the insolitus

A liberdade de expressão guiando o mundo

Thalia Fontinele

"Ela me escapa... me escorre entre os dedos. E, ainda mais! Não é sequer tão definida: ainda me restam traços dela nas mãos, manchas relativamente lentas para secar ou que é preciso enxugar. Ela me escapa, escapa a toda definição, mas deixa rastros, manchas informes em meu espírito e sobre o papel."

Into the wild, into the mind...

"Não se deve negar [ ... ] que estar solto no mundo sempre foi estimulante para nós. Está associado em nossas mentes à fuga da história, opressão, lei e obrigações maçantes, com liberdade absoluta, e a estrada sempre levou para o oeste." WALLACE STEGNER, THE AMERICAN AS LlVING SPACE


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"A pessoa criativa está constantemente tentando descobrir-se a si mesma, remodelar sua identidade e encontrar sentido no universo através do que produz. Considera essa atitude um processo valioso e integrador, que, como a meditação ou a oração, pouco tem a ver com as outras pessoas, mas que tem seu valor separado. Seus momentos mais importantes são aqueles nos quais alcança nova inspiração ou faz nova descoberta - e esses momentos são principalmente, e talvez de maneira invariável, aqueles em que ela está sozinha." Solidão, Anthony Storr

into-the-wild4.jpg "A liberdade e a beleza simples é boa demais para se deixar passar."

Liberte-se das algemas da conformidade. Saia. Fuja. Viaje. Leia. O mundo está lá fora, enquanto estamos acorrentados ao nosso. Mais vale ser insano para os outros do que ter virtudes fúteis - próprias de quem ignora suas origens mais remotas, dignas e latentes. Encontre algo mais original, que se faça digno de ser livre, dentro de si. É essa a essência do filme Into the wild.

Christopher McCandless abandona a faculdade, doa todo seu dinheiro para a caridade e vai viajar. Ele se desfez de tudo o que lhe trazia conforto e, em nenhum momento, pensou que isso foi em vão. Muito mais que um homem louco que fez uma viagem e sonhava ir ao Alasca, ele existiu. Esse drama biográfico me fez pensar que há pessoas que ainda não existem. E pior do que isso, preferem não existir (não falo fisicamente mas, sim, espiritualmente). Sem o reconhecimento da existência, a essência se finda. Sartre diz que a existência precede a essência, ou seja, o indivíduo só se torna existente se, antes, saber o que ele é. Então, hoje, o que somos? Nas palavras desse filósofo: "O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência, o homem não é mais que o que ele faz."

tumblr_lau0bl1PHI1qb14jwo1_500_large.png "Eu não entendo porque as pessoas, porque todas as pessoas, são tão ruins para o outro, muitas vezes. Isso não faz sentido para mim. Julgamento. Controle. Tudo isso, todo o espectro."

McCandless não encontrou sua essência na natureza, ao contrário do que muitos iriam pensar, ele já era parte dela e permaneceu, até o fim. Ele disse, na sua última carta recebida de Everett Ruess, ao seu irmão Waldo: "Em relação a quando visitarei a civilização, não será em breve, acho. Não me cansei da natureza; ao contrário, deleito-me cada vez mais com sua beleza e com a vida errante que levo. Prefiro a sela ao bonde, e o céu salpicado de estrelas a um teto, a trilha obscura e difícil, levando ao desconhecido, a qualquer estrada pavimentada, e a paz profunda do campo ao descontentamento gerado pelas cidades. Você me censura por ficar aqui, onde sinto que é o meu lugar e que sou uno com o mundo a minha volta? É verdade que sinto falta de companhia inteligente, mas há tão poucos com quem possa compartilhar as coisas que significam tanto para mim que aprendi a me contar. É suficiente que eu esteja cercado de beleza [...] Mesmo com base em sua descrição insuficiente, sei que não conseguiria suportar a rotina e o tédio da vida que você é forçado a levar. Não acho que poderei algum dia fixar residência. Já conheci demais as profundezas da vida e preferiria qualquer coisa a um anticlímax." Essa carta, além da simplicidade em relatar o amor à natureza, mostra que temos caminhos diferentes a seguir, pergunte-se se a sua situação atual lhe permite ser livre, realizar seus desejos mais profundos (os menos egoístas). Veja, não falo de qualquer um largar os estudos e fugir para a natureza, pois, cada um segue seu caminho, seja qual for. Falo em entregar-se a si a ponto de até largar as acomodações, o conforto de seu corpo, de sua mente. Não viva em paz com a corda no pescoço, as mãos atadas e o sorriso no rosto. Viva, exista.


Thalia Fontinele

"Ela me escapa... me escorre entre os dedos. E, ainda mais! Não é sequer tão definida: ainda me restam traços dela nas mãos, manchas relativamente lentas para secar ou que é preciso enxugar. Ela me escapa, escapa a toda definição, mas deixa rastros, manchas informes em meu espírito e sobre o papel.".
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