todo ouvidos

Todo ouvidos

Letícia Barroso

Na amplitude, um grão de areia que não sabe pra onde vai. Gosto de explorar, sou curiosa do bem, gosto de conhecimento, mas sou preguiçosa também. Amo música, mas não tenho talento, nasci pras artes, pra escrita e pro novo.

Passo a passo para o esquecimento - um desafio para o intelecto.

Ouvi falar que pensamentos são controláveis, que assim que nos conhecemos bem, profundamente, somos capazes de pensar exatamente aquilo que queremos e somente isto. Não sei se é possível chegar nessa profundidade de auto conhecimento, mas deixo aqui minhas dicas para tirarmos proveito dos tempos ruins, dos pensamentos ruins ou até mesmo desviar aquele assunto que nos persegue a mente.


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Em tempos de tecnologia e de comunicação acelerada, quem prefere ler um livro à mandar mensagem para o amor perdido é rei. A tecnologia pode ser sim, facilitadora de acesso, ferramenta de quebra de distâncias, mas também pode ser a pior inimiga do esquecimento, ou da tentativa deste. Entre todos os poréns e polêmicas da tecnologia, esta quando desviada de função é mais maligna que qualquer doença.

A obsessão em sabermos onde o outro está, o que o outro está fazendo nos sucumbe a ponto de nos deixar sem ar, ansiosos e até mesmo depressivos acerca de nossas vidas. A tentativa de esquecer alguém e continuar acompanhando nas redes sociais são totalmente antagônicas. A possibilidade de seguir os pequenos passos de pessoas importantes que um dia fizeram parte da nossa vida é viciante. Uma olhadinha na página das redes sociais, uma mensagem inocente e ainda aquela fuçada em páginas que nem mesmos nós sabíamos que existiam é uma perda de tempo até mesmo para quem está de férias.

Esquecer não precisa ser não lembrar para sempre, mas desvio de pensamento, o aproveitamento de tempo e de energia para coisas que realmente podem trazer benefícios para o cotidiano. Então, para oferecer uma solução para os ladrões de tempo e para uma melhor tentativa de esquecimento dos momentos que não devem ser lembrados, lanço aqui um desafio. Garanto que esse desafio pode ser adaptável de acordo com a rotina e o gosto de cada um. O desafio se resume em trocas, que meu conhecimento empírico no assunto aprova.

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A primeira troca envolve o próprio pensamento. Ao pensar no nome de uma pessoa, que tal ouvir uma música alegre ou que te relembre outro momento com sua família e amigos? Transferir uma lembrança boa com uma pessoa que não te faz mais bem, por uma lembrança com aqueles que te querem bem é uma excelente alternativa.

Outra troca é sobre tecnologia. Com a facilidade de comunicação em qualquer rede social, enviar mensagens em agonia é tentador. Não digo que sentimentos devem ser escondidos, faça o que te faça sentir melhor, porém, quando o objetivo é o esquecimento, enviar mensagens pode fazer aumentar a agonia. O que é sugerido, é trocar a mensagem por cinco páginas do seu livro de cabeceira. Cinco páginas podem se tornar sete, que podem se tornar dez e assim a história te acolhe e pelo menos por esse instante a mensagem é deixada de lado.

O clichê de assistir séries também é uma boa alternativa, séries geralmente tem um enredo que exige foco e concentração, além de ser um ótimo passatempo. Assim como fumantes, que sempre sugerimos a troca do cigarro por uma bala ou qualquer outra coisa, a adrenalina de estar conectado o tempo inteiro à pessoas ou coisas também é viciante, por isso precisa ser levada à sério.

Além das séries, existem diversos filmes disponíveis no youtube, especialmente filmes brasileiros. Aumentar conhecimentos sobre a cultura nacional pode ser um jeito de driblar a saudade e ainda sair com uma ampla gama de informações sobre o meio artístico brasileiro. Cada mensagem pode ser promovida a um filme ou um episódio de uma série, o que não vale, é colocar justamente aquela produção de remete à pessoa ou ao momento.

O fácil é fazer uma lista de filmes, séries e livros, para que assim não faltem opções quando os pensamentos ruins vierem a tona. É claro que a intenção desse texto é a melhor possível, mas sabemos que, em tempos de depressão, dicas são rasas. Com isso, qualquer outro problema que não seja uma rasa bad amorosa ou raso sentimento deve ser tratado, aliás, tudo deve ser tratado com profissionais, essas são só maneiras de desviar o foco.

Falar dos sentimentos, fazer terapia também são partes importantes da evolução do ser. Afinal, somos plantinhas que merecem cuidado.


Letícia Barroso

Na amplitude, um grão de areia que não sabe pra onde vai. Gosto de explorar, sou curiosa do bem, gosto de conhecimento, mas sou preguiçosa também. Amo música, mas não tenho talento, nasci pras artes, pra escrita e pro novo..
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