the insolitus

A liberdade de expressão guiando o mundo

Thalia Fontinele

A escrita para mim não é fuga, é imersão. É o risco que não posso perder, é o momento. A decisão de fazer ou deixar para depois. E é fazendo que me torno vulnerável, e sendo vulnerável corro risco, me jogo. E é me jogando que eu escrevo - e me exponho. Em diante ciclo continua.

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Não há garantia de que ter nascido num determinado sexo biológico determine linearmente sua expressão de gênero, ou seja, como você se apresenta socialmente, como você se reconhece.


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A sexualidade era tratada como um assunto reservado, principalmente para mulheres. Assim, esse assunto não parecia ter alguma dimensão social, era uma questão a ser dedicada de forma particular e escondida. Ainda se dizia que a sexualidade era algo representativo, mas, particularmente, aponho-me a esse pensamento simplório. Nós não somos uma representação, nós somos um corpo orgânico, com peculiaridades. E, evidentemente, a condição sexuada do corpo vai impactar a subjetivação do sujeito, ou seja, como o indivíduo se vê e se sente diante das diversidades sociedade. Vê-se, atualmente, estudos e pesquisas sobre gênero e sexualidade de forma mais expandida, evidente e natural. Entretanto, a discussão sobre gênero e sexualidade ainda é vagarosa e bastante procrastinada. O entendimento sobre a sexualidade atual está engajado em valores morais, religiosos e, principalmente, sociais. Em virtude disso, parte da sociedade agarram esses valores e tentam impô-los (todos os espectros) numa sociedade que não mais os reconhece.

IMG_3927 (2).PNG O amor de Deus é algo generoso que não é restrito somente a um grupo de pessoas e sim a todos tanto heterossexuais como homossexuais.

Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, afirma que a sociedade está em constante fluidez e que, por esse motivo, muitas pessoas praticam a intolerância diante daquilo que não se considera padrão. Esse “desvio de conduta”, muitas vezes, é visto como uma aberração e, em muitos casos, até doença. Todo tipo de comportamento ou modo de ser que supostamente não se coaduna com nossos princípios particulares torna-se digno de nosso mais terrível desprezo, pois no fundo queremos ver estampado no rosto do ‘outro’ um pouco daquilo que nós mesmos somos e esse modo de pensar é o que se torna base para todo tipo de violência que permeia a comunidade LGBTT.

Capturar.PNGÀs vezes, amputamos o que somos para agradar as pessoas que nem sequer sabem o que são sozinhas.

A minha perspectiva sobre a sexualidade hoje é a da plasticidade, ou seja, a multiplicidade de arranjos nessa apropriação que se faz da feminilidade vs. masculinidade. Freud dizia, com a psicanálise, que todo indivíduo era bissexual. A bissexualidade era trabalhada como o resultado das identificações masculinas e femininas constitutivas do psiquismo humano: todo ser humano possui traços psíquicos masculinos e femininos resultado das identificações com os dois sexos. Ao nascer, o ser humano só possui potencialidade e sua identidade sexuada será construída através dos processos identificatórios (sociais, predominantemente). Isso significa que a anatomia com a qual o sujeito vem ao mundo não garante, em absoluto, os destinos de sua identidade sexuada, como bem o mostra o transexualismo e intersexo (sexo anatômico é diferente de identidade sexual).

Não há garantia de que ter nascido num determinado sexo biológico determine linearmente sua expressão de gênero, ou seja, como você se apresenta socialmente, como você se reconhece. Então, o pai da psicanálise foi incompreendido pois, o que ele realmente queria dizer era que os indivíduos se identificavam com aspectos relacionados o que chamamos de feminilidade e masculinidade, não a orientação sexual. Ainda assim, abordar esse assunto tão natural é bastante polêmico. Todavia, Stuart Hall, sociólogo jamaicano, afirma que as novas identidades sociais se tornaram visíveis, provocando, em seu processo de afirmação e diferenciação, novas divisões sociais e o nascimento do que passou a ser conhecido como "política de identidades". Não se trata de uma política dualista: direita ou esquerda. Trata-se de algo muito mais relevante expressar-se ou não? A sexualidade só diz a respeito de um ser: você. Então, por que você não se liberta dos antigos valores?


Thalia Fontinele

A escrita para mim não é fuga, é imersão. É o risco que não posso perder, é o momento. A decisão de fazer ou deixar para depois. E é fazendo que me torno vulnerável, e sendo vulnerável corro risco, me jogo. E é me jogando que eu escrevo - e me exponho. Em diante ciclo continua..
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