toca a fita

Um mixtape de música, filmes, livros e cotidiano

Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo.

É a Liga da Justiça, cara!

Mas então tá, a gente assistiu ao filme da Liga da Justiça, nos divertimos (ou ficamos putos, vai saber né?) voltamos para casa e, na segunda feira, vida que segue. Viu o pequeno detalhe? Aquilo que fez com que a gente coçasse o queixo logo depois de passados uns dias? La vai...era o filme da Liga da Justiça e não poderia ter sido um "vida que segue".


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Calma, calma, calma.

Ninguém tá aqui pra falar mal da Liga da Justiça, Batman v Superman e Esquadrão Suicida (ok, talvez um pouco desse). O papo aqui é em como eles poderiam ser melhores, o que é algo bem diferente, não é mesmo?

Mas então tá, a gente assistiu ao filme da Liga da Justiça, nos divertimos (ou ficamos putos, vai saber né?) voltamos para casa e, na segunda feira, vida que segue.

Viu o pequeno detalhe? Aquilo que fez com que a gente coçasse o queixo logo depois de passados uns dias?

La vai... era o FILME DA LIGA DA JUSTIÇA. Dos maiores e mais importantes heróis da nossa cultura pop, que moldou gerações e fez o homem acreditar que podia voar.

Essa é a principal questão que tenho com o filme. Ele é bom em seus cento e vinte minutos. Mas só isso. É aquele blockbuster que vimos e sabemos que, daqui uns dias, ninguém vai se lembrar cof cof Velozes e Furiosos cof cof.

E, mesmo com todos os defeitos e problemas de produção, tudo o que o filme da Liga não poderia ser era mais um filme de verão.

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Esse é o primeiro vacilo e muito disso se dá por duas coisas tão óbvias, que parece até engraçado não terem seguido. É aquela questão da prova tão fácil que você desconfia se seja de verdade, mesmo sabendo que 2+2= 4.

Tem uma teoria chamada Navalha de Occam e diz que, quando estamos frente a um problema, fatalmente as respostas mais óbvias são as corretas para a resolução do problema.

Com isso em mente temos a temática de heróis e...bem...é um cara que se veste de morcego, uma mulher com o laço da verdade e um extraterrestre que, até então, usava cueca por cima das calças. Porque tentar nos convencer a levar isso a sério se é justamente por isso que a gente se diverte?

Não tenha vergonha e não pense que é ridículo pensar assim. Nos inspiramos nessas pessoas exatamente dessa forma, com morcegos, laços e cuecas por cima as calças, com aqueles sorrisos (Exceto o Batman) e a certeza de que dará tudo certo no final das contas.

Vai saber o porque, mas esses três filmes, com ênfase no Esquadrão e BvS, pareciam fazer de tudo para nos desacreditar nisso. Em tempos de tensão social e polarização tão forte, a última coisa que eu queria era ver meus heróis falarem que não há mais jeito.

E há. Eu aprendi com eles.

É tão verdade isso que, se surpreenda, o Superman, que foi tão desacreditado pelos próprios filmes, como se fosse uma aberração, um ditador (alguém lembra dos sonhos do Batman?), é a melhor coisa no filme da Liga da Justiça porque ele SORRI. Ele abre o sorriso e nos dá esperança. Porque esse é o Superman e essa é a alma do heroísmo.

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O outro ponto está em colocar os pés pelas mãos. Ora, vamos com calma, as coisas acontecem no seu devido tempo, então pra que a necessidade de correr? Será que é pra alcançar alguém (e vocês sabem a quem me refiro)? Mas pra que alcançar, se os filmes são pra nós e não para eles?

O planejamento sempre jogou contra. É aquela criança que coloca um pedaço de galho no aro da própria bicicleta pra cair. Vamos puxar na memória?

Batman v Superman era originalmente Superman 2. Depois virou Superman com participação especial do Batman para, enfim, virar o filme DO morcego, apresentado em plena Comic Con. E o que falar das mudanças de pôsteres e tom do filme do Esquadrão Suicida?

Essa ansiedade toda atabalhoada, que mais prejudica do que ajuda, sempre foi o calcanhar de Aquiles da Warner/Dc. Se ainda duvida, veja como a Fox se reinventou com X-Men First Class, Logan e Deadpool. É questão de olhar pra si mesmo e decidir o que vai querer, baseado em si mesmo, e não no seu vizinho.

Não adianta adotar um tom sombrio e “realista” na sua história tendo como parâmetro uma outra franquia que, cá entre nós, o fato de termos um morcego com poderio militar e um palhaço caótico não mostrava que ali havia heróis, tanto que as vestimentas poderia ter sido encarado como um our concur. Não é mesmo, Nolan?

Pra que achar que esse contexto iria se adequar a uma indústria colorida por essência. O mais irônico de tudo é que, nos quadrinhos, a DC Comics sempre foi mais colorida e divertida, enquanto a Marvel sempre foi mais realista, com heróis mais pé no chão.

Porque nadar contra a correnteza, hein?

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E qual o papel da Liga da Justiça nesse papo todo? Olha, como um deceneco desde criança, a recepção do filme me soou um All In no pôquer. Não espere tantas coisas da Dc no cinema daqui pra frente, pelo menos com um supergrupo ou participações especiais.

Era a Liga da Justiça! Não tinha como dar errado. Não deu, mas não com o devido peso.

Entendem como é mais fácil apontar para o outro ou cair naquela armadilha fácil e rasteira de que a mídia é marvete e coisa e tal? Antes que ergam as pedras em minha direção, recomendo a leitura do texto que publiquei, chamado Fórmula Marvel, onde questiono a linha de produção em termos narrativos.

Talvez esse seja o maior problema da Warner, DC e dos fãs. Acreditar em um complô, pensar que o erro está nos outros, apontar para todos e não olhar para o espelho.

Então olhe para o espelho, mas antes, tire as vendas.

Tenho certeza de que verá algo maravilhoso refletido.


Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo..
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