Juliana Polippo

Mestranda em Multimédia pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (PT) e especialista em Fotografia: Práxis e Discurso pela UEL - Universidade Estadual de Londrina (PR/BRA). Graduada em Produção Multimídia pela Universidade Santa Cecília (SP/BRA). E-mail: [email protected] .

VOZ DA IMAGEM

A estratégia imagética utilizada no afastamento da Presidente Dilma Rousseff deve ser considerada neste golpe. Para isto, analisarei o poder da imagem, enquanto superfície simbólica capaz de articular conceitos.


Não fossem as imagens ganharem força na substituição das palavras anos atrás, teríamos agora vozes dizendo: “Não ouse desfazer o pacto capitalista. Respeite as leis, mas tudo bem se for corrupto. Pose para belas fotos! Dê risada do próximo. Se aproxime de pessoas ricas. Se percam de si. Silencie os sons abstratos. Jamais acredite em intuições. Viva como todos os outros. Planeje viagens pra Europa. Faça cirurgias plásticas. Use plástico pra tudo. Durma pouco, trabalhe muito. Compre um carro financiado. Trabalhe mais pra pagar. Case logo, tenha muitos filhos. Compre um apartamento. Viaje todo ano. Pague no cartão de crédito. Acredite no crescimento da indústria. Compre remédios pra ser feliz. E se nada der certo, experimente não sentir nada."

Parece exagero descrito assim, mas isto é justamente o que as mensagens subliminares das imagens nos dizem. Seu papel de transformar palavras em símbolos, por consequente em mensagens compradas pela indústria. Por isso, investigo aqui a “imagem”, tal como peça articuladora de poder. E compreendo sua ampla capacidade simbólica e onipresente, como verdadeira “magia imagética”, apoiada no pensamento de Vilém Flusser:

"A nova magia não visa modificar o mundo lá fora, como o faz a pré-história, mas os nossos conceitos em relação ao mundo. É magia de segunda ordem: feitiço abstrato.”

Partindo deste ponto, evidencio que a magia deste golpe político teve ajuda da imagem ritualizada por “programas” e, elaborada por “funcionários”, muitas vezes no próprio interior das transmissões. Ou seja, constato que esta crise foi fabricada, através de protocolos simbólicos que visavam programar seus receptores para um comportamento mágico.

Esta teoria não parecerá tão conspiratória, se buscarmos atrelar tais conceitos, a avalanche de informações veiculadas nos últimos meses e, o modo como os fatos foram apresentados. Perdemos a noção dos acontecimentos a uma certa altura da negociação, a articulação imagética deu um nó na cabeça dos espectadores. A imagem se confundiu com a realidade. A crise financeira veiculada se materializou na falta de dinheiro circulando no país. E Eles improvisaram isso, subindo os preços, desestabilizando a moeda, ridicularizando o Governo no exterior e, consequentemente vendo as ruas serem tomadas por Policiais e manifestantes descontrolados, que geraram ainda mais notícias.

A imagem da anarquia geral do Brasil foi veiculada em todos os países e, isso só acrescentou mais drama na articulada crise financeira. O planejamento estratégico desta propaganda política de Temer, lembra o modelo nazista, que também utilizou a imagem associada a mídia para disseminar ideias.

Portanto, devo considerar Michel Temer a voz por trás desta estratégia imagética que alcançou o poder? À mim, interessa mais evidenciar o êxito deste golpe político, todavia intermediado pela influência da imagem. Além disso, alertar os espectadores sobre as “verdades” injetadas pela mídia e, seu papel nesta representação programada. O roteiro continua ao estilo clássico da dramaturgia brasileira. Então, por favor, não confundamos vilões e heróis neste país repartido.


Juliana Polippo

Mestranda em Multimédia pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (PT) e especialista em Fotografia: Práxis e Discurso pela UEL - Universidade Estadual de Londrina (PR/BRA). Graduada em Produção Multimídia pela Universidade Santa Cecília (SP/BRA). E-mail: [email protected] ..
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