, que tem uma bondade infinita e alguma "deficiência". Em nenhum momento fica claro se Derek é autista, se tem síndrome de down ou em qual classificação neuro psicológica ele se encaixa. Só fica muito claro que ele é portador de uma ingenuidade invejável, de uma sabedoria admirável e de um humor muito, mas muito inglês.

A série tem apenas três temporadas, sendo que a última, de 2015, tem um único episódio de 59 minutos. Infelizmente não foi uma série de sucesso, não por falta de qualidade, mas sim porque ela foge completamente do senso comum, causa um pouco de estranhamento e é extremamente simples.

Em seu início, ela pode não ser muito atrativa, mas basta completar os 23 minutos do primeiro episódio que você irá pedir por mais e mais e muito mais. Em uma linguagem de documentário, mas um falso documentário, a série tem como cenário principal um lar de idosos na Inglaterra. Derek trabalha lá há três anos e ajuda a enfermeira e responsável pelo lar, Hannah (Kerry Godliman), por quem ele tem verdadeira adoração.

Em cada episódio acompanhamos as trivialidades do dia-a-dia. Uma senhora dormindo no sofá de mãos dadas ao Derek, a disputa pelo controle remoto, o dia de visita dos cachorros e gatos de uma outra instituição ou a perda de algum idoso para a morte. Aos poucos, entre uma trivialidade e outra, as histórias dos personagens vão se desenhando.

Todas essas ações, obrigações e dia-a-dia são encarados por todos de uma forma muito natural e realista. Nada é feito esperando algo em troca, simplesmente é feito porque é preciso que seja feito e ponto final. Isso dá uma leveza à história e à vida.

Todas as atuações são muito boas, mas a de Ricky Gervais, como Derek, é de tirar o fôlego. Não dá pra acreditar que aquele "menino", pois Derek é uma criança de 50 anos que vê a vida com a mesma intensidade e alegria de quem acaba de descobrir que o simples pode ser extraordinário, é um ator. Cheguei a ver comentários em outros blogs de pessoas perguntando se Derek realmente existia. Infelizmente não, o mundo seria muito melhor se existisse milhares de Dereks.

Além dele, há outros personagens bem peculiares, como o faz-tudo Dougie (Karl Pilkington ), um ser solitário e um tantinho amargo, mas que aos poucos vai mostrando ter um enorme coração, mesmo estando aparentemente irritado o tempo todo. Há o Kevin (David Earl), um ser totalmente desajustado, que bebe cerveja o tempo todo, não toma banho e só pensa em sexo. Ele é amigo de Derek e passa o tempo todo dentro do asilo, pois não tem para onde ir. É um dos personagens que traz para a série o tom de comédia, em alguns momentos um tanto bizarras, que ultrapassam a risada e caem na vergonha, mas que cabem ao personagem.

Enfim, cada episódio traz uma reflexão sobre nossos verdadeiros valores, nossa atuação dentro deste planetinha, nossas aceitações de vida, de pessoas, da realidade. E uma das coisas mais bonitas que Derek nos mostra é que devemos aceitar as pessoas exatamente como elas são e amarmos o que há ao nosso redor, seres, coisas, pessoas, tudo. Filosofia, sociologia, crítica, comédia, psicologia, realismo, vida, autoajuda, tudo isso é Derek.


Taís Kerche

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