toca a fita

Um mixtape de música, filmes, livros e cotidiano

Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo.

Pega os fones e bora ouvir Flora Matos

Rimas curtas, rápidas e envolventes é o que ela faz de melhor em suas composições. E, por isso, me arrependo por ter demorado tanto a ouvir o seu som. Dê uma chance a ela e ouça Flora Matos vs Stereodubs. Ou melhor, dê uma chance a si mesmo. Tem muita coisa boa nesse álbum. Ela manda muito.


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Papo rápido, prometo. Tá bom, vai, talvez não seja tão rápido assim.

Pra falar a verdade, eu já queria, há algum tempo, escrever sobre música. Sei lá, fazer alguma análise sobre estilos musicais, sobre clipes, novas e antigas (antigas não, desculpa, clássicas. Ninguém chama Queen de uma banda antiga, ela é uma banda clássica) bandas e por ae vai.

De tanto caminho e tema para se tratar, resolvi dar uma parada por aqui e pensar em compartilhar algo que, de uma forma ou outra, me causou alguma reflexão. Não uma reflexão filosófica existencial de ser ou não ser (tá, sei que isso é Shakespeare), e sim aquela reflexão do tipo “caramba, sério mesmo que eu nunca tinha parado para pensar nisso?”.

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E, sem enrolar muito, bora falar sobre um alguém que me despertou aquela reflexão do tipo “nossa, caramba, é sério mesmo que eu nunca tinha parado pra pensar nisso?”.

Um alguém não. Uma alguém. Bora falar um pouco da rapper Flora Matos.

Foi com Esperar o Sol que a Flora Matos me foi apresentada por uma antiga amiga. Escutei, escutei, escutei de novo e curti muito o som da rapper. Curtir ao ponto de nem ter me importado com esse detalhe dela ter sido apresentada através de uma amiga, afinal de contas, era mais uma cantora do gênero a integrar a minha lista, que continha, até então, Sabotagem, Manobrown, Edi Rock, KL Jay, MV Bill, Mag, Gabriel, Criolo, Emicida.

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E não havia nada de errado nisso, amigos são para essas coisas, certo? Apresentar filmes, músicas e não contar spoilers sobre o final da temporada daquela série.

Bem, a essa altura do campeonato, acho que nem preciso dizer alguma coisa sobre a minha lista de rap, né? Caso não tenha entendido, dê uma repassada nos nomes. Viu só? Pois é.

É como disse o Ted Mosby num dos episódios de How I Met Your Mother. Essas são aquelas coisas que você nunca repara, mas, quando começa a reparar, não deixa mais de reparar.

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Não havia percebido, até então, que eu não possuía alguma referência feminina no cenário do rap.

Tá, daí você tem uma rapper cantando e logo pensa “ai, nossa, aposto que deve ser letra de mulherzinha”. Não poderia estar mais enganado e não se sinta culpado por ter pensado nisso (espero que o verbo seja esse mesmo, no passado), não é o único da fila. Aliás, temos uma vida inteira de filmes, músicas e séries onde as mulheres são objetificadas e, concomitantemente com isso, seu protagonismo revela uma completude somente com um homem ou com a formação de uma família, não há de se entranhar que num primeiro momento (e espero que somente no primeiro momento, até pararmos com essa mania) pensamos nisso.

Afinal de contas, século XXI, diversidade, feminismo, direitos iguais. Tudo isso está acontecendo e, caso não tenha percebido, como diria o mano Criolo, Ainda há tempo.

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E, com isso, a Flora Matos vem com álbum do disco, fita, cd, spotify e seja lá em quais mídias forem, Flora Matos vs Stereodubs, composto por nove faixas, cujas letras remetem a sua trajetória musical, como em Meu Caminho e Minha Voz.

Com sua voz rouca entoando rimas curtas e rápidas, Flora Matos pode te oferecer uma nova visão sobre o que o rap tem a oferecer aqueles que por ele habitam, vivem e sobrevivem.

Ouça Esperar o Sol, Meu Caminho e Minha Voz. Ou melhor, ouça todas as faixas. E, se puder, todos os seus singles.

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O quanto mais diverso e plurilateral for a nossa visão acerca do mundo que nos rodeia, maior é nosso entendimento sobre todos os “o que”, “como”, “onde” e “por que”.

Experimente começar a expandir seu conhecimento pela música.

Dê uma chance a ela e ouça Flora Matos vs Stereodubs.

Ou melhor, dê uma chance a si mesmo. Tem muita coisa boa nesse álbum.

Ela manda muito.


Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo..
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