tantas palavras

Um olhar aprofundado sobre as coisas e as pessoas do mundo

Bruno Lemos

É imprescindível sempre estar disposto a aprender mais com cada ser humano que cruza nosso caminho, pois a Estrada do Conhecimento é infinita.

Os Outros

O texto trata dos artifícios que usamos pra preencher o vazio existencial que nos tortura e de como o hábito de cultivar velhas/boas amizades faz bem para nossas vidas.


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O mundo está apinhado de gente. Gente nas empresas, Gente nas faculdades,... Gente nas ruas, avenidas. Gente nos aeroportos e praias.

Nova York, por exemplo, possui quase 20 milhões de pessoas transitando por suas ruas todos os dias. Perfeitos desconhecidos. Sequer olham uns aos outros nos olhos, pois quem faz isto lá ou é considerado louco Ou perigoso...

Festejamos tudo hoje em dia. Cada feriado prolongado ou não, cada Aniversário, cada conquista, principalmente dos times de futebol do coração. Pra tudo faz-se festa. O cansaço decorrente dos dias estafantes de trabalho não é empecilho para ninguém deixar de se divertir.

Queremos festejar, curtir a vida, namorar, amar. Em ritmo frenético, febricitante, abusamos das bebidas alcoólicas, do fumo e de outras drogas, deterioramos a nossa própria audição com músicas ensurdecedoras. Sem o descanso necessário e a devida moderação em tudo, gastamos prematuramente o corpo físico e a saúde, os cérebros envelhecem cedo, embora as almas permaneçam crianças.

Buscamos, na verdade, de forma inconsciente, uma solução imediata para o vazio que nos devora interiormente e nos atormenta a existência. Vazio de Deus...

Preenchemos este Vazio com restaurantes, e roupas, e jóias, viagens, carros novos, apartamentos cada vez maiores, num "looping" sem fim.

Perdemos o prazer singular de conversar com velhos amigos. Talvez você não lhes queira vender nada, nem esteja interessado em ser chamado pra casa de praia deles, ou nem mesmo quer ser convidado pra festa que eles vão dar próxima semana. Desejas apenas estar com eles pelo prazer de suas preciosas companhias, cada vez mais difíceis, neste mundo em que ninguém tem mais tempo pra nada.

E os anos voam, e os cabelos ficam brancos, as doenças batem à porta.. e chega também a certeza inevitável da solidão.

Nem sempre esta solidão é palpável, afinal uma das finalidades de uma existência festeira e febril é nos cercarmos de pessoas por todos os lados. Tratamos aqui da solidão de AMIGOS que nos leem o pensamento apenas com os olhos. De gente que nos abraça silenciosamente e automaticamente nos sentimos em casa. De irmãos não-consanguíneos que nos ligam apenas de vez em quando e preenchem nossas vidas e rotinas. Como esta gente faz BEM pra nossa saúde!!

Depois que tantas pessoas amadas partiram para o Desconhecido Reino do Além-Túmulo, precisamos de verdadeiros amigos para termos a certeza de que ainda estamos vivos, e e de que não somos apenas um traste respirante a perambular pelas ruas, sem destino certo.

Mas partiram todos...deixamos de regar a plantinha da amizade, morreram todas. A maioria faleceu e nunca te avisaram...você nunca retornava as ligações ou os e-mails, nunca comparecia às festas que te chamavam.

E chega-se a um ponto em que chegou Drummond, o Poeta, quando olhava para os lados e via pessoas jovens e lindas, que lhes enchiam os olhos mas não lhe acrescentavam nada ao Espírito...

E num desespero íntimo e infinitamente solitário exclamava, de si para si mesmo: "E OS OUTROS? PARA ONDE FORAM OS OUTROS?"

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