Egydio Terziotti

Eu queria que as pessoas se identificassem com o que eu escrevo, que elas sentissem alguma coisa quando lessem. Eu queria fazer a diferença. Mentira. Eu quero.

Precisamos saber recomeçar

O final do ano trouxe aquele gostinho de fim, de que acabou. Mas, na verdade, não acabou. 2015 pode até ter acabado. Virou “página virada”. Mas 2016 está aí, na nossa frente. É o recomeço. É a chance de vida nova. É bom aproveitar esse clima de mudança pra tentar mudar de verdade.


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Serei um engenheiro químico. Tenho uma amiga que será bióloga, outra que será atriz. Outros farão medicina, outros tipos de engenharia, arquitetura, direito; outra fará relações internacionais na Holanda. Enfim, conheço pessoas e mais pessoas, sendo que cada uma delas seguirá um rumo na vida futura – alguns seguirão caminhos parecidos, outros totalmente divergentes. Mas, cada um, do seu jeito, vai trilhar seu próprio caminho.

E todos nós seremos ainda. Por quê? Oras, porque ainda não somos! O ano de 2015 foi, de certa forma, especial para mim e todos os meus amigos – e, com certeza, para muitas outras pessoas. Acabamos o Ensino Médio. Fechamos um ciclo para entrar em outro. Faculdade para uns, cursinho para outros, e mudanças para todos.

Não mais haverá aquela sala de aula – quieta ou barulhenta – que tanto éramos acostumados. Não mais teremos aquele intervalo com todas aquelas pessoas que tínhamos contato. Não teremos mais nada disso. A escola, que muitas vezes estudamos desde pequenos, já passou; e, mesmo estudando em uma por pouco tempo, os amigos – novos e antigos – fecharam, também, esse ciclo e, agora, restam as despedidas.

As pessoas de todo o dia acabam se tornando pessoas de vez ou outra. Outras, pessoas de vez em nunca. Poucos continuam sendo a galera de todo o dia. E, mesmo continuando, a maioria das conversas vai acabar acontecendo por uma tela de celular.

E os encontros - ou, melhor dizendo - reencontros? Ah! Esses vão acontecer de vez em quando. Agora, quando acontecerem, serão uma alegria pra todo mundo! Vai ser ótimo rever as pessoas que, querendo ou não, passaram boa parte – se não a maior parte – da nossa história com conosco.

O fim chegou junto de 2016 e, com ele, temos de deixar ir. Deixar ir pessoas que não gostamos – essas a gente agradece; deixar ir aquelas que gostamos, com muita pena, mas temos; também devemos mandar embora velhos hábitos nocivos, velhos preconceitos, velhas opiniões formadas. Temos de deixar ir. Uma hora nós também vamos ter que ir, mas isso é mais pra frente. Por hora, temos que deixar ir todas aquelas coisas que consideramos essenciais – ou, às vezes, inúteis - à nossa vida. É a hora do recomeço.

A hora mais difícil, no entanto. Como recomeçar? Como dar um rumo novo para uma vida velha?

Bem, antes de tudo, temos de aceitar o fim. Pessoas vêm e vão, coisas vêm e vão, opiniões vêm e vão. Tudo muda. O “você” de hoje não é o mesmo do ano passado e, com certeza, não será o mesmo de 2017. O fim leva embora, e o recomeço traz o novo, a descoberta. É o ciclo da vida que vivemos. Não há tempo pra ficar deitado na cama chorando por aquilo que vai mudar em 2016, ou por aquilo que teremos de enfrentar. Lágrimas choradas em um travesseiro não mudam em nada os problemas e os desafios que temos. Nós é que devemos encará-los, querendo ou não. E, como todo mundo sabe, muitas vezes não é fácil encarar os próprios demônios, ainda mais quando eles residem dentro de nós mesmos.

Sabe, também, aquelas metas que muita gente faz para o ano-novo? Pois bem. Façam que deixem de serem metas. Transformem-nas em atitudes. Em mudança. Apesar de soar clichê, “seja a mudança que você quer ver no mundo”; ou, no mínimo, seja a mudança que ver quer ver em você mesmo. Faça planos, mas não os deixe no papel. Disse que em 2016 seria alguém melhor? Pois seja. Isso só depende de você.

O final do ano trouxe aquele gostinho de fim, de que acabou. Mas, na verdade, não acabou. 2015 pode até ter acabado. Virou “página virada”. Mas 2016 está aí, na nossa frente. É o recomeço. É a chance de vida nova. É bom aproveitar esse clima de mudança pra tentar mudar de verdade.

No mais, eu serei um engenheiro. Neste ano inicio meus estudos. Quero me tornar alguém melhor também. Não sei como, ainda não me resolvi, mas quero. Neste ano tudo vai ser diferente. Fechei o Ensino Médio e vou iniciar a faculdade. 2015 foi, literalmente, um fim; e 2016 será um total recomeço, pelo menos pra mim.

No final das contas, uma coisa é certa: por mais que se diga que a vida é feita de recomeços, temos de aprender a, antes de tudo, saber como recomeçar. E, para isso, precisamos saber a importância e a necessidade dos finais. Sem eles não podemos ser novos, e o ano-novo, no fim, acaba se tornando outro ano-velho.


Egydio Terziotti

Eu queria que as pessoas se identificassem com o que eu escrevo, que elas sentissem alguma coisa quando lessem. Eu queria fazer a diferença. Mentira. Eu quero..
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