transbordar

Porque há pessoas, pensamentos e sentimentos controversos.

Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura.
E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa".

É possível refletir sobre os sentimentos humanos em O Cemitério

Apesar do medo, inevitável de se sentir, a obra também busca propor uma discussão a respeito das questões humanas e da responsabilidade das atitudes tomadas, sejam no campo terreno ou sobrenatural.


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Como boa amante de filme de terror, já assisti de tudo um pouco: dos trashs aos considerados pesados.

Este ano, resolvi dar uma parada nos filmes e dar início ao desejo de ler obras do gênero. Tal desejo surgiu quando, certa vez, conversei com uma amiga que acredita que ler um livro de terror causa um medo maior que assistir a um filme, pois as palavras fixam na cabeça com mais força; além da construção dos personagens e ambientes que faríamos.

Pois bem, dada a largada comecei lendo um livro de um dos meus autores favoritos: Stephen King. O livro escolhido? O Cemitério.

A história se passa na década de 1980, quando o médico Louis Creed se muda para a pequena cidade do Maine com a esposa e o casal de filhos. Em um dos primeiros dias após a mudança, a família conhece um cemitério onde crianças das redondezas enterram seus animais de estimação. Porém, o problema não está nesse local, mas o que se encontra além dele. E, apesar dos avisos, Louis – como um bom protagonista - vai até o local. Essa ida muda completamente sua vida. Literalmente.

Após ler as mais de 400 páginas, só confirmei o que achava de Stephen King: um escritor incrível. Alguns podem achar sua obra maçante, com alguma razão, mas vejo que o autor gosta de apresentar bastante seus personagens e o cenário. Tanto, que não há como se perder. É como se com o passar dos capítulos o leitor conhecesse muito bem cada um: Jud Crandall, o vizinho estranho; Louis, o médico; Rachel, sua esposa; Ellie, a filha mais velha; e Gage, o caçula.

Antes da morte de Church, o gato da filha, Louis passa por situações sobrenaturais que ele não acredita. Nesse momento, vemos várias justificativas científicas que o médico atribui as suas inusitadas experiências.

Diante das circustâncias que acontecem sucessivamente na vida de Louis, a obra mostra que a dor e loucura andam juntas. E que a primeira aparece de modo explícito quando não há nada que contenha a segunda. A partir da metade do livro, é exposto o quanto o ser humano ultrapassa seus limites para matar sua curiosidade e obter seu bem estar; e que até suas próprias crenças se tornam desacreditadas quando se está cego (ou quem sabe louco) por um objetivo.

Para quem acredita que haverá demônios em todo canto, possessões em massa e descrições de sangue em excesso, podem ficar despreocupados: O Cemitério não contém isso.

Possui, como toda obra do gênero, elementos clássicos do terror. Só que mais do que isso, Stephen King mostra os sentimentos humanos diante de problemas considerados sem solução, a dor da perda, o medo de um recomeço e como é a relação do ser humano frente a vida e a morte.

Apesar do medo, inevitável de se sentir, a obra também busca propor uma discussão a respeito das questões humanas e da responsabilidade das atitudes tomadas, sejam no campo terreno ou sobrenatural.

Como afirma Crandall: “O solo do coração de um homem é mais empedernido (...) Mas um homem planta o que pode... e cuida do que plantou".


Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura. E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa"..
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