transbordar

Porque há pessoas, pensamentos e sentimentos controversos.

Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura.
E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa".

Preciso falar sobre Lost

Quem esperava que a Dharma esclarecesse todas as dúvidas, que cálculos e conceitos teóricos sobre eletromagnetismo explicassem a função da luz que move a ilha – e até a própria ilha – ficou desapontado. Jeffrey Lieber, J. J. Abrams e Damon Lindelof afastaram-se um pouco da ficção científica e foram para o lado espiritual da força.


Thumbnail image for Lost-Quotes-Abstract.jpg Uma das imagens de divulgação da temporada final da série Lost. Foto: Divulgação

Mês passado terminei de ver, pela terceira vez, Lost. Por mais que eu já conheça algumas falas e cenas, cada vez que assisto consigo perceber ou compreender algo diferente ou de um jeito diferente.

Ao ler vários textos e matérias que falam a respeito de Lost, há sempre a afirmação de como a série foi inovadora por contar a história dos sobreviventes do voo Oceanic 815 em dois planos: o primeiro, a luta diária dos passageiros na misteriosa ilha – que conta com ursos polares, a intrigante Iniciativa Dharma, os temidos Outros e viagens no tempo. E o segundo, a história dos personagens principais em flashbacks, flashs do futuro e flashs paralelos. Esse modo de produção resulta até hoje em seu destaque.

O universo da série foi explorado por seis temporadas e, assim como seus personagens, a série sobreviveu a muitos problemas, em especial, a greve dos roteiristas, em 2007.

Mas como ninguém vive apenas de críticas positivas e superação, com Lost não foi diferente.

Ainda durante minhas leituras, e opiniões dos amigos, notei que há dois principais questionamentos feitos pelos fãs e telespectadores: os mistérios não explicados e o destino dos personagens.

Não sei se pelo fato de ser uma fã assídua da série e grande defensora, mas consegui entender e compreender cada mensagem que os criadores desejaram passar.

Então, vou começar e falar sobre o primeiro questionamento: os mistérios não desvendados.

Para começo de conversa, Lost não é apenas uma série de ficção científica. Ela é identificada também como drama. E em sua reta final os produtores exploraram essa categoria e a usaram como foco principal para explicar a ilha, o monstro da fumaça, os números, sussurros e etc.

Por isso, quem esperava que a Dharma esclarecesse todas as dúvidas, que cálculos e conceitos teóricos sobre eletromagnetismo explicassem a função da luz que move a ilha – e até a própria ilha – ficou desapontado. Jeffrey Lieber, J. J. Abrams e Damon Lindelof afastaram-se um pouco da ficção científica e foram para o lado espiritual da força.

E isso desencadeia o segundo ponto de indignação dos fãs e telespectadores: o destino final dos personagens.

Dando um mega spoiler para quem ainda não assistiu, a última temporada não se resume apenas na fala que mais li e ouvi: “Está todo mundo morto e só encheram linguiça pra dizer isso”. Vai além.

A série mostrou uma outra visão sobre a morte. Mostrou que em algumas religiões, diferente do cristianismo e do protestantismo, as almas não sabem que estão mortas. Elas seguem suas vidas até descobrirem suas respostas ou – no caso da série – se lembrar, reencontrar e entender qual era a sua redenção. Quem em Lost vem ser a realidade paralela.

Aí vem a pergunta de novo: "Então, não está todo mundo morto de qualquer jeito?" Claro que está. O próprio pai do Jack disso isso a ele: “Todo mundo morre um dia.” E foi isso que aconteceu.

O acidente aconteceu, a Iniciativa Dharma existiu, as viagens no tempo também (essa é uma das partes de ficção cientifíca) e todos que estiveram na ilha morreram. Alguns personagens nós assistimos suas mortes, como Boone, Locke, Shannon, Libby, Jack (no último episódio), entre outros. Enquanto Kate, Sawyer, Miles, Richard e Frank conseguiram fugir e morreram fora dela, anos depois ou não. No entanto, todos morreram.

Sei que para alguns o final continua injustificável, para outros inexplicável e tantos outros continua difícil de entender a série como um todo. Mas temos que reconhecer sua boa produção, história dos personagens, desempenho dos atores, as frases e mensagens repassadas em cada episódio.

Para quem não gostou, acho que seria bom dar mais uma chance. Para quem ainda não viu, é bom comprar o box ou baixar e, depois de ler esse humilde texto e defesa, tirar suas próprias conclusões.


Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura. E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa"..
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