transbordar

Porque há pessoas, pensamentos e sentimentos controversos.

Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura.
E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa".

A sede de viver em O Show de Truman

Essa foi a primeira vez que eu vi o Jim Carrey em um filme de drama. Claro que tem umas pitadas de comédia (tanto que ele é classificado como Comédia Dramática). Segundo, é maravilhoso ver uma história onde o mocinho não duvida de si mesmo, algo recorrente em muitos filmes.


truman.jpg Jim Carrey como o protagonista Truman Burbank (Foto: Divulgação)

Com o surgimento do YouTube, os canais de streaming e sites que disponibilizam séries e filmes online, temos a oportunidade de assistir as produções audiovisuais que sempre desejamos e até as que nem sonhávamos que existia. De vez em quando, trechos de alguns filmes surgem na minha cabeça e fico em uma incansável batalha em busca de descobrir o nome para depois tentar ver. E foi o que aconteceu comigo esses dias.

Um belo momento enquanto terminava de assistir um reality show fiquei pensando “Já vi um filme que falava sobre reality, só que de um modo bem mais pesado e reflexivo”. Depois de um tempinho na internet, lembrei: “O Show de Truman”.

Produzido em 1998, O Show de Truman conta a história de Truman Burbank (interpretado por Jim Carrey), um homem que não sabe, mas teve a sua vida toda transmitida para milhares de pessoas 24 horas por dia. Sua vida, rodeada por atrizes e atores, se transformou em um lucrativo programa de televisão que, além de uma grande audiência, conseguiu conquistar os mais variados sentimentos dos que o assistiam.

A reviravolta começa quando situações bizzaras acontecem fazendo Truman refletir que tudo que o rodeia não é real. É tudo encenado. Desde a situações climáticas até os diálogos, que são nada mais, nada menos que um merchandising em sua vida. No caso, no meio do programa.

Duas coisas me chamaram muita atenção no filme como um todo: a primeira, foi ter visto o Jim Carrey em um drama. Para mim que sempre vi filmes de humor em que ele era o protagonista, esse papel foi um pouco surpreendente. Claro que O Show de Truman contém umas pitadas de comédia (tanto que ele é classificado como Comédia Dramática), mas confesso que se eu sorri em algumas cenas, simplesmente foi pelos fatos incomuns que surgiram. Segundo, é maravilhoso ver uma história onde o mocinho não duvida de si mesmo, algo recorrente em muitos filmes. Truman sempre acreditou nas suas intuições, mesmo quando a esposa, o melhor amigo – que eram atores – e os programas que assistia queriam fazer ele acreditar que estava ficando doido e deixavam mensagens subliminares de como a sua vida era perfeita. Na verdade, o produtor do reality, Christof (vivido por Ed Harris), não poderia deixar seu protagonista sair do programa.

Além de mostrar como funciona os meios de comunicação e a busca em prender seu espectador na tela da televisão pelo máximo de tempo possível, O show de Truman ensina também que podemos ser os senhores do nosso destino. Assim como Truman, somos regidos por um roteiro – nossa rotina - , que nos deixa engessados e até com medo de realizar novas descobertas. No filme, a sede de viver algo novo pode ser realizado a partir de uma viagem, pois assim o protagonista sairia da pequena cidade fictícia de Seahaven. Para nós, pode até ser uma viagem que nos tire da zona de conforto, mas a inscrição em um curso novo, novas leituras, participação em uma ONG, execução de antigos projetos, entre outros exemplos, também tiram a gente dessas amarras e nos abrem para novas situações.

Claro que tudo isso pode gerar uma rotina, mas são coisas que estaremos fazendo para nos sentirmos vivos e não mais uma obrigação que precisamos realizar.

Que possamos acreditar em nós mesmos, assim como Truman, e abrir a porta quando sentirmos a vontade de viver nossa vida e não viver como mais um protagonista que gera retorno somente aos outros.


Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura. E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa"..
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