toca a fita

Um mixtape de música, filmes, livros e cotidiano

Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo.

Mano Sabotage

Sabotage, cada vez que revisitamos seus álbuns, a impressão é a de que ainda está aqui, falando com a gente, da maneira como sempre falou. Mas me responda se suas letras continuam atuais ou, mesmo após tantos avisos em versos, a gente ainda não tenha mudado nada.


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Mano Sabotage, o rap costuma ter dessas

Talvez pela poesia ser democrática e acessível a todas as classes e etnias, por ela ser o elo entre pessoas de vários cantos da cidade, por conta de tudo isso, a poesia nos aproxima intimamente daquilo que se propõe.

Você pode morar a quilômetros de distância de um poeta e, mesmo assim, com suas rimas e versos você se sente, ou compreende, o que ele vive, revivendo em cada verso a noção que tem da sua realidade.

“Rap é o som e mora lá no morro, só louco a união não tem fim. Vai moscar, se envolve jão! Já viu seus pivetes dizer que rap quer curtir? Ouvir te fortalece, mas não se esquece: quem conclui é o mestre.”

Você entende que as coisas são muito mais do que aquela bolha que te envolve e peço para que não se sinta culpado por isso. Pelo contrário, agradeça que tenha seus olhos abertos, porque no final das contas, é disso que estamos falando, não é mesmo?

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Então lá do Brooklin, no Canão, tem um mano, e falo “tem” porque esses poetas, enquanto lembrados, ainda vivem, num verso ou outro, com seu dialeto certeiro, por vezes sujos e com um vocabulário mundano (ginga e fala gíria, gíria não, dialeto!) te falava da importância do compromisso, da paciência e de como é difícil, foda mesmo, mas ainda sim, o jeito é esse em seguir em frente.

“Sabote Canão, convoca no som a paz dos irmãos de toda quebrada. Sabotage mano Anisio, eu vejo, confiro, analiso, um branco e um preto unido, respostas que cala o ridículo”

Lembre-se que um bom lugar se constrói com humildade, assim diz o mano Sabotage em seu último freestyle e canetadas numa folha do papel.

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É sempre interessante observar que, apesar do álbum ser a coletânea das canetadas do rapper que foram rascunhadas, tanto no papel quanto no som, há um bom tempo, ela continua sendo atual. Claro que isso nos abre precedente pra pensar se suas letras continuam atuais ou se, mesmo após tantos avisos em versos, a gente ainda não tenha mudado nada.

Talvez esse tenha sido o recado do rapper. Talvez tenhamos que sair da nossa zona de conforto, de entender que as mudanças ocorrem e elas tem que ocorrer mesmo e que o melhor caminho para isso é na fé de que tudo vai dar certo, por pior que seja o cenário.

Afinal de contas, se você não corre por você mesmo, vai correr por quem? Aliás, se não mudar, quem correrá contigo?

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“Seja em tempo de bonança ou em tempos de tempestade, de verdade, Maurinho, Mauro Mateus, vulgo Sabotage. Cumpade, sinto saudades reais das novidades, das risadas, das ideias avançadas, que fizeram a cabeça de tanta gente. Ao longo desses anos e continuam por aí pairando no ar, inspirando quem segue e quem inicia a saga de começar a rimar.”

É difícil Sabotage, mas a gente vai caminhando, sempre resistindo. Uma hora a gente aprende. A gente tem que aprender.


Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo..
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