Egydio Terziotti

Eu queria que as pessoas se identificassem com o que eu escrevo, que elas sentissem alguma coisa quando lessem. Eu queria fazer a diferença. Mentira. Eu quero.

O preço da vida

Ironicamente, parece que, novamente, o brasileiro chegou tarde demais aos seus compromissos.


5nov2015---a-barragem-da-mineradora-samarco-fundao-em-mariana-minas-gerais-rompeu-na-tarde-desta-quinta-feira-de-acordo-com-o-corpo-de-bombeiros-ao-menos-dez-pessoas-estao-desaparecidas-existe-a-1446770515485_956x500.jpg

Escutando a música “Apologize” do One Republic me veio à cabeça, por mais estranho que pareça, a cidade de Mariana, em Minas Gerais, e o rompimento de duas barragens que ocorreu naquela cidade. É tarde demais para desculpas, diz a música. Realmente, é tarde demais. Mariana desapareceu, e o Rio Doce, um dos mais importantes de Minas Gerais, morreu. É tarde demais para pedir desculpas. É tarde para lamentar algo que nem devia ter acontecido, houvesse maior fiscalização no local das barragens.

Ironicamente, parece que, novamente, o brasileiro chegou tarde demais aos seus compromissos.

Foi. Aconteceu. As barragens se romperam e jogaram nas águas limpas do rio “a tabela periódica inteira”, disse Luciano Magalhães, diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto no Espírito Santo. Mercúrio, ferro, bário, cobre, chumbo... Enfim, a água do rio tornou-se marrom e seu sabor, amargo, assim como os sentimentos dos habitantes de Mariana e do Brasil.

E a culpa, fica por conta de quem?

As barragens estavam mal fiscalizadas. A empresa responsável por elas financiou a campanha de governantes que estão atualmente no governo. Seja do governo ou da empresa ou dos dois, alguém tem de começar a fazer algo para impedir que o fluxo de lama continue a seguir seu curso.

“Meros” R$ 250 milhões serão cobrados da empresa pelo rompimento. Pergunto-me qual foi o preço pago pela natureza devido a todas as perdas sofridas pelo desastre. Não só à natureza, mas aos seres humanas que habitavam aquela região e estão mortos ou feridos. Qual o preço?

Espécies endêmicas – exclusivas daquele habitat – podem ter sido soterradas. Partes da mata estão embaixo da lama. O rio parou de seguir seu curso. Eventualmente, lagoas que são alimentadas por ele não receberão mais água. O Rio Doce morre, e a vida ao seu redor também. Quanto dinheiro seria necessário para recuperar tudo isso? Ou até melhor, quais seriam os gastos para fiscalizar aquelas barragens de maneira correta?

Talvez para fiscalizar as barragens seriam gastos menos de R$ 250 milhões, talvez mais. Não entendo muito bem de custos. Porém, entendo de vida. Nada paga pelo patrimônio perdido nisso que podemos chamar de desastre.

Diante de toda essa situação, não pude deixar de lembrar a frase do Greenpeace: “Quando a última árvore tiver caído; quando o último rio tiver secado; quando o último peixe for pescado, é que vocês vão entender que dinheiro não se come”. Entendem? A questão não é quanto a empresa vai pagar. A questão é que alguém faça algo! Nem todo o dinheiro do mundo pode trazer à vida todas aquelas espécies que morreram no rompimento das barragens.

Aqui vai um site que reúne, se não todos, a maioria dos pontos de coleta para ajudar as vítimas do desastre. Eles aceitam roupas, alimentos, água, tudo: http://riodoce.help/.

Não podemos chegar atrasados de novo.


Egydio Terziotti

Eu queria que as pessoas se identificassem com o que eu escrevo, que elas sentissem alguma coisa quando lessem. Eu queria fazer a diferença. Mentira. Eu quero..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Egydio Terziotti