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Expondo minha nem sempre popular opinião.

Victor de Andrade

Saudações, nobre Aventureiro do Cotidiano! Esse texto foi originalmente postado na página da Taverna do Aventureiro assim como outras Tavernarias do Vix e de seus comparças. Visite, comente, interaja! // facebook: http://facebook.com/tavernadoaventureiro // twitter da Taverna: http://twitter.com/Tavernaria // twitter do Vix: http://twitter.com/Tio_Mago

Sense8 - Selo Netflix de Qualidade

Venha ver pela foto sensual e fique pela excelência de mais uma série incrível da Netflix; Tio Vix analisa e diz o que achou de Sense8, a nova "sensação" do mundo das séries dirigida por lendas como os Wachowski, diretores da trilogia The Matrix.


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Não só de cenas provocantes será feita uma série como Sense8.

As séries produzidas pela Netflix mostram a cada lançamento que a gigante do entretenimento não está de brincadeira e nem está economizando em suas produções. Já tendo na manga uma série brilhante como House of Cards e outra que prende mais os fãs do que qualquer cela em qualquer cadeia - Orange Is the New Black - uma produtora com uma reputação tão limpa tem que tomar muito cuidado com a qualidade de seu produto. E nos tempos recentes a Netflix tem respeitado grandiosamente essa reputação, com o lançamentos do estrondoso Demolidor e da bola da vez: a dramática Sense8.

Uma história com personagens variadas que descobrem possuir habilidades sobre-humanas pode parecer batida e até lembrar algumas outras obras mais antigas. Quem lembra de Heroes? E foi com essa mentalidade que cedi à onda de comentários e resolvi começar a assistir Sense8 nos meus horários de almoço. O que eu descobri é que, apesar de desgastado e bem conhecido, o tema central da série possibilitou a existência de sub-histórias muito mais interessantes do que se espera numa série desse tipo, levando em consideração assuntos extremamente relevantes pra atualidade: machismo, religião, homo e trans-fobia, luta contra doenças, relacionamentos familiares e mais, cada um representado na pele de um dos oito personagens centrais.

A história gira em torno das personagens que descobrem ser "sensates", ou seja, pessoas com capacidade de se conectar mental e emocionalmente com os outros sete participantes do "cluster", como chamam cada grupo de sensates, mesmo estando em lugares e situações completamente diferentes uns dos outros. Achou complicado? Confie em mim, é mais difícil explicar do que entender assistindo. A cada episódio dessa primeira temporada nós vamos acompanhando as situações de descoberta, tanto de pessoas quanto de habilidades e perigos novos,  por parte das personagens. É interessante perceber como cada personagem lida com tais descobertas e como eles influenciam os outros sensates, por exemplo Capheus (Aml Ameen), um motorista de van do Quênia que não vê problema algum de se ver de repente conversando com Sun (Doona Bae), "a mulher" não respeitada na empresa da família, no meio Seul na Coréia do Sul, ao passo que Kala (Tina Desai), uma farmacêutica religiosa, interage com Wolfgang (Max Riemelt), ladrão profissional, como se ele etivesse invadindo seu quarto em Mumbai na Índia ao invés de estar no seu próprio em Berlim.

E é dessa diferença entre os sensates que vem a parte mais cativante da obra: o choque cultural e social entre as partes envolvidas na história. Não só suspense e ação, mas também várias mensagens coerentes com a nossa sociedade. A transmissão dessas mensagens funcionou magistralmente com o estilo de direção dos irmãos Wachowski e dos outros envolvidos: desde o primeiro episódio são construídos os sentimentos de empatia de uma personagem pelo outro e a maestria dos diretores, também por trás da clássica trilogia Matrix, fica explícita nas transições de cenas e nas sequências de conversas entre os sensates. Não é simples executar de forma clara na tela uma conversa entre duas personagens que estão ao mesmo tempo juntas no mesmo lugar e há milhares de quilômetros de distância.

Outro acerto preciso foi na montagem do elenco. Os atores escolhidos para cada personagem encaixam-se naturalmente nas personalidades e traços culturais dos sensates e, assim, fica ainda mais fácil pro público construir uma ligação emocional com as personagens, já que o tema central envolve esse compartilhamento irrestrito de emoções. Vemos claramente a luta de Will (Brian J. Smith) para respeitar o legado de seu pai na polícia de Chicago ao mesmo tempo que tenta seguir o seu próprio senso de justiça; A vontade de Riley (Tuppence Middleton) de abandonar a vida de DJ em Londres; e as duas personagens com histórias mais comentadas pela relevância: Lito (Miguel Angel Silvestre), um ator mexicano homossexual que teme pela sua carreira; e Nomi (Jamie Clayton) uma ativista e blogueira transexual vivendo em São Francisco - o detalhe aqui é que a atriz que interpreta Nomi é também uma transexual que, muito provavelmente, já passou pelos mesmos problemas da personagem (exceto a parte de ser sensate, imagino), o que dá uma fidelidade importante à atuação.

Fidelidade também é vista na gravação. Quase nenhuma das cenas foi feita com ajuda de computadores e as gravações aconteceram sim em cada uma das oito cidades (ou mais - sem spoilers), o que me faz imaginar o tamanho do orçamento. Outro fato importante é o comprometimento do elenco, você sabia que a cena sensual na banheira que aparece no trailer envolve quase todos os atores principais e foi uma das primeiras que eles gravaram juntos? Haja profissionalismo.

O único deslize da série está na ciência, quase sempre vilã dos produtores de ficção científica. Não é nada simples introduzir explicações e argumentos científicos numa história que não é futurista e que não se passa em planetas mais tecnológicos e distantes. Explicações fictícias sobre genes e evolução até fazem sentido para um leigo como eu, mas se você tiver estudado ou estiver assistindo a série com alguém que estudou sobre genética (eu fiz isso, eu sei), pode ter certeza de que sobrancelhas serão levantadas com algumas falas e comentários exasperados serão feitos em algumas cenas. Nada de mais, na minha opinião, mas é algo que precisa ser notado.

Então vale a pena assistir à primeira temporada de Sense8? Com certeza. A série veio para preencher o espaço deixado por outros suspenses dramáticos e sobrenaturais e fez isso de maneira magistral, com elenco e direção impressionantes e uma história cativante. A primeira temporada completa - como de costume - já foi liberada na Netflix e os 12 episódios de aproximadamente 50 minutos já podem ser assistidos no mundo todo.

FATOS INTERESSANTES

- Como normalmente acontece em séries, Sense8 não foi dirigida apenas por um diretor. A diferença entre essa e outras séries é que ao invés de ter um diretor por episódio, Sense8 teve seus diretores distribuídos por local de gravação, já que eram tantos aparecendo nos episódios. - Todas as cenas foram filmadas no locais em que elas aconteciam, sem manipulação de imagem, e por isso a equipe voou um total de 100 000 milhas durante a gravação da primeira temporada. Isso seria o suficiente para dar a volta ao mundo quatro vezes. - O roteirista principal J. Michael Stracynski também escreveu o roteiro do Thor (2010) e participou na produção de quadrinhos da Marvel e da DC!

O Tio Vix faz essa análise a agradece à Netflix pela produção (ele estava quase indo assistir Heroes, só pela vontade de histórias assim). Se você já assistiu e quer comentar, ou se ainda não assistiu e quer mais da opinião dele, comente no nosso post do facebook ou nos mande uma mensagem no twitter @Tavernaria!

Fonte das imagens: http://netflixlife.com


Victor de Andrade

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