tortografias e outras traduções

Pontos de vista, vírgula e algumas reticências

Fernanda Moura

Fernanda é formada em Filosofia pela Trent University e especialista em Filosofia Clínica pelo Instituto Packter. Amante das artes, de um bom vinho e muitas contradições

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    Sobre tramas, personagens e nossa capacidade de voar

    Poucas coisas são tão dolorosas e libertadoras quanto aquele momento em que tomamos a decisão de confiar nas próprias asas e voar. Afinal, a graça do voo está em saber deixar algo para trás, como uma raiz que se desprende do solo com a densidade do ar. Voar não é levitar. Levita quem não tem peso, não tem bagagem. Voa quem sabe espalhar as asas equilibrando o peso de uma história vivida deixando assim de sentí-lo em um só membro. O voo é o próprio peso transformado em ar.

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    A roupa nova do imperador, ontologia e o medo do outro

    Ao mesmo tempo que buscamos no outro o reconhecimento de nossa existência enquanto fenômeno, tememos, através do olhar crítico do outro, criar uma identidade indesejada sobre quem gostaríamos de ser. Receamos virar somente objeto e não um sujeito que se objetifica ao revelar-se em direção ao outro. Somos espelhos que se refletem e refratam na mesma medida.

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    Reticências

    Tem coisas que não merecem final. São reticências. São apenas momentos fugazes que aparentavam ser mais importantes do que verdadeiramente são. Como algumas ideias que temos e nos assombram a principio, mas em última análise eram fruto da nossa própria estupidez.

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    Terapia de bar

    A terapia não é um passatempo. Não é uma caminhada no parque. Não é um anestésico para as dores da alma.

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    Sobre Ser E Ter Filosofia

    Filosofar não é cantar de galo e saber mais do que ninguém. Filosofar é, em certa medida, não crescer. É deixar-se levar pelas dúvidas, perguntando como o faz uma criança. O exercício de filosofar mantém o ser humano em estado de aprendizagem. Achar que já não precisamos estudar, ler e nos descabelar tentando entender algum texto qualquer simplesmente porque já passamos nas provas finais ou já não estamos na faculdade, é o que leva a humanidade pouco a pouco a um vazio de frases feitas e compradas; à um mundo onde a falta de originalidade é sinal de status e pensar demais é perda de tempo.

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    Brilho eterno de uma mente sem lembranças e o péssimo hábito de querer ser feliz o tempo inteiro

    Achar que o amor e a felicidade vivem somente nos momentos de paz e tranquilidade é reduzir tais sentimentos a uma alegria simples e vulgar. Felicidade não é alegria. Amor não é necessariamente bom. Não há nada que seja totalmente bom ou ruim. Reduzir sentimentos a juízos de valor a respeito destes, é o mesmo que destruir sua natureza incerta e complexa.

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    Os Amantes da Pont-Neuf, Desamparo e Fogos de Artifício

    O que é o amor? Por que buscamos o amor incessantemente em nossas vidas? Qual o papel que o amor tem diante das dificuldades materiais e existenciais que enfrentamos?

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    O Último Tango Em Paris, Má Fé e a Responsabilidade De Nossas Escolhas

    A vida não tem volta. E por mais que nos abramos em tentativa de revelar nosso ser em toda sua autenticidade, sempre haverá fantasmas e maravilhas daquilo que poderíamos ter sido e nunca seremos, daquilo que poderíamos ter feito e nunca faremos. Daquilo que imaginávamos ser ideal e que se perdeu na tangível realidade da vida factual.

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    A Comilança e o Contra-Instinto

    O prazer não é uma busca eterna. O prazer são aqueles segundos onde não desejamos. São os momentos onde os desejos foram, momentaneamente, saciados dando lugar a outros desejos. São os segundos que seguem o coito, o deleite após uma refeição deliciosa. Em uma sociedade onde quer-se mais e mais, não há limites. Ninguém sabe onde e quando parar. Vive-se uma orgia de objetos mascarando nosso instinto de saber quando estamos satisfeitos.

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    YOLO, Wittgenstein e os acrônimos da internet

    Quanto mais aumentamos nosso conhecimento linguístico e utilização dos diversos níveis dos jogos de linguagem, maior o nosso universo. Temo que, neste sentido, ao utilizar acrônimos como forma de expressão, estamos encolhendo o nosso universo dia após dia, ao invés de expandir e transcendê-lo. A linguagem é um representação daquilo que vai dentro de nós. Daquilo que somos, pensamos, vivemos. Um signo linguístico que não é capaz de transcender aquilo que representa, não é um signo, é uma forma sem conteúdo.

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    O turista acidental, Perdas e a ilusão de Segurança

    Quem perde tudo, deve enfrentar a realidade de que por mais que se planeje, por mais que queiramos controlar nossas vidas, ela não é nossa para controlar. A vida, às vezes, pertence às circunstâncias que se instalam ainda que nossas escolhas verguem por outra direção. Algumas circunstâncias podem ser escolhidas, os acidentes não. Esta é justamente a natureza dos acidentes. Eles carecem, por definicão, de escolha.

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    Os Sonhadores

    Os Sonhadores de Bertolucci são um pouco arquitetos, incessantes voyeurs, sádicos e até perversos. Mas são, sobretudo, adolescentes que sonham escapar de um mundo de guerras, fazendo suas próprias guerras interiores. Os sonhadores criam e vivem suas loucuras. Mas será que existe, de fato, loucura para quem sonha? Para quem observa através da lente do sonho, ignorando o que está ao redor, existe normalidade? Existe terra para aqueles que aprenderam a voar?

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    Somos Mulheres?

    Queimamos os sutiãs. Usamos calça e paletó. Votamos. Nos divorciamos. Casamos outra vez. Trabalhamos. Reivindicamos. Mas e agora? Como é, afinal, ser mulher em pleno 2015 no ocidente?

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    Vozes Passivas

    Em uma sociedade em que o tempo foi reduzido à dinheiro, para onde vão os delírios e as loucuras quando engessados nas engrenagens do dia a dia? Este artigo é uma pequena expressão poética sobre vidas mecânicas e suas vozes passivas.

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    O Espectador

    Quando vemos uma peça ou assistimos um filme, ainda que estejamos imóveis em nossos assentos, modificamos ou somos de algum modo modificados pelo que estamos vendo? Quanto de nós vai naquilo que vemos e interpretamos? Existe arte sem um espectador que imbua de significado o que está sendo visto?

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