todas as frequências

Se não me permitires escrever, de que me vale a liberdade de sonhar?

Márcia Carvalho

Espero que tenham gostado.

Defina família e aprenda a respeitá-la

Com tanto a mudar, com tanto a fazer, com tantas lutas a vencer, com tantos exemplos negativos de intolerância por ai, ainda querem nos dizer como devemos amar, como devemos viver.


wall002.jpg

Imagine-se vivendo no planeta Terra do filme Wall-E. Da espécie humana ficaram apenas as lembranças e um completo rastro de destruição causado pelo consumo exagerado e o acúmulo do descaso com o meio ambiente. Imagine agora que em meio a solidão você encontra um robô e um inseto e passa a conviver com eles como se fossem uma família. Estabelecer-se-ia ali uma relação de amor, respeito, proteção e talvez alguns conflitos, já que todos – inclusive, o robô e o inseto - tem sentimentos genuinamente humanos e, portanto, as diferenças seriam perfeitamente naturais. E apesar das dificuldades viveriam juntos, sofreriam juntos, compartilhariam experiências espetaculares como viajar no espaço, testemunhar o amor nascer outra vez com a chegada de E.V.A e ter a chance de participar da magnífica aventura de reconstruir a vida na Terra.

Imaginou? A vida real é assim, uma aventura constante e se você tem uma família sabe muito bem que a aventura pode ser positiva, ou não. Não é a lei que vai dizer.

Usei o exemplo do Wall-E para ilustrar porque gosto muito da animação. Já assisti inúmeras vezes e sempre me emociono. No cinema há, no entanto, dezenas de outros exemplos de modelos de família não convencionais. Em comum, a mensagem de que é possível amar independentemente de cor, status social, opção sexual e espécie, além de mostrar que formar uma família é um desejo natural quase sem querer de quase todos os seres vivos. E portanto, muitas famílias se constituem sem, propriamente, atender o padrão tradicional e legal da norma. O que é estranho e inaceitável para um grupo seleto de pessoas, pode ser a vida feliz do outro. Que tal aceitar?

Essa interferência polêmica bem que poderia ser substituída por outras bandeiras, muitas delas já existem até e merecem mais atenção da sociedade. Mas, por conta dessa mania insuportável de querer provar quem está certo, quantas guerras aconteceram e quantas pessoas morrem até hoje?

Essa polêmica do “Estatuto da Família” limita os direitos das famílias não tradicionais apenas na lei. Não os impede de amar, mas, os marginaliza e os coloca em perigo. O amor e o respeito estão cada vez mais raros e ainda se discutem formas de dizer quem pode ou não, viver em paz. Retrocesso, essa é a palavra.

E quantas crianças estão ai precisando de amparo? E quantos casais homoafetivos desejam adotar uma criança e são por muitas vezes barrados ou, têm que erguer verdadeiras montanhas para tirar uma criança de uma instituição para criá-la com decência?

Porque “decência”, na opinião de muitos, diz respeito ao modelo tradicional de família. E desde quando a lei garante que somente a família segundo o estatuto – ainda em votação - é capaz de ensinar para uma criança os valores necessários para que se tornem homens e mulheres decentes? Se isso fosse mesmo verdade a sociedade não teria tantos problemas. É óbvio.

Não sou contra a família tradicional, nem de longe. Sou a favor de respeito às diferenças. Sou a favor de um país de fato democrático, onde os direitos constitucionais são para todos, independentemente, de onde vêm, das opções sexuais, da cor e do status. Utopia? Não sei, talvez.

Ainda que exista quem condene, acredito que delimitar direitos não é proteção. É criar barreiras, suscitar ira e preconceito; é impor a maneira como as pessoas devem amar e ir contra o Sermão da Montanha. É retroceder. E em nome de que?

Acho mais fácil tentar ser feliz. Deixar o outro amar como quer, ensinar nossos filhos a serem mais tolerantes. Pois a família, caros legisladores, quer queiram ou não, vai além dos laços de sangue e dos “padrões” impostos por gente que não sabe o que é amor, ou que pensa que amar é isso que dizem. Alterar o texto e dar a todos o mesmo direito é simplificar as vidas, complicadas demais por tanta falta de amor e de respeito.

Wall-e

Na última cena de WALL-E todos se unem com um só propósito: recomeçar. É uma grande família disposta a vencer desafios maiores do que um simples projeto de lei. E como elas, na vida real existem várias outras Tomemos esse exemplo e sigamos em frente.


Márcia Carvalho

Espero que tenham gostado..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Márcia Carvalho