transbordar

Porque há pessoas, pensamentos e sentimentos controversos.

Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura.
E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa".

Um clichê bem feito em Identidade

Identidade é um filme de suspense que consegue hipnotizar quem o assiste, pois consegue envolver o espectador no mistério apresentado, consegue mexer com o seu psicológico, junto com o dos personagens.


Identidade.png Fotografia de um dos cartazes de divulgação do filme Identidade. Foto: Divulgação

Tempestade, pessoas que se hospedam em um hotel de beira de estrada e mortes. Esses são elementos-bases da maioria das histórias de terror ou de suspense que conhecemos, tornando-se clichês ou apenas chatas.

Mas confesso que isso me chama muita atenção. Sempre que vejo um filme, busco prestar atenção no modo como o roteirista ou diretor consegue utilizar esses elementos tão batidos e transformar o filme em algo capaz de realmente prender a atenção do seu público. E, ao meu ver, Identidade consegue fazer isso.

O filme, lançado em 2003, apresenta a história do presidiário Malcom Rivers, um homem acusado de matar seis pessoas. Em um lugar bem distante de onde está ocorrendo o julgamento de Malcom, dez estranhos se hospedam em um hotel na beira da estrada para passar a noite, já que a rodovia está interditada por causa de uma enchente ocasionada por uma forte tempestade. A noite começa a se tornar um tormento para todos quando uma mulher morre e, a partir disso, um a um dos hospedes começam a ser assassinados de maneiras estranhas. Além disso, uma série de coincidências entre as mortes são descobertas.

No decorrer da história, é possível perceber que Identidade não é só mais um filme de assassino, não é mais um filme que abusa do sangue e da exposição de corpos jogados no chão. Ele é mais do que isso: Identidade é um filme de suspense que consegue hipnotizar quem o assiste, pois consegue envolver o espectador no mistério apresentado, consegue mexer com o seu psicológico, junto com o dos personagens.

Cada personagem é construído de uma forma intensa e as coincidências entre eles apresentadas são colocadas de um modo instigante, causando o desejo de tentar descobrir antes do final quem é o assassino. Diversas hipóteses sobre as mortes fazem o espectador escolher um ou apenas se confundir, já que elas são ditas pelos personagens em momentos que eu considero perfeito.

Identidade mostra que toques de humor podem ser inseridos sem perder a lógica, que filmes de suspense não precisam abusar de corpos ensanguentados para chamar a atenção e que dá pra ver filmes desse gênero à noite sem ter tanto medo.

No filme, o transtorno psicológico é abordado de um modo sutil, e mostra o pior lado e as piores consequências neste tipo de caso. E John Cusack, Ray Liotta e Amanda Peet, os personagens principais, interpretam com maestria cada cena e cada detalhe importantíssimo para a solução do caso e conclusão da história. É a partir deles, e dos outros sete personagens, que o filme se constrói e se torna possível entender a causa dos assassinatos.

Antes que eu não aguente e comece a dar spoilers e contar o final, digo que Identidade é feito realmente de detalhes. Cada cena é uma peça de um quebra-cabeça e se por acaso se perder em alguma, terá que assistir novamente o filme. Não digo isso pelo fato de afirmar que não conseguirá entender o filme, mas que o compreender por completo é compreender a magia da construção desse suspense.

E finalizo este texto com o poema recitado na última cena do filme que, além de dar um medinho, te faz entender a mente do assassino: “Enquanto eu subia as escadas havia um homem que não existia… Ele não estava lá agora… Eu queria… Queria que ele fosse embora” (Hughes Mearns).

Um bom suspense a todos!


Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura. E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa"..
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