Luísa Bem Dal Pozzo

Estudante adoradora do cinema, da literatura, do teatro e da música. Por vezes, arrisca escrever um texto carregado de sentimentalismo (quase piegas, eu diria).

La La Land, um conto de fadas pra mostrar que a vida não é um conto de fadas

O filme com maior número de indicações ao Oscar 2017 pode até parecer com um enredo simplista e até clichê. No entanto, além de visualmente bonita e de contar com uma trilha sonora belíssima, a obra chega para quebrar expectativas e também nos dar um choque de realidade.


La La Land, o novo filme do jovem diretor Damien Chazelle, concorreu ao Oscar em 14 categorias, igualando-se a clássicos como Titanic e Ben-Hur, e levou 6 estatuetas – incluindo Melhor Atriz (Emma Stone) e Melhor Diretor.

et_bestactressfblive_emma_022617_hulu_ren640.jpg Emma Stone levou o Oscar de melhor atriz

O longa musical resgata, com muita sensibilidade, a cultura e o estilo de filmes típicos dos anos 1950, 1960 apesar de se passar nos dias atuais. Com um figurino e uma fotografia belíssimos, o filme encanta os olhos, é visualmente muito bonito. A trilha sonora também marca presença por ser de uma sonoridade muito agradável, com músicas sensíveis, alegres e emocionantes. Apesar de ser um musical, não conta com tantos momentos dançados e cantados, o que faz com que seja uma boa pedida até para quem não curte muito o gênero. Os dois atores principais – Emma Stone no papel de Mia, e Ryan Gosling como Sebastian – entraram tanto em seus personagens que dispensaram dublagem e aprenderam eles mesmos a cantar, dançar e tocar para representarem com mais naturalidade seus papéis. E essa excelente atuação rendeu a ambos diversas indicações para premiações no mundo todo, incluindo o Oscar.

O enredo parece bastante simples (até clichê, eu diria), mas isso não desmerece em nada o brilhantismo da obra. Trata-se de dois jovens, Mia, que tenta insistentemente ganhar a vida como atriz, e Sebastian, um músico apaixonado pelo jazz de antigamente. A história acompanha os dois jovens na onírica cidade de Los Angeles, conhecida por ser a cidade das estrelas, mas que também é capaz de destruir e esmagar sonhos, levando embora a esperança e partindo corações. A história desenrola-se muito bem humorada, com cenas divertidas – até engraçadas -, mas sem perder a elegância e a delicadeza. Quando em dado momento os dois artistas encontram-se, o público já deduz o que acontece: eles se apaixonam, realizam seus sonhos e ficam juntos no final. NÃO! É aí que você se engana. Sim, o filme parece um conto de fadas, mostra momentos lindos e felizes do casal (sim, eles se apaixonam), porém também traz passagens de dor e frustração comuns a todos aqueles que sonham - bastante comuns aos aspirantes a artistas. É lindo, é alegre, mas também tem uma pontinha de melancolia e quebra de expectativa, o que torna o filme tão especial.

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Se você é artista (ou espera ser) com certeza vai se identificar com a história. Los Angeles é linda, cheia de brilho e alegria; contudo sabe ser cruel da mesma forma. E La La Land está aí para nos mostrar isso. A cidade das estrelas e a cidade dos corações partidos. La La Land apresenta-nos um conto de fadas no mais delicado estilo, mostra jovens que vão atrás de seus sonhos e que renunciam a muitas coisas na vida. La La Land é um conto de fadas, mas chega pra mostrar que nem sempre a vida é igual a um conto de fadas.


Luísa Bem Dal Pozzo

Estudante adoradora do cinema, da literatura, do teatro e da música. Por vezes, arrisca escrever um texto carregado de sentimentalismo (quase piegas, eu diria)..
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