Bruna Ribeiro

Mas o que dizer sobre mim? Bom... Eu sou eu (JURA?). Eu sou eu com minhas qualidades e defeitos; com a minha imperfeição de querer ser perfeita e excepcional; com os meus gostos e hobbies. Uma metamorfose ambulante em meio de milhões.

O fantástico mundo de ser você mesmo: um super herói

Isso pode até parecer coisa de filme, ou de livro, mas você pode conhecer, e também se relacionar neste ambiente fantástico, com pessoas, super heróis, vampiros, personagens de anime e muito mais dentro do universo fake. E o que é o perfil e o mundo fake?


Era uma bela tarde, ensolarada e calma, de uma segunda-feira chata e monótona. A mulher, prestes a se tornar uma jornalista, estava sentada em frente ao computador, com um arquivo aberto para começar a escrever sua próxima matéria, enquanto as ideias chegavam e se misturavam dentro de sua cabeça. “Como começar este texto?” Ela pensava, enquanto foi interrompida por seu celular que vibrava, ao lado do computador. Um de seus amigos, o qual ela tivera um caso um dia, lhe mandara a seguinte mensagem: “Quando é que você estará livre? Às 23h posso passar aí? Você está sumida, sinto saudades”.

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A verdade é que a futura jornalista precisava dedicar o seu tempo, agora, a esse bendito texto, e ela realmente não queria vê-lo. Num dos últimos encontros que teve com ele, ela descobriu sua identidade secreta, e infelizmente ele não era o Clark Kent, vulgo “Super homem”. Ele era nada mais, nada menos, do que um vampiro, de mais de 200 anos, pertencente a uma família tradicional dessa linhagem sobrenatural. Sim, ela sabia que isso era algo muito improvável de acontecer, mas ele era, de fato, um ser sobrenatural. E se relacionava com humanos, como ela. E também com mutantes (sim, mutantes).

Quem iria se deparar com isso durante o dia-a-dia? Isso pode até parecer coisa de filme, ou de livro, mas você pode conhecer, e também se relacionar neste ambiente fantástico, com pessoas, super heróis, vampiros, personagens de anime e muito mais dentro do universo fake. E o que é o perfil e o mundo fake?

Não se tem uma data certa do início, ou de onde surgiu este universo, mas pode-se garantir através de breves pesquisas que ele foi consolidado preferencialmente na rede social, agora póstuma, Orkut. O perfil fake nada mais é do que um perfil falso, mas também compreendido como uma identidade alternativa. Jovens e adolescentes brasileiros, que se sentem tímidos a revelarem seus gostos por medo de preconceitos do modo padrão, acabam por criar essa segunda identidade como uma forma não só de distração, mas para ser conhecido como ele próprio é, através de uma máscara e uma identidade construída. É claro que há uma identidade mais fantástica, como é o caso da atribuição de superpoderes ou de serem sobrenaturais, como citados no início do texto, mas isso não impede que eles tenham sua determinada personalidade, com emoções, gostos e gestos que desejariam expor na vida real.

Para Rick Skywalker*, herdeiro de uma grande companhia de desenvolvimento de modelos de aviões, o universo fake é um lugar onde podemos mostrar quem realmente somos, sem nos preocuparmos com as opiniões daqueles que nos avaliam. Essa definição é uma verdade quando restringimos o fake ao mundo virtual. A partir do momento que criamos laços de convívio com outros usuários, nós passamos a demonstrar mais contato real. Mas o que acontece se o envolvimento e o contato mais real se tornarem intensos demais?

A psicóloga Priscila Oliveira admite que, quando o adolescente consegue separar bem o seu mundo fake do seu mundo real, não há problema algum, por poder perceber que os seus medos, angústias, sentimentos, gostos e emoções, dentro deste mundo, não são tão diferentes das outras pessoas. Porém, nos casos em que os perfis fakes passam a se tornar prioridade para seus donos, isolando de uma forma exagerada a vida real, manter esse perfil é extremamente negativo. E agora que, além do querido MSN, o Orkut também acabou? Para onde os fakes vão? Assim como a internet não tem fronteiras, os usuários do fake tiram proveito desse poder para descobrir novas redes sociais, se reinventando (mesmo que de uma forma mais ou menos forçada) para continuar a fantástica segunda vida. Apesar de todas as dificuldades, o perfil fake, usado com moderação, pode abrir portas para novas amizades verdadeiras, e até relacionamentos sérios. Basta saber separar as vidas, e, claro: seja você mesmo, sem medos de preconceitos. Afinal de contas, agora você tem sua identidade secreta, para salvar o seu mundo (ou pelo menos parte dele).

*A identidade real do entrevistado foi preservada para ambientação do texto ao ambiente do fake


Bruna Ribeiro

Mas o que dizer sobre mim? Bom... Eu sou eu (JURA?). Eu sou eu com minhas qualidades e defeitos; com a minha imperfeição de querer ser perfeita e excepcional; com os meus gostos e hobbies. Uma metamorfose ambulante em meio de milhões..
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