transbordar

Porque há pessoas, pensamentos e sentimentos controversos.

Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries, apaixonada por filmes e amante de gordices. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura.
E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa".

A delicadeza da perda e questões dos relacionamentos em o Direito de Amar

Relacionamentos não foram feitos para serem julgados como verdadeiros ou falsos. Relacionamentos foram feitos para serem vividos. E somente um questionamento deve ser feito: se há amor ou não. E a falta ou a presença dele é que deve ser colocada em questão.


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Apaixonada por Colin Firth, um belo dia resolvi fazer uma busca e uma lista de filmes que ele atuou. Depois de meses resolvi retomá-la e um filme me chamou muita atenção: Direito de Amar.

De início, acreditei que seria um filme como Simplesmente Amor, mas com uma dose de comédia reduzida. Confesso que o título, ou melhor, a tradução dele (que não aceito até hoje) me reportava a ideia de um filme romântico leve, daqueles que assistimos só uma vez. Mas ao assistir o trailer percebi que A Single Man (título original) era mais do que eu imaginava. Sabia que era uma daquelas obras-primas que me fariam refletir, instigar discussões e querer indicar para o máximo de pessoas possíveis. E eu estava certa.

O filme é baseado em um romance do britânico Christopher Isherwood, e se passa em 1962. Ele pode ser resumido na história de um homem que perdeu seu companheiro em um acidente de carro e, no limite da dor, resolve planejar sua morte. No entanto, Tom Ford, na época um estreante no campo cinematográfico, trabalha a perda de um grande amor com seu apuro estético e genialidade. E os atores Colin Firth, que vive o protagonista George Falconer, Julianne Moore e Nicholas Hoult atuam com maestria seus personagens e os questionamentos que os perseguem.

Direito de Amar mostra que a perda de alguém que você ama não foi e nunca será algo fácil a ser superado. Mostra que cada móvel, cada gesto, retomam as mais belas lembranças de alguém que fez parte da sua vida por muito tempo, ou de alguém que está vivo, perto, mas ao mesmo tempo longe, por não corresponder a seus sentimentos - caso de Charlotte, personagem de Julianne Moore, apaixonada pelo protagonista enlutado pela morte de Jim, seu namorado.

Além disso, Direito de Amar ainda mostra como na década de 60 - e infelizmente nos dias atuais - as pessoas não aceitavam os relacionamentos homossexuais e, não o enxergavam como um relacionamento verdadeiro, construído com amor e cumplicidade. Isso é destacado na cena em que George vai jantar com sua amiga Charlotte e a mesma o questiona com a seguinte pergunta: “Não sente falta disto? Do que podíamos ter sido um para o outro? De um relacionamento de verdade e filhos?”.

Essa parte dói, aperta o peito e nos faz pensar até quando os relacionamentos só serão aceitos e ditos como verdadeiros se fizerem parte de um molde considerado como correto.

Relacionamentos não foram feitos para serem julgados como verdadeiros ou falsos. Relacionamentos foram feitos para serem vividos. E somente um questionamento deve ser feito: se há amor ou não. E a falta ou a presença dele é que deve ser colocada em questão. Deve-se sempre pensar que todos os casais devem ficar juntos o tempo que for possível, ou para sempre. Que se separem apenas na hora da morte ou quando não houver reciprocidade, que também é uma morte, só que simbólica.

Direito de Amar ou A Single Man, chamem como quiser, é um filme cheio sentimentos e sentidos, de cores e sensores, de fragilidade e força, e de detalhes que não se pode colocar defeito.


Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries, apaixonada por filmes e amante de gordices. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura. E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa"..
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