toca a fita

Um mixtape de música, filmes, livros e cotidiano

Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo.

Quando se atinge o auge

A série cresceu e já não se tratava mais de uma criança e uma adolescente atrás das sete esferas do dragão. Se tratava de algo maior, mais adulto e, porque não, mais sério. Ainda sim, em meio a tudo isso, sentimos que ali havia coração. E, por ainda possuir coração, já nos basta.Talvez seja a coisa mais essencial que deva existir em nosso amadurecimento.


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Vamos combinar que não é preciso discutir muito, caso eu te pergunte qual foi um dos auges da sua infância, certo? A sua lembrança está logo ali, guardada com todo o carinho, num baú repleto de de esferas do dragão. Porque, cá entre nós, não haveria como ser diferente.

Uma saga em especial, faz com que essas lembranças ganhem cada vez mais força. Afinal de contas, como é que Akira Toriyama conseguiu nos envolver, capítulo por capítulo (e a gente lembra muito bem que era mesmo capítulo por capítulo por capítulo), nessa batalha tão especial e envolvente?

Para isso, a gente pode dividir cada ponto da seguinte maneira: Essência, Destino, Vegeta, O Antagonista, A Estratégia, A Grande Virada e a Pureza:

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Essência: O encontro épico desses dois personagens teve, como fio condutor, a essência do anime: a busca das esferas do Dragão. Muito tempo se passou, os personagens cresceram e a jornada passou a exigir desafios cada vez maiores. Talvez entenderíamos se as esferas fossem deixadas de lado. Porém, o autor é fiel a sua essência e somos presenteados a mesma jornada que o Goku fazia quando criança. Sua memória afetiva quanto a série está a salva! Mesmo com a adição de personagens e planetas, as sete esferas ainda são o centro da história e a motivação dos personagens. Com isso, temos um dos principais pontos que ligará o encontro entre Goku e Freeza: O destino.

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Destino: O ponto essencial que faz com que esse embate se torne o pilar do anime é a predestinação de ambos. Praticamente nasceram para se enfrentar.

Freeza era uma ameaça de níveis inimagináveis e seu nome atravessava todo o universo. Ele dizimou um planeta e toda (quase) raça Saiyajin, usando apenas um dedo! Com as sequencias de conquistas planetárias, se interessou pela lenda das Esferas do Dragão, pertencentes a um longínquo planeta chamado Namekusei. A lenda dizia que, aquele que reunisse as sete esferas, convocaria um dragão e o mesmo daria o direito a desejar qualquer coisa. Como a imortalidade!

Já Goku, após uma grande batalha contra os Saiyajins Vegeta e Napa, vê a morte de seus amigos, dentre eles Piccolo, cujo mesmo tinha uma ligação de corpo e alma com o Kami Sama, ou seja, se e um morresse, o outro também morreria. E, como o Piccolo e, por consequência, Kami Sama morreram, as esferas do Dragão da Terra deixaram de existir. O que fazer para reviver seus amigos? Ir para o planeta natal de ambos. Com isso, a teia do destino de ambos começa a se costurar. Por falar em teia...

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Vegeta: a saga do Freeza foi responsável por estabelecer um dos melhores coadjuvantes do anime: Vegeta. E sua ligação com todos, ainda mais com o Kakaroto, vai se tornando cada vez mais umbilical. Veja bem, ele é o príncipe dos Saiyajins, orgulhoso da linhagem e da sua raça, sendo obrigado a trabalhar para seu principal nêmese, engolindo seu orgulho e se humilhando enquanto planejava sua vingança. Vegeta também conscientizou Goku quanto às suas origens e como o mesmo deveria proteger e orgulhar- se dela, mesmo sendo através da vingança.

Vegeta, príncipe dos Saiyajins. Freeza como o imperador do mal. Goku enviado a terra para destruí-la. Freeza destruindo o planeta dos saiyajins no momento em que dois deles não estavam por lá. Com isso, a nossa teia vai interligando todos os personagens através de simples sete esferas do Dragão.

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O antagonista: Freeza é o ser mais poderoso do universo e o Akira Toryama faz questão de nos lembrar durante toda a batalha. Por mais que acreditássemos em Goku, temos a noção de que, pela primeira vez, ele não será páreo para alguém. O antagonista ainda se dá ao luxo de realizar alguns jogos, como batalhar somente com os pés, por puro prazer em encontrar o único Saiyajin de linhagem pura. Nesse momento entendemos que não há saída. Talvez por isso, era necessário um pouco mais de força...

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A estratégia: Goku entendeu que Freeza é muito superior que ele. Devido a isso seria necessário muito mais que força. Seria necessário algo a mais, a inteligência no campo de batalha. Esse é o primeiro ponto da virada: a Genki Dama não foi a toa.

Goku percebe que, assim como os outros saiyajins, Freeza não consegue identificar e mensurar o ki do adversário sem seu aparelho. Daí vem a ideia de usar um dos golpes mais poderosos e arriscados por, simplesmente, ele ser composto inteiramente de ki. Novamente, a Genki Dama não foi à toa.

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A grande virada: A dramaticidade e o nível épico da luta fizeram com que o espectador não se cansasse. Freeza não morreu com a poderosa Genki Dama e, ainda por cima, feriu gravemente o Piccolo e matou o Kuririn! Temos o nosso primeiro plot twister que já havia sido cantado desde o início da saga, com o Goku se transformando no lendário Supersaiyajin.

Não bastasse isso, Toriyama nos surpreende com um Freeza condenando o planeta para a destruição em cinco minutos. Temos um guerreiro lendário e um vilão temido por todo o universo sozinhos num planeta destinado a autodestruição.

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A pureza do personagem: Talvez um dos pontes de maior destaque desse embate. Desde a sua criação, temos em Goku a imagem da pureza. Seja no começar da jornada com a Bulma, no seu medo de agulha após a primeira batalha contra o Vegeta. Por isso, em meio ao inimigo que dizimou toda sua raça, em um planeta prestes a explodir, vemos manter sua pureza, sendo ele mesmo, ainda que, para isso, prefira que Freeza viva com o orgulho ferido a matá-lo. No auge da adrenalina, ele prefere parar com a luta sem sentido e ir embora. Dessa maneira, Toriyama consegue mostrar o que faz de Goku um personagem único na série.

A série cresceu e já não se tratava mais de uma criança e uma adolescente atrás das sete esferas do dragão. Se tratava de algo maior, mais adulto e, porque não, mais sério. Ainda sim, em meio a tudo isso, sentimos que ali havia coração. E, por ainda possuir coração, já nos basta.Talvez seja a coisa mais essencial que deva existir em nosso amadurecimento.

Agora, se vocês me derem licença, preciso rever alguns episódios de Dragon Ball Z e já volto.


Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo..
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