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Expondo minha nem sempre popular opinião.

Victor de Andrade

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A Ficção e o Pós-Guerra

Como seria a Terceira Guerra Mundial? O medo deste futuro gerou diversas obras incríveis de ficção. Confira nossa lista de estórias em ambientes desolados (ou nem tanto) por uma guerra que ainda não vimos (e esperamos não ver).


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Vivemos momentos tensos no planeta Terra. Existem os problemas que já conhecemos e lidamos, como governos de índole duvidosa, desastres ambientais decorrentes de abuso e ganância, e precariedade geral em nossa e em outras nações. Além disso, existe o eterno medo de uma nova guerra mundial. A guerra em si já existe e afeta, diariamente, países como a Síria, contudo, são ataques como o de Paris que dão aquele "baque" na comunidade ocidental e faz o medo e o receio crescer ainda mais. Em outras palavras, é como se os terroristas e as grandes potências militares do ocidente estivessem jogando em um grande RPG mundial por turnos: bombardeios americanos na Síria, explosões e tiroteios em Paris, bombardeios franceses...e por aí vai. Até que um dos lados tira 20 no dado e ganha o direito de destruir o oponente (quem sabe com um ataque nuclear?) e nos obriga a lidar com as consequências de um mundo em guerra novamente.

Como frenquentemente acontece, autores de obras ficcionais já previam acontecimentos desse tipo e já escreveram grandes histórias sobre como um mundo pós-guerra continuou sua existência. Vamos listar aqui algumas das obras mais conhecidas, e que merecem ser lidas/assistidas/jogadas:

 

- "Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?" (1968) livro de Philip K. Dick

Capa do livro de 1968

Publicado em 1968 pelo autor de ficção científica Philip K. Dick, "Do Androids Dream of Electric Sheep?" (nome original em inglês) se passa em São Francisco após a Guerra Mundial Terminal. No mundo do autor, durante esta guerra ocorreu um grande holocausto nuclear que teve como consequência uma extrema onda de envenenamento por radiação.

Os animais foram os primeiros a sofrer. Aves, por exemplo, já estão completamente extintas e possuir um animal de estimação de qualquer tipo é um sinal de grande riqueza entre as personagens que, para tentar acompanhar a moda acabam comprando animais elétricos. Daí o nome do livro.

Blade Runner (a adaptação cinematográfica de 1982 por Ridley Scott, já recomendada aqui na Taverna) é bem mais reconhecida que o livro, contudo, tem um foco muito grande apenas no trabalho de Rick Deckard (Harrison Ford) de caçar Replicantes (termo usado apenas no filme, pois no livro são Androides mesmo) foragidos das colônias humanas em Marte, mas não aprofunda o motivo pelo qual existem tais colônias fora da Terra.

No livro, Philip K. Dick mostra a vida de Deckard e de outros sobreviventes lidando com a poeira radiotiva que ainda assola o mundo depois da guerra. As colônias em Marte e em outros planetas existem como opção para fugir da poeira que deteriora os corpos e as mentes dos terráqueos, transformando-os em seres "desmiolados" e praticamente inúteis.

 

- "Equilibrium" (2002) filme dirigido por Kurt Wimmer

Cartaz do filme de 2002

O filme de 2002 estrelando Christian Bale trata o pós-guerra com um foco menos físico e muito interessante. A história se passa no ano de 2072 na cidade de Libria, estabelecida após a Terceira Guerra Mundial. Em Libria, a palavra do Pai (figura política misteriosa) é lei, e por ele foi determinado que a raiz de todo o mal, o motivo pelo qual os humanos ficam bravos, odeiam e cometem atos de guerra é simplesmente a emoção humana.

Com este background, John Preston (Bale) é um clérigo do Tetragrammaton, organização governamental que garante que toda a emoção e todos os objetos que podem levar alguém a sentir alguma coisa devem ser destruídos. Além disso, todos os cidadãos devem injetar em seus corpos o Prozium, droga que inibe qualquer tipo de emoção quando usada em intervalos regulares. Em Libria, qualquer cidadão, principalmente os mebros da resistência, pego com objetos ilegais (incluindo obras de arte, livros, discos, objetos de decoração, etc) ou identificados como "Sense Offenders" (Criminosos de sentimento, em tradução livre) são executados sem direito a julgamento.

Os cenários do filme mostram uma cidade reconstruída e moderna, mas também mostra cenários de destuição pós-guerra nas ocasiões em que as personagens precisam cruzar os muros da cidade para alguma missão na "Cidade Baixa" parte não reconstruída do local. Contudo, o foco maior do filme fica mesmo nas medidas totalitárias tomadas por um governo sobrevivente para garantir que a paz seja mantida.

 

- "Mad Max" quadrilogia dirigida por George Miller

mad-max-dqem Mad Max: Fury Road

PARA! PARA! PARA! O Bárbaro está invadindo o post do Mago pra cobrir um pouco de sua ignorância cultural (gosto de ofender ele mesmo) e falar sobre algumas coisas desconhecidas para o nosso Gandalf. Começando pelo universo criado por George Miller, o universo distópico de Mad Max.

O primeiro filme da quadrilogia, lançado em 1979 nos apresentava um futuro distópico não tão distante, uma Austrália com a lei e ordem em ruínas e o nosso protagonista carismático, que se tiver dez falas no filme é muito. Max Rockatansky, interpretado por Mel Gibson, é o melhor policial rodoviário em um mundo infestado por gangues de motoqueiros malucos.

