toca a fita

Um mixtape de música, filmes, livros e cotidiano

Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo.

Eita, vamos correr disso aí

Meu, o que você ainda está fazendo aqui? Vai embora, vaza, sai dessa zona de conforto. Corra Forrest Gump, corra! Veja bem, sei que deve ser embaçado, também fico entrando e saindo todo o tempo dessa zona de conforto, mas tenho alguns pontos que me fazem acreditar que o melhor de tudo é sair de lá. De uma vez só. E pra nunca mais voltar. Bora sair dessa zona de conforto.


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Meu, o que você ainda está fazendo aqui? Vai embora, vaza, sai dessa zona de conforto. Corra Forrest Gump, corra!

Não leve isso como uma sugestão do tipo “coisas para se fazer antes dos trinta anos” e nem como “vamos ver o que me sugerem fazer”. Pode ir esquecendo, sou péssimo nisso.

Encare mais como um convite, mesmo que não seja de mim.

Talvez possa ser de você, mais necessariamente. E, veja bem, sei que deve ser embaçado, também fico entrando e saindo todo o tempo dessa zona de conforto, mas tenho alguns pontos que me fazem acreditar que o melhor de tudo é sair de lá. De uma vez só. E pra nunca mais voltar.

Olha só o Barney Stinson ganhando um empurrãozinho da Tracy (que, no meu caso, sempre a chamarei de “a mãe”) para decidir parar de disputar o próprio jogo, em meio a tantos challenge accepetedque propõe para si mesmo, e vencer logo tudo isso de uma vez. Ele mesmo, solteiro convicto, zerava aquele jogo de plataforma onde você terminava com uma princesa.

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Não se esqueça, também, do seu maior adversário no posto de “melhor bro” do Ted Mosby, Marshall Erikssen. Se graduou em direito com a gana de salvar o meio ambiente. Parou num banco que fazia exatamente o oposto. Decidiu abrir mão do dinheiro para voltar a realizar seu sonho, mesmo que, para isso, percorresse outro caminho. Pensou em ser um grande advogado para combater as empresas que poluem o meio ambiente. Virou juiz e consegue fazer isso ao seu modo.

O negócio mesmo tá em dizer “sim” para toda a vontade que, vira e mexe, bate a porta. Faça como o Carl (com o sempre gênio Jim Carrey) e diga “sim” a tudo, a torto e direito, para cada pergunta e convite que faça. Mas diga sim quando você quer dizer sim. Para cada oportunidade, não exagere nos shots.

Vamos? Vamos. Mas pera, nem sempre.

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Pode ser que sua zona de conforto seja mesmo nunca parar, porque têm medo parar pra ficar consigo mesmo. Mas não importa muito. Chame um amigo, abra um clube, lute sempre que der, nas madrugadas de sábado pra domingo e saia de lá como alguém renovado. De um soco na cara da sua vontade em não mudar. Mesmo que sua vontade seja ficar na sua, na boa.

E por falar em clube, experimente um. Abra um Clube dos Cinco. Por mais estranho que possa parecer, te garanto que somos igualmente estranhos e não poderia haver coisa melhor.

Seja aquela pessoa que você quer conhecer.

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Não é tão difícil abrir um Clube dos Cinco. Normalmente ele fica onde você está, é seu best place. Veja só aquele rapaz que saiu da Filadélfia e foi parar em Bel-Air. Metido a vida loka encontrou naqueles mauricinhos uma família a quem amar e sentir amado. Assim como aqueles metidos a certinhos, viram naquele delinquente um irmão a quem recorrer.

Esse é o clube.

Então saia já daí! Fuja, corra! Amarre uns balões na sua casa e vá para as cachoeiras da América do Sul (que, em nosso caso, tá pertinho vai), como fez aquele velho ranzinza do Fredericksen (saudades da sua voz, Chico Anysio). Se for pra voar, é preciso deixar para trás alguns móveis, garanto que vale a pena.

Navegar é preciso. Tente buscar o horizonte, assim como aquela bússola do Jack Sparrow, que aponta para aquilo que você mais deseja. Ela tá lá, apontado, mas não vai por você. Cabe você a ir. E olha, há tanta gente atrás de uma bússola dessa. Antes que me esqueça, Jack Sparrow não, desculpe. Capitão Jack Sparrow.

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Muita coisa né? Eu sei, também acho, bastante. Mas não disse para fazer tudo de uma vez. Ninguém seria maluco. A gente vê muito isso nos filmes.

Por aqui é meio diferente. Quando o episódio de vinte minutos de uma série acaba, ainda estamos por aqui. Eles não.

Vá no seu tempo, no seu ritmo. Andando, correndo, trotando, seja lá como for, mas vai.

Só não pare.

Nenhum tempo é perdido. Renato Russo já falava isso, desafiando o próprio título da música.

Temos nosso próprio tempo para dar uma saída dessa zona de conforto e nunca mais voltar.

Nem para um oi.

Esse é o convite pra quem você quiser.

Até pra você mesmo.


Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo..
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