toca a fita

Um mixtape de música, filmes, livros e cotidiano

Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo.

Caia fora dos remakes e reboots!

Faça diferente. Ouse com você mesmo. Fuja das armadilhas de regravações, reboots e remakes. Pés no chão e cabeça nas nuvens. Isso não é uma fórmula, mas é um bom caminho a se seguir. Onde quer que você queira ir, vá. E vá longe. Tem muita gente ansiosa para seu próximo lançamento.


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Ai caramba, vejam só, nunca estivemos tão inseguros e indecisos como estamos nos dias de hoje!

Depois de uma estreia de sucesso, com um roteiro fechado e surpreendente, recorde de arrecadação na bilheteria, com todos os elogios de famosos, quase 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, participações em diversos talk shows e centenas de memes na internet, depois de tudo isso, a gente fica com um pouco de medo da continuação.

A gente fica com um pouco de dúvida, com o pé a trás e não sabemos se a expectativa com a gente se tornou grande, mas sabemos que a nossa responsabilidade vai aumentando, aumentando e aumentando. Até que toda aquela combinação lá de cima, com a adição de uma expectativa acima da média, finalmente vai para as telonas e...e...bem...não era como imaginávamos. Não que ela fosse ruim, pelo contrário, ganhamos mais liberdade para fazer o que quiser, mas, essa decepção talvez seja por que, dessa vez, pela primeira vez, esperavam muito da gente.

Esperavam até mais do que nós mesmos.

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A expectativa é a mãe da decepção e você se pega pensando “porque comigo? ”. Vejam só o Batman Cavaleiro das Trevas, até que o primeiro filme foi bom, mas como superar a sua sequência?

Calma, respira. Respira mais um pouco. Respirou? Lembre-se também de Matrix e em como a sequência não foi lá tão boa assim. Melhorou um pouco, não é?

Pés no chão e cabeça nas nuvens. É assim que temos que agir.

Sem perder tempo, partimos para o final da nossa trilogia. Bora resgatar tudo aquilo que deu certo em nosso primeiro filme e aprender com tudo aquilo que não deu tão certo assim com a sequência e vamos tentar fechar com chave de ouro.

Talvez funcione. Mas só se não encararmos como a nossa última chance. Porque, quem sabe, a crítica diz que “esse capítulo só perde para o primeiro filme”, o canal no youtube diz que “fechamos a trilogia de maneira satisfatória” e nossos fãs, felizes da vida, comemoram o nosso “retorno as origens”.

Deu tudo certo. Agradecemos, acenamos no tapete vermelho, com entrevistas em rádios, algumas festas, bebidas e comidas. Mas, quando finalmente paramos, e põe finalmente nisso, o coração palpita e a única coisa em que pensamos é:

E agora?

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Dar ao público aquilo que exatamente eles esperam de você, com os mesmos vícios e virtudes? Ou entregar aquilo que exatamente esperam de você, mas com uma nova roupagem, repaginada, cast de atores e atrizes e uma nova história para contar?

Em tempos de crise de inseguranças e ansiedade, será que devemos apelar para os remakes e reboots?

Pensa bem, pode até dar certo financeiramente, pelo menos você tem o apreço e fidelidade. Mas veja só, essa parcela talvez espere somente aquilo que eles querem que você mostre. Não querem nada mais e nada menos que isso.

Talvez seja vantajoso para você. Os personagens, a história, a trilha sonora são todos seus e você domina e entendem o que querem, mesmo que, para isso, tenha que contar de novo e de novo e de novo a mesma história com as roupagens diferentes.

Será que tudo isso vale a pena para você, que almeja sempre e sempre mais?

Pés no chão e cabeça das nuvens. Essa é a ordem das coisas. Nunca ao contrário ou inteiramente no chão ou nas nuvens.

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Vamos lá, a gente pode um pouco.

O frio na barriga antes da estreia de cada história da nossa vida é o que nos impulsiona a melhorar, mesmo que essa melhora seja em cima de algo que não deu tão certo assim.

As vezes acontece, mas não sempre.

Por isso, não apele para reboots e remakes. Não faça aquilo que esperam de ti. Escolha aquilo que você espera de si mesmo e aposto que eles vão entender e correr junto contigo. Mesmo que seu filme não passe diretamente nos cinemas, eles comprarão o DVD assim que sair nas locadoras.

Faça diferente. Ouse com você mesmo. Fuja das armadilhas de regravações, reboots e remakes. Pés no chão e cabeça nas nuvens.

Isso não é uma fórmula, mas é um bom caminho a se seguir.

Onde quer que você queira ir, vá. E vá longe. Tem muita gente ansiosa para seu próximo lançamento.


Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo..
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