todas as frequências

Se não me permitires escrever, de que me vale a liberdade de sonhar?

Márcia Carvalho

Espero que tenham gostado.

Até onde você consegue ir?

Eu diria até onde você quiser. As decisões estão na tua mão. Você é senhor do teu destino, como tantas outras frases feitas. Se fosse apenas assim, seria tão fácil. Mas, há muita poeira por baixo do pano. Viver não é fácil. Desistir, sim. E se você acha que esse texto é alguma espécie de autoajuda, engana-se. Não existe fórmula, a vida é essa mesma. Tudo depende da forma como encaramos a vida, ou de quantos calmantes estamos dispostos a tomar.


Daí você acorda feliz e vai cumprir todas as suas obrigações cotidianas, relaciona-se, às vezes sofre, às vezes ignora, às vezes é feliz com as pequenas ou grandes conquistas, ou endurece o coração até criar um crosta bem grossa e fica sorrindo docemente, mesmo que estejas sentindo as piores dores para que ninguém te acuse de ser grossa, chata, pesada, amarga, mal amada e uma série de adjetivos depreciativos e desumanos. Quando de fato sentir isso é mais humano do que qualquer outra invencionice, criada por algum estudioso, que perpassam os séculos e dão crias acadêmicas capazes apenas de reproduzir esses conhecimentos. (Atente! Não estou generalizando) A verdade é que não interessa para ninguém os teus problemas. A não ser para os que verdadeiramente se preocupam e não fazem aquele sorrisinho amarelo enquanto você se vira pra ir embora.

Não é exagero, é verdade. O mundo está incrivelmente cruel. Ninguém aceita o erro e se errar não pede desculpas. Gentileza, essa então... Onde foram parar os valores da minha geração que brincava na rua, caçoavam do amigo e no dia seguinte estavam juntos brincando novamente? Mais uma vez não quero generalizar. No entanto a sociedade virou uma grande bola de interesse. Você vale o que você tem. É isso? Ou estou enganada? Eu me recusava a aceitar esse discurso simplista e pobre, até que a realidade caiu sob minha cabeça com o peso de uma bigorna.

Uma tristeza foi tomando conta de mim e fui ficando deprimida, esse diagnóstico me chocou. Logo eu? Não acreditei quando não conseguia me levantar da cama. Com certeza não sou a única a me sentir assim, milhares de pessoas sofrem desse mal terrível. É fácil dizer que não há motivo para tanto.Afinal que motivo eu teria? Eles diziam isso é preguiça, ou que bobagem a vida é assim. Mas, não sentiam a minha dor. Foram muito anos até eu me convencer de que precisava de ajuda.

Minha sorte é ter amores verdadeiros que me cercam todos os dias, porque desistir é fácil, eles estenderam suas mãos e ajudaram a tomar uma série de providências. E agora sinto-me novamente no controle da minha vida. Pena que a gente endurece, lembra? Cria uma casca grossa e impõem tantos limites que vai desistindo dos outros com mais facilidade. Inclusive aqueles que te deixaram pra trás. Chamam isso de maturidade emocional. Eu concordo.

Lembro-me da frase "Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás", hoje puro romance - Então você se isola, para pra pensar no que vale realmente a pena e reconhece que a unanimidade é burra. Tenho presenciado um retrocesso tão grande de falta de amor, de valores interrompidos, de falta de respeito com as crenças e diferenças que me pergunto: Existe alguma verdade além daquela que querem que acreditamos? Não sou uma idealista, agora menos otimista e mais temerosa. Porque o amor- falo de fraternidade - é raro. Peço a Deus para não perder o tiquinho de esperança que me resta. Peço entendimento e sabedoria para me defender quando for necessário e não ferir ninguém durante meus exageros, mesmo que mereça.

A impulsividade e a dor nos leva a caminhos tortuosos. Encarar a vida com força e fé até os últimos dias de existência que Deus, ou a sabedoria divina que nos rege nos deu é um presente e deve ser honrado até o fim. É o que nos resta.

Agredir, assassinar, linchar - como o caso violento que aconteceu recentemente em São Luís - acusar ou, simplesmente, dar as costas para quem precisa é uma covardia que qualquer um de nós deverá responder nessa, ou, quem sabe, na próxima vida que nos espera. Evoluamos, então. #maisamorporfavor

Foto Biné Morais.jpg

Foto: Biné Moraes - O Estado


Márcia Carvalho

Espero que tenham gostado..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Márcia Carvalho