Talvez, devido a falta de recursos e dinheiro da época, Miller não teve a oportunidade de trabalhar mais a fundo suas ideias. No segundo filme da saga, Mad Max 2: A Caçada Continua (Mad Max: Road Warrior, nome original e bem mais legal) o motivo do mundo estar daquele jeito é apresentado. Grandes potências mundias entraram em uma violenta disputa por petróleo, as cidades entraram em colapso e o mundo acabou se tornando um local sem lei, onde os remanescentes formaram gangues que vivem em uma constante busca por combustível.

Um terceiro filme foi lançado em 1985, explorando um pouco mais o universo da Wasteland (grande deserto que um dia foi a Austrália),  Mad Max: Além da Cúpula do Trovão (Mad Max: Beyond Thunderdome, nome original e literal) é o pior filme da saga, mas pra tirar o gostinho ruim da boca, mais de trinta anos depois, fomos agraciados com um filme e um jogo sobre esse universo, Mad Max: Fury Road e Mad Max, respectivamente, ambos analisados aqui na Taverna.

 

- "Fallout" (1997-2015) série de jogos que hoje pertence à Bethesda

Screeshot do trailer de Fallout 4 de 2015

Fallout é uma das séries que causou mais barulho nos últimos meses devido ao esperado lançamento de Fallout 4 no último dia 10 de novembro. Desde 1997 até a hoje a série trata de um mundo pós-apocalíptico causado por um grande holocausto nuclear. Nos jogos, o jogador controla uma personagem que teve acesso a um abrigo nuclear (os famosos Vaults) e sobreviveu.

O jogo começa com a personagem saindo do abrigo e explorando o mundo pós-guerra. Os efeitos da radiação já estão bem menores, contudo as mudanças do mundo mostrado em cutscenes e trailers é completamente diferente do que se vê no gameplay.

Antes da catástrofe, o cenário era um Estados Unidos retro-futurista, com muita influência do estilo pós Segunda Guerra Mundial da década de 1950: carros, casas, famílias, publicidade... tudo isso remonta a vida americana já muito conhecida de filmes retrô. Ainda assim existe a presença de tecnologias que não temos nem hoje em 2015, com robôs inteligentes que ajudam nas atividades do dia-a-dia

Depois do desastre, quando o jogador sai de seu Vault, encontra um mundo em ruínas e com criaturas transformadas pela radiação em inimigos ferozes e poderosos. Diferente de Philip K. Dick, os roteiristas de Fallout optaram por transformar os animais de seu mundo em criaturas hostis ao invés de extinguí-los completamente.

 

- "Juiz Dredd" história em quadrinhos de Pat Mills, John Wagner e Carlos Ezquerra

340884 Dredd e sua carranca  

Voltei, e agora voltei com a lei! Juiz Dredd é uma das melhores coisas já criada pela mente humana. O conceito de um homem que representa completamente a lei é sensacional. Mas deixa eu explicar, Juiz Dredd se passa em Mega City One, grande parte do planeta se tornou radioativa por conta dos conflitos entre os países que controlavam  mundo, as partes ainda habitáveis acabaram se tornando megalópoles que abrigam bilhões de pessoas.

É óbvio que em um local que sofre de superlotação, miséria e violência, o caso seria instaurado. Para manter a ordem, ou tentar manter a ordem, em Mega City One foi criado o Grand Hall of Justice. Uma força policial formada por "Street Judges", homens que são tanto policias, acusadores, julgadores e executores (quando vem ao caso). Esses homens detêm todo o poder da lei em suas mãos, e dentre eles, temos o mais famoso e implacável de todos. Dredd é um personagem inspirado no ator Clint Eastwood, por isso anda o tempo inteiro com uma carranca na cara, botando o terror nos bandidos e vagabundos de Mega City One.

Dredd foi publicado pela primeira vez na revista 2000 AD, uma antologia britânica de ficção científica, em 1977. A obra também gerou vários games e dois filmes, um com Sylvester Stallone como protagonista (sério vale a pena assistir pela zuera), e outro mais recente com Karl Urban fazendo a carranca de Dredd (e esse é totalmente excelente).

- "Metro" série de jogos da 4A Games

Metro2033 Metro 2033: Primeiro jogo da série

OW! Quer saber uma coisa maneira? Os tuneis de metro da Rússia são todos anti-nuclear. Sim (Mãe Russia, sua linda) todos os tuneis de metro no país da vodka são abrigos nuclear. Essa ideia é explorada nas obras de Dmitry Glukhovsky, que inspiraram a série de jogos Metro pela 4A Games.

Como background da história, em 2013 uma guerra nuclear ocorreu, obrigando os habitantes de Moscow a se esconderem nas linhas de metro. Com o passar do tempo, todo um modelo de sociedade foi criado, facções se ergueram e até Estados são formados no mundo subterrâneo.

Mas, da mesma maneira que o tempo passou, e as coisas evoluíram no subterrâneo, o mundo continuou seu ciclo no ambiente desolado da superfície também sofreu mudanças. Uma raça de mutantes chamadas de The Dark Ones também emergiu junto com outras criaturas estranhas nascidas da radiação do local. A história de Metro é realmente interessante, os jogos são FPS's bem divertidos, e os livros já estão na lista do Bárbaro (e a lista está longa...).

 

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial até hoje, passando é claro pela Guerra Fria, a humanidade teme atos de guerra que nos leve à uma vida complicada como as retratados nas obras de ficção listadas nesse post. Com o nível cada vez maior de tensão e com o aumento da ferocidade dos ataques mais recentes por ambas as partes, só nos resta a esperança de que esses futuros descritos pelos autores fique realmente apenas no domínio da ficção.


Victor de Andrade

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