toca a fita

Um mixtape de música, filmes, livros e cotidiano

Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo.

O walkman do Senhor das Estrelas

Com isso temos a música como um personagem bem forte nos filmes dos Guardiões da Galáxia. Ela é o elo de Peter com sua casa, o amor entre mãe e filho, sua bússola para a vida, o assunto não resolvido com o pai, sua identificação como humano. A música nos faz mais humanos. Mais vivos. E que assim seja em todo o universo.


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“I can’t stop this feeling deep inside of me.

Girl, you just don’t realize what you do to me.

When you hold me in your arms so tight you let me know everything’s all right.

I’m hooked on a feeling.

I’m high on believing that you’re in love with me”

Foi com Hooked on a Feeling, do Blue Sweed, que fomos fisgados pelo walkman do Senhor das Estrelas, desde o primeiro trailer do primeiro filme.

E sabe porquê? Simples. A música é um personagem do filme. Faz parte da equipe e não se limita a ser uma gag.

A música é um dos Guardiões da Galáxia! As fitas do Senhor das Estrelas não tocam nos seus fones à toa. Suas funções são de grande importância para a história.

Ela é o elo que o Peter Quill tem com a Terra e a principal lembrança da sua mãe, Meredith. Um presente feito com carinho, cada música selecionada com cuidado por ela. Cada uma com uma mensagem particular. Era como se a sua mãe tivesse batendo um papo com ele.

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A primeira cena do filme é o Senhor das Estrelas dançando. Como não imaginar que a música é fundamental para ele?

Nesse ponto, as músicas é a personificação do amor da mãe pelo filho.

Os filmes oitentistas que o Senhor das Estrelas vive citando como base para seus argumentos e filosofias de vida, estão presentes, também, em seu tocador de fita. Seu walkman toma para si o papel de bússola para o nosso protagonista.

Um ponto engraçado é o fato da música se tornar um dos fatores que caracteriza o Peter Quill como um humano. Veja só, temos um universo inteiro de possibilidades, dos mais diferentes seres de diferentes níveis, de um semideus e ninguém, ninguém mesmo, conhecia essa coisa tão interessante chamada música.

Essa Guardiã da Galáxia também funciona como um poderoso meio narrativo. A cena que me vem à cabeça quando penso nisso se dá no segundo filme dos Guardiões, com a música The Chain, do grupo The Fleetwood Mac.

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“And if, you don’t love me now, you will never love me again.I can still hear you saying, you would never break the chain/ E se você não me ama agora, você nunca me amará de novo. Eu ainda posso ouvir você dizer que nunca quebraria a corrente”

Peter e seu pai, Ego, estão se confrontando. Esse é o momento de maior tensão entre os dois. Pai contra filho. Criador e criatura. O filho renegando a possibilidade de ser imortal para ficar com seus amigos que tanto ama. Ali, naquele momento, os laços seriam quebrados para sempre.

É quando entra o refrão da banda The Chain ilustrando perfeitamente todas essas emoções. Nenhum diálogo seria tão claro quanto a letra dessa música, encaixada perfeitamente nesse momento.

Com isso temos a música como um personagem bem forte nos filmes dos Guardiões da Galáxia. Ela é o elo de Peter com sua casa, o amor entre mãe e filho, sua bússola para a vida, o assunto não resolvido com o pai, sua identificação como humano.

A música nos faz mais humanos. Mais vivos.

E que assim seja em todo o universo.


Rafael Moreno

Aquele clima despretensioso dos filmes dos anos oitenta, com uma dose de Tarantino e uma boa trilha sonora ao fundo..
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