Krissia Gomes

O que você deixou.

Você deixou filmes, músicas, saudade e várias folhas soltas numa gaveta qualquer.


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Eu sinto a sua falta, principalmente quando eu perco o sono e fico revirando memórias em minha mente, talvez seja porque você faz parte de uma época boa, talvez simplesmente porque costumávamos conversar até tarde.

Às duas da manhã, falando sobre a vida, o céu, o futuro, as escolhas, eu e você. Eu sinto a sua falta quando ouço aquela música, ou aquela outra, talvez um álbum inteiro daquela banda meio indie que a gente amava odiar ou odiava amar (não faz diferença). E também quando vejo aquele filme, ou aquele outro, ou aqueles dez que estão na nossa lista de melhores filmes de todos os tempos, ou melhores filmes trash de todos os tempos ou talvez daquela lista de melhores filmes com mulheres como protagonistas (de todos os tempos) que eu obriguei você a fazer.

Você lembra daquela lista que fizemos para testar quem conhecia melhor o outro? Nós tínhamos uma queda por listas. E tenho que confessar que eu menti na última pergunta só pra você pensar que não me conhecia tanto assim, mas você sempre me conheceu mais do que eu te conhecia, do que eu me conhecia.

E eu sempre estive certa e errada ao mesmo tempo, mesmo que fosse da minha maneira distorcida de ver as coisas, imersa em minha eterna crise existencial egocêntrica (sou aquariana, poxa!). Mas crises existenciais são egocêntricas, que outra maneira elas poderiam ser?

Mas sinceramente eu pensava que no final tudo seria como um filme ou um livro desses “água com açúcar” que eu adoro, você defendendo o Tom e eu a Summer nessa “história de não amor”, a nossa, não a deles. Daríamos a volta ao mundo e nos encontraríamos no mesmo lugar, mas diferentes. E enfim, eu sentiria que estaria tudo certo. Com um final com a trilha sonora perfeita, talvez The Smiths, talvez The Beatles… Mas não foi assim, a gente esquece que não tem o tempo todo e nem a vida toda pra poder fazer as coisas ficarem perfeitas, pra nós nos tornarmos perfeitos, isso não existe.

E que na vida a gente arrisca sempre e tudo acaba sendo uma questão de sorte, isso mesmo, nós pensamos tanto, analisamos tanto, nos esforçamos tanto pra tudo ser apenas questão de sorte. Ou destino, ou seja lá no que você acreditar e que apesar de eu estar no mesmo lugar e estar diferente, não tem você e nunca mais vai ter. E o pior é que eu não pude dar adeus. Não tivemos nem um The End.

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Talvez esse seja o nosso The End.


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