Luísa Bem Dal Pozzo

Estudante adoradora do cinema, da literatura, do teatro e da música. Por vezes, arrisca escrever um texto carregado de sentimentalismo (quase piegas, eu diria).

Como areia na ampulheta


Hoje acordei com vontade de olhar fotos, recados e coisas antigas (ou nem tão antigas). Abri algumas pastas no computador, remexi nas gavetas, procurei álbuns de fotografia. Enquanto eu ia olhando, relembrava de cada momento, cada recadinho na agenda, cada desenho. Das fotos muito antigas, certamente não consegui lembrar com clareza, mas fiz um esforço mesmo assim para ver se algum resquício de memória surgiria. E lembrei. E deu saudade. Muita saudade. E doeu muito. Mesmo as lembranças mais alegres, os melhores momentos, machucaram quando os revi. Doeu porque passou. Passou e não volta mais. NUNCA mais. Pode até ser que a vida nos reserve ainda melhores do que aqueles, mas a verdade é que gostaríamos imensamente de pausá-la nos momentos mais felizes, ou voltar no tempo para vivê-los mais uma vez. E desta vez com muito mais intensidade, a fim de aproveitar cada segundo, cada nuance, cada inspirada e expirada de ar para carrega-los para sempre conosco.

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Gostaria de trazer comigo uma lembrancinha de cada dia da minha vida. Mesmo dos dias tristes, para não esquecer que não se é feliz sempre, mas que cada tristeza serve para não deixarmos de buscar a felicidade. Talvez fosse um pouco sofrido ficar guardando e relembrando momentos, afinal sentir saudades não é tão bom como algumas pessoas dizem. Se fosse tão bom, a gente não ficaria triste, não choraria e não sentiria um vazio no peito quando nos lembramos de coisas que não voltam mais. Sentir saudade só é bom quando é por pouco tempo, quando ela serve para fortalecer laços e sentimentos, como quando vamos morar fora de casa e sentimos falta do aconchego do lar, do carinho da família e da comida da mãe; ou quando ficamos com saudade do namorado ou da namorada depois de uma semana longe. Aí quando chegamos à nossa casa e ganhamos o abraço da mãe, do pai, um beijo do namorado, é a melhor sensação do mundo! Mas quando sentimos saudade de alguém que já morreu ou de algum momento que nunca mais vai se repetir, pelo menos não nas condições nem com as pessoas que gostaríamos, aí dói. Muito. Por mais alegres que tenham sido essas lembranças, por mais que tenhamos nos sentido bem durante aquele tempo, dói pensar que são coisas que nunca mais vão voltar. Dói saber que você nunca mais vai poder abraçar aquela pessoa, nem dizer o quanto a amava. Dói demais ver que você nunca mais vai ser criança, ver que você perdeu sua inocência, ver que você nunca mais vai ser adolescente e poder aproveitar todas aquelas festas loucas da juventude, e nunca mais vai ser colega dos seus antigos amigos de escola, de onde você tanto queria sair quando ainda lá estava. E depois que tudo isso passa é que nos damos conta e dizemos para nós mesmos o que tanta gente já nos havia dito: “devia ter aproveitado mais”. Pena que quando finalmente percebemos essas coisas já é tarde demais, ou temos pouquíssimo tempo para aproveitar o que ainda nos resta.

images (1).jpg "Aonde foram todos os anos?"

Depois de tantas divagações e lembranças, colocamo-nos a refletir. A vida realmente passa num segundo, num piscar de olhos. A vida é um sopro. Temos muito pouco tempo para fazer tudo aquilo que gostaríamos, pouco tempo para atingir nossos objetivos. Cada segundo conta. Aí passamos um tempo imenso de nossas vidas fazendo planos para o futuro. Futuro esse que não sabemos nem se um dia vai chegar. Gastamos nosso precioso tempo pensando no depois, pouco nos preocupando com o agora. É por isso que depois choramos, sentimos saudade, e nos culpamos pelos dias, horas, minutos perdidos arquitetando uma vida perfeita quando deixamos a vida real escorrer pelos nossos dedos como areia numa ampulheta.


Luísa Bem Dal Pozzo

Estudante adoradora do cinema, da literatura, do teatro e da música. Por vezes, arrisca escrever um texto carregado de sentimentalismo (quase piegas, eu diria)..
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