the insolitus

A liberdade de expressão guiando o mundo

Thalia Fontinele

A escrita para mim não é fuga, é imersão. É o risco que não posso perder, é o momento. A decisão de fazer ou deixar para depois. E é fazendo que me torno vulnerável, e sendo vulnerável corro risco, me jogo. E é me jogando que eu escrevo - e me exponho. Em diante ciclo continua.

UM BREVE OLHAR HISTÓRICO SOBRE O FEMINISMO

"A restauração do respeito próprio da mulher é a essência do movimento feminista. A mais substancial das vitórias políticas não pode ter valor mais alto que este: o de ensinar a mulher a não depreciar o próprio sexo." - Anthony, KATHERINE


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Incontestavelmente, as mulheres, na Revolução Francesa, foram quase omitidas. Enquanto o revolucionário colocava a igualdade formal acima das diferenças naturais, o sexo foi deixado como último critério de distinção. Temos a leve impressão de que, com o impulso revolucionário, elas já começaram a desabrochar sua emancipação - e isso é um engano uma vez que, em um primeiro momento, houve seus alistamentos na guerra (não por "capricho", mas por necessidade) e só depois, quando a situação se estabilizou, pediram-nas 'retornarem a seu lugar'. Assim, é notório que o fato delas serem alistadas dessa forma foi não real motivo para iniciar o movimento feminista e, sim, quando elas voltaram a sua antiga função: a de serem domésticas (tanto no sentido de afazeres domésticos como no de aceitar deliberadamente o machismo imposto, como de costume).

liberdade-igualdade-fraternidade.jpg Seria igualdade sexual? Ainda não...

Um século após à Revolução Francesa, as indústrias maiores começaram a desenvolver tentáculos e ramificações para emancipação da força de trabalho que tornava cada vez mais feminina. A mulher passou a combinar o seu trabalho nas indústrias à supervisão da casa e dos filhos. Foi aí que tantas delas lutaram contra as correntes da cozinha e dos estereótipos, pois precisavam ganhar dinheiro, apesar de ainda serem submetidas ao trabalho doméstico. Esse surto foi quase generalizado quando os métodos contraceptivos (que antes eram a abstenção do sexo ou o coitus interruptos) revolucionaram: em 1890 a camisinha, em 1920 surgiu o DIU, em 1957 as pílulas anticoncepcionais, e hoje já existem adesivos que liberam doses diárias de hormônios para evitar a gravidez, além dos anticoncepcionais masculinos prontos para se popularizarem. Desde então, a mulher nunca pensou mais da mesma forma, já que ela poderia planejar melhor a sua vida e evitar (permanente ou temporariamente) uma grande ninhada de filhos para se ascender profissionalmente.

Fátima Oliveira, em "Bioética, uma face da cidadania", aponta que a sexualidade feminina, ao longo dos tempos, recebeu duas formas de tratamento, ambas discriminatórias e reforçadoras da inferioridade da mulher: a reafirmação da sexualidade masculina (mulher como parte ou instrumento da satisfação masculina) e a negação da sexualidade feminina como fonte de prazer e sua afirmação como prática necessária apenas à procriação da espécie. Tais formas de tornar pública a sexualidade evidenciam a forma diferenciada como, historicamente, as mulheres e os homens vêm sendo tratados: utilizou-se a diferença biológica para construir valores de desigualdade sexual que perduram até hoje. Desde quando se descobriu que o ato sexual gera prole, a sexualidade feminina e a procriação passaram a ser um fenômeno único e indissociável. Isso tudo fez com que os desejos da mulher de combater a imposição social (apesar de não mais serem reconhecidos, na própria sociedade, esses antigos valores - pelo menos por parte de algumas mulheres) fossem potencializados, e o capitalismo atendeu às nossas demandas:como já foi dito, com o mercado de contraceptivos.

skol_bra.jpg Para quem quer fechar os olhos para tanta misoginia, tudo fica mais difícil.

A impressão que se tem hoje, em pleno século XXI, é que o motim revolucionário (pelo menos por parte de alguns da mídia mesquinha) recuou a certo ponto de algumas mulheres desistirem de se impor. Recuou por deixar-se de acreditar em um sonho: o de estar livre das amarras do machismo e da violência física, social e a psicológica, principalmente. Essa propaganda (de muitas da Skol) traz uma concepção falseada das mulheres pós-modernas (e isso foi conquistado historicamente, como havia mostrado com a Revolução Francesa). Todas nós temos o sonho de combater todo e qualquer preconceito sexual, e ainda é possível realizá-lo. Vamos transformar o "Houve um tempo em que os homens eram bons, suas vozes eram doces e suas palavras encorajadoras" em "Hoje nossos homens são bons, suas vozes firmes e suas palavras encorajadoras", antes que seja tarde demais. Antes que isso ocorra, não deixemos a vida matar nosso sonho: fiquem com performance de Anne Hathaway, do filme Os Miseráveis, mostrando as consequências da revolução de machistas que ainda perdura por nossos dias. Sintam e revoltem-se.


Thalia Fontinele

A escrita para mim não é fuga, é imersão. É o risco que não posso perder, é o momento. A decisão de fazer ou deixar para depois. E é fazendo que me torno vulnerável, e sendo vulnerável corro risco, me jogo. E é me jogando que eu escrevo - e me exponho. Em diante ciclo continua..
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