todo ouvidos

Todo ouvidos

Letícia Barroso

Na amplitude, um grão de areia que não sabe pra onde vai. Gosto de explorar, sou curiosa do bem, gosto de conhecimento, mas sou preguiçosa também. Amo música, mas não tenho talento, nasci pras artes, pra escrita e pro novo.

E se? O sentimento do coração incompleto

A cabeça encosta no travesseiro e matuta o que poderia ter sido e acontecido. Matuta as possibilidades de um presente e um futuro que não existe.


E se

O coração é engraçado, uns dizem que ele recebe comandos do cérebro, outros, que ele funciona sozinho. “Você é dona dos seus sentimentos!” dizem. “Aproveita!” outros entoam sobre como curtir a vida. Tentar resolver e arranjar soluções para o problema alheio é, e sempre será mais fácil do que passar pelo mesmo que a pessoa passa.

É hilário perceber que todos têm muitas opções para uma vida que não os pertence. Todos têm a solução para aquele pé na bunda que o outro levou, todos têm a opção para o que afeta o coração e o pensamento do outro. “Não pense nisso, se controla!”. Como se controlar se é isso que ecoa na sua cabeça dia e noite?

É fácil perceber quando algo de atormenta, e é impossível esquecer algo que você queria que tivesse outro enredo. A frase “E, se?”. Toma conta dos seus pensamentos. De repente todas as suas decisões do passado vem à tona. A vida poderia ter sido diferente, mas você fez tudo o que pôde. Ninguém pode mandar nos seus sentimentos. Veem você triste, ou ao menos para baixo e te perguntam o porquê. Todos insistem que é bobagem, que há problemas piores no mundo. Mas e você? Você não é alguém que merece preocupação?

O eco da pergunta que nunca poderá ser respondida não merece atenção? O travesseiro parece ter pregos, você queria que sua vida fosse diferente. Queria que um namoro tivesse durado, queria ter mudado de emprego, ou passado mais tempo em algum lugar. Os sábios da vida alheira insistem em dizer que suas escolhas te conduziram ao seu atual estado.

Mas e se? E se você não tivesse dado ouvidos aos sábios da sua vida quando você tinha quinze anos? Insistiram que seria melhor você estudar humanas, quando você era bom em matemática. Falaram para não faltar a missa quando você queria assistir filme, te conduziram a uma vida sistematizada. Trabalho, casa, missa, estudo.

Sobre o sentimentalismo? Insistiram que era melhor não pensar muito. Namorado vem quando você não pensa sobre. Colocaram na sua cabeça regras que nunca existiram. “Não se envolve!”, “não se preocupe com quem você beija”, “ignora que homem é igual a chiclete”. “Onde já se viu a menina beijar no primeiro encontro e ainda mandar mensagem no dia seguinte? Vai assustar o rapaz!”

Regras que não fazem sentido. Pessoas que se importam em opinar e não em sentir. Jovens que estão perdidos entre o que é aceitável e o que é o certo. Entre o que as pessoas vão pensar e você vai sentir. Jovens que têm vontade de viajar o mundo, mas dependem, dependem da vida social, do dinheiro e da aceitação alheia. Pessoas que são chamadas de loucas por admitirem gostar de alguém. Pessoas que queriam mandar uma mensagem, mas estavam com medo. Que queriam aproveitar a noite, mas os bons costumes não deixaram. Pessoas que se arrependem e não se desconectam do “se” que persegue suas vidas.


Letícia Barroso

Na amplitude, um grão de areia que não sabe pra onde vai. Gosto de explorar, sou curiosa do bem, gosto de conhecimento, mas sou preguiçosa também. Amo música, mas não tenho talento, nasci pras artes, pra escrita e pro novo..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious //Letícia Barroso