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Se não me permitires escrever, de que me vale a liberdade de sonhar?

Márcia Carvalho

Espero que tenham gostado.

Depressão: testemunho de um mal que nos consome

O diagnóstico certeiro não me deu opções de continuar a viver a rotina que eu conhecia, que estava acostumada e que acreditava ser a maneira mais prática de cumprir minhas obrigações. Era preciso mudar, repensar cada passo, jogar fora do barco tudo que sem eu notar afligia meu estressado e frágil corpo. Eu estava deprimida, já há algum tempo, mas não aceitava a situação, considerava um melindre passageiro e acreditava que matar um leão por dia era o suficiente para continuar viva. Então eu decidi viver.


depressão Aos 37 anos, uma filha pra criar sozinha, dois empregos e uma vida frenética. Eu não tinha tempo pra perceber os sinais que meu corpo enviava, por conta de uma aparente calma que me convencia de que a minha vida seguia o percurso natural e próprio da profissão que eu havia escolhido. Mas, eu havia me tornado uma bomba ambulante, daquelas que basta puxar um fio para explodir o mundo do qual eu faço parte.

E foi assim... após três noites sem conseguir dormir, começaram a tomar conta de mim inúmeras preocupações e sentimentos que antecipavam sofrimentos sem sentido; a angústia, a falta de ar e a sensação de que as paredes do meu quarto me comprimiam impediam-me de racionalizar minhas ações. O único pensamento que me vinha à cabeça era que eu precisava morrer. O motivo não era claro. Eu sentia dores na alma, rejeitava a mim mesmo; meu coração batia forte, o medo e o total descontrole me impediam de levantar da cama. Minha existência não fazia sentido algum. Eu só pensava em quantos comprimidos ainda seriam necessários tomar para que eu conseguisse por fim àquele sofrimento. Por sorte, bastaram alguns cortes para que eu acordasse daquele transe infeliz e pudesse pedir socorro, antes que algo pior acontecesse.

O diagnóstico certeiro não me deu opções de continuar a viver a rotina que eu conhecia, que estava acostumada e que acreditava ser a maneira mais prática de cumprir minhas obrigações. Era preciso mudar, repensar cada passo, jogar fora do barco tudo que sem eu notar afligia meu estressado e frágil corpo. Eu estava deprimida já há algum tempo, mas não aceitava a situação, considerava um melindre passageiro e acreditava que matar um leão por dia era o suficiente para continuar viva. Então eu decidi viver.

Ouvir da médica que eu estava com depressão foi como sentir o chão fugindo sob meus pés.Logo eu?! Mas, era fato consumado. Eu estava doente e precisava me curar para não morrer e deixar a minha filha sozinha no mundo. Foi duro e muito difícil aceitar minha atual condição. Outro golpe veio com a obrigação disciplinante da medicação. Sem tomar os remédios eu não teria alta, sem fazer terapia e mudar todo o meu estilo de vida, aumentava o risco de passar por outra crise que poderia ser mais forte e, provavelmente, fatal.

Dois meses após o surto compreendi que entender a depressão como doença é um dos grandes desafios de quem a tem. Tratar seus altos e baixos é como entrar em túnel com poucas passagens de luz. Você não sabe o que pode acontecer amanhã, pode apenas prevenir, com ajuda da medicação, a instabilidade emocional que ela proporciona.

O conceito é amplo:

“A depressão é um estado de humor depressivo e aversão à atividade que pode afetar os pensamentos, comportamentos, sentimentos e sensação de bem-estar de uma pessoa. As pessoas deprimidas podem sentir-se tristes, ansiosas, vazias, desesperadas, preocupadas, impotentes, inúteis, culpadas, irritadas, magoadas ou inquietas”. (Wikipedia) Era justamente assim que eu me sentia, mas me recusava a enxergar o óbvio, porque o óbvio nem sempre é claro e passa despercebido na correria que nos submetemos em nome da nossa própria existência. Eu considerava os sintomas como reações normais aos acontecimentos diários e negligenciava fazendo-me de forte. Quando eu dormia, amanhecia cansada e quando não consegui mais dormir fui atingida por uma série de reações desagradáveis.

Foi e continua sendo difícil encarar a depressão. Mas, fica o conselho: Se você reconhece qualquer destes sintomas é preciso falar com alguém a respeito. É vital procurar ajuda. Você não poder ter vergonha. No mundo milhões de pessoas sofrem esse mal todos os dias. No silêncio da noite, a depressão pode destruir emocionalmente um ser humano, afastar pessoas ou te levar a morte. A boa notícia é que a depressão tem cura, basta encará-la de frente. Como a diabetes ou qualquer doença crônica necessita de medicamentos, não existem meios termos.

Se você a reconhece, dá o primeiro passo para a cura. Somos perfeitamente capazes de vencê-la. Ao tratá-la, agarre-se à máxima: Enquanto há vida, há esperança. Agradeço a quem sempre esteve ao meu lado pelo apoio. Agora, resta seguir em frente e de cabeça erguida.


Márcia Carvalho

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