transbordar

Porque há pessoas, pensamentos e sentimentos controversos.

Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries, apaixonada por filmes e amante de gordices. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura.
E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa".

CAPITÃO FANTÁSTICO E OS DOIS LADOS DA MOEDA

Em meio a perdas, viagens, encontros, conversas, Capitão Fantástico mostra que não se pode criar os filhos longe do mundo. Ele reproduz a famosa frase: “Teoria é uma coisa, mas na prática é outra”. E, além disso, passa a mensagem principal: que a nossa vida não é feita de extremos, mas de sentimentos divergentes, os quais nem sempre podemos controlar.


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Tomar um posicionamento, seguir à risca uma ideologia, cuidar de alguém dentro de uma bolha para não vê-lo se machucar, sonhar e tentar viver um mundo ideal. De um modo geral, Capitão Fantástico tenta passar tudo isso em meio a cenas lúdicas e emocionantes.

Os seis filhos de Ben, interpretado lindamente por Viggo Mortensen, criados no meio de uma floresta, sob uma rotina constate de exercícios físicos e hábitos saudáveis, instruídos com pensamentos socialistas e de uma vida igualitária, nos repassam inicialmente uma sensação de que não estamos vivendo do jeito correto. Entretanto, com o desenrolar da história, já sentimos que são eles quem não estão vivendo do jeito certo, quando vemos sinais de autoritarismo. E uma mistura de pena e compreensão pode tomar conta de quem assistir.

Essa mistura não se dá apenas ao ver as dificuldades, focadas em especial no filho mais velho, Bodevan (George McKay) e no mais revoltado Rellian (Nicholas Hamilton), que não sabem como interagir com as outras pessoas e desejam aproveitar as coisas que o mudo capitalista tem a oferecer, respectivamente. Mas pode ser sentido também por Ben, quando percebe que o seu desejo e o da esposa em criarem “reis filósofos”, não está surtindo o efeito esperado.

Em meio a perdas, viagens, encontros, conversas, Capitão Fantástico mostra que não se pode criar os filhos longe do mundo. Ele reproduz a famosa frase: “Teoria é uma coisa, mas na prática é outra”. E, além disso, passa a mensagem principal: que a nossa vida não é feita de extremos, mas de sentimentos divergentes, os quais nem sempre podemos controlar. Mostra que devemos olhar os dois lados da moeda, algo indispensável em nossa vida.

No mais, Capitão Fantástico projeta que não há um ideal de vida para todos, pois a felicidade é algo relativo. O que é bom pra mim, nem sempre é para o outro, pois somos diferentes, possuímos livre arbítrio e nossas decisões devem ser respeitadas. Sempre!

Sim, para alguns o filme pode ser mais um roteiro que conta a história de uma família hippie, ou de um filme que não tem sentido por não ter um posicionamento pessoal e político. Mas acredito que o desejo da obra seja esse: nem sempre devemos viver em um dos pólos, mas sempre precisamos nos permitir a repensar alguns conceitos. Assim, vamos amadurecer e, de algum modo, iremos contribuir para um mundo melhor. Ou ajudar alguém, ou nós mesmos, a ser uma pessoa melhor. Como diz um dos personagens: “Nossas ações nos definem, não nossas palavras”.


Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries, apaixonada por filmes e amante de gordices. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura. E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa"..
